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Sócrates, por Sócrates

por Vasco Lobo Xavier, em 18.01.15

Deixando de lado o que vem noticiado nos jornais, para não ser acusado de surfar nas violações do segredo de justiça, impõe-se no entanto uma breve análise da narrativa de Sócrates sobre si próprio. Breve, necessariamente breve, porque isto mereceria um estudo científico aprofundado, uma tese de mestrado (quiçá de doutoramento) daquelas que vão muito para lá de um punhado de linhas e de banais considerações sobre tortura em democracia. E um estudo que fosse feito por cientistas da área, não por meros curiosos como eu.

 

Diz Sócrates de si que não queria trabalhar, que lhe apetecia uns tempos a esvoaçar por Paris, e vai daí negociou um empréstimo de 120.000 euros com a CGD (ainda estão para me explicar como é que o banco público empresta semelhante quantia a quem declaradamente confessa não querer trabalhar nem ter meios para pagar o empréstimo, mas enfim…, lá estará o Banco de Portugal para analisar o caso). No entretanto, manda vir um Mercedes de 95.000 euros, o que não admira nada pois todos conhecemos a aversão dos socialistas aos Renault Clio. Até aqui, tudo muito compreensível.

 

E pisga-se então para Paris. À grande. E com um filho também em Paris, cada um na sua palhota. E, de tempos a tempos, com a visita da ex-mulher. E deixa o outro filho em Lisboa, também numa sua palhota própria – sua, do filho, não a do próprio em Lisboa, pois naquela família cada um tem a sua palhota, ainda que vivam na mesma cidade. Só a Mãe tem várias, mas mesmo isso acabou e ficou só com uma. As casas da Mãe foram vendidas ao amigo Santos Silva, diz Sócrates, o amigo que paga esta coisada toda. Sim, que isto custa dinheiro, muito dinheiro. Fazer-se vida de rico não é fácil, os ricos que o digam, que bem penam para gastar o que é seu e antes de o gastarem ainda têm de entregar mais de 50% ao Estado, para o Estado pagar a bancarrota do país que o Sócrates também deixou para trás.

 

Bem…, voltando à vaca fria. E portanto ele, Sócrates, e sempre segundo o próprio, tem problemas de liquidez, como é evidente perante semelhante vida (quem não os teria?). Felizmente está lá o amigo para lhe atirar pacotes de dinheiro sempre que ele precisa (“Toma lá para um fato!...”, ou então “Vê lá, não gastes tudo em vinho!...”, esse tipo de brincadeiras que dizemos quando damos esmola na rua a um mendigo conhecido).

 

Pois imaginar-se-ia que quem tem problemas de liquidez e não trabalha (nem quer trabalhar) tentaria levar uma vida comedida, regrada, frugal, pelo menos depois dos primeiros apertos…, mas não. O homem tem um fraquinho por viajar em executiva, ou de Mercedes, e com motorista, por fazer férias (de quê?!?...) em Fermentera, vestir-se bem e almoçar melhor ainda, vinhos bons, edredons, não há nada a fazer. E como reduzir o nível de vida ou fazer-se à vida está fora de questão, lá aparece o amigo dos milhões a verter generosidade desinteressada a rodos.

 

Ou então aparece a Mãe, que vende as suas casas ao amigo. E é para a Senhora viver melhor os seus últimos anos? Não: é para dar ao filho, esse mandrião que gosta de viver bem sem fazer pevide. Mas para este pagar as dívidas que contraiu junto do amigo? Não, pois nem sabe quanto deve: é para ele continuar a viver à grande sem trabalhar. Mas o amigo do filho é tão estúpido que empresta a Sócrates dinheiro em notas sem recibo e sem testemunhas, compra as casas à Mãe de Sócrates e paga as casas, sem se lembrar de fazer uma compensação com o que emprestou e tem a haver? É, é assim tão estúpido. E o Sócrates, mal vê dinheiro nas mãos da Mãe, logo aceita a generosidade da velha Senhora e arrebata-lhe 75% da massa para torrar, sem se preocupar com os pobres dos sobrinhos, órfãos, que vêem o que viria a ser deles por direito esfumar-se para o Tio e os primos esbanjarem em Paris? Tu o dizes, o próprio o disse que assim era. Dinheiro a passar por perto dele parece manteiga em focinho de cão. Aparece massa nas mãos daqueles dois e ele deita-lhe logo a mão, ferra-lhe os dentes. E é esta a sua narrativa, a narrativa de Sócrates.

 

Pois então, e segundo o próprio se descreve, o que temos aqui é um doido megalomaníaco. Um individuo que se apresenta como um atrasado mental irresponsável com perturbações psicológicas de fantasias de poder e delírios utópicos. Um desgraçado que quer aparentar vida de rico sem o ser, que gasta à doida o que não é seu, um mandrião que vive à grande sem trabalhar, que vive de esmolas de amigo rico ou do que saca à velha Mãe, e que pelo meio se marimba para a família, derretendo o que é da Mãe e deveria vir a ser dos sobrinhos. É assim que este preguiçosão se apresenta, num dos raros momentos da sua vida em que terá contado algumas verdades. Quem se admira agora de ele ter levado o país à bancarrota?…

 

E era este tipo, que sem pejo algum se apresenta assim, que os socialistas defendiam que deveria ter sido condecorado pelo Presidente da República?!?... E era este tipo que os socialistas queriam pôr na Presidência da República?!?... Do que nos safámos…

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16 comentários

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De BELIAL a 18.01.2015 às 22:23

A explicação, rósea, já foi usada antes.

Lá vai: "São rosas, Senhor".
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De BELIAL a 18.01.2015 às 22:30

He is not crazy, - just a poco loco from his coco!
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De Lourenço Almada a 18.01.2015 às 23:26

É uma análise simples, assim como muito bem escrita e tão crua na verdade, que chega a ser divertida, não fosse um caso para todos chorarmos.
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De Pedro Rodrigues a 19.01.2015 às 22:48

Eu não deitava assim tantos foguetes... Ou é de mim, ou este alarido vai passar todo, o gajo não vai ser condenado a nada, e ainda vamos levar com ele como mártir desta justiça e deste país!
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De Vitor Cunha a 20.01.2015 às 11:59

Formentera. O texto é tão bom que merece a correcção.
(não publiquem o comentário, é só uma sugestão)
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De Vasco Lobo Xavier a 22.01.2015 às 17:47

mea culpa: nunca ninguém me deu notas para lá ir com a namorada. :-)))
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De papa chico a 20.01.2015 às 13:51

a maria diz "Vê lá não gastes tudo em vinho" quando dá uma esmola?!!
e ainda tem a lata de lhe chamar uma brincadeira?
realmente já não há cristãos.
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De Vasco Lobo Xavier a 22.01.2015 às 17:53


Não tem nada a ver com religião. Não tem mendigos habituais com quem brinca ou fala quando os ajuda? Ou deixa cair moeda sem olhar nos olhos? Eu tenho uns quantos habituais, com quem também falo e brinco, de quem me interesso.
Noutro registo menos trise, "não gastes tudo em vinho" foi-me dito várias vezes por tios, padrinhos, etc., quando me ofereciam notas (não aos pacotes, infelizmente). Não faz cair na lama. Neste mundo, é preciso ter um nadinha de sentido de humor, espero que o encontre: vai ser mais feliz. Cumprimentos, 
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De lino a 21.01.2015 às 14:34

E não menos interessante é que a personagem logrou (ainda logra?) a admiração de boa parte dos que se encaram como a élite tuga -- não estou a pensar nos que lhe devem favores ou atenções. O que é revelador sobre a capacidade de discernimento da élite.
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De Jacob Levi a 22.01.2015 às 11:21

O VLX tem mesmo a certeza de que ja nos safamos deste tipo na Presidencia da Republica? Ja vamos conhecendo a justica em Portugal o suficiente para intuir que ele saira de Evora inocentado e como um martir. E o que o povo Portugues gosta de um bom martir! Ja eh assim desde que o Infante Dom Fernando morreu no cativeiro em Marrocos. Ainda vamos ter um Dom Jose em Belem...
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De Vasco Lobo Xavier a 22.01.2015 às 17:45


Não, não tenho essa certeza. Nem tenho a certeza de que ele seja condenado pela prática de crimes, não conheço o processo.

O que sei é que o povo português, por muito defeitos que tenha, não gosta do tipo de gente como o próprio Sócrates se descreveu: um mandrião de 50 e tal anos que não quer trabalhar, mas que gosta de viver à grande, e fá-lo (diz ele) através de sucessivos empréstimos de um amigo (nem sabe quanto) ou torrando o que é da Mãe, desprezando os sobrinhos órfãos que teriam também legítimas espectativas de vir a receber qualquer coisa. Um tipo que vive à grande, mas de esmolas. E tudo isso para andar em executiva e coisas do género.
Um tipo que se descreve assim a si próprio está arrumado em Portugal. Começaria logo uma campanha de cartazes "VAI TRABALHAR, SÓCRATES!"
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De Jacob Levi a 23.01.2015 às 12:00

Eh caso para dizer: "Deus o leia!"
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De Maria a 23.01.2015 às 09:27

Boa, Vasco.
Como exemplo vivo de quem emprenha pelos ouvidos não está mal. Leu e ouviu direitinho as notícias todas. Pena que tenha lido tudo e não tenha dado conta das contradições, nem das incongruências, nem lido os desmentidos.
Enquanto houver leitores para absorver e fazerem ressonância do que a imprensa publica, mesmo que não seja verdade. Parabéns.
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De Vasco Lobo Xavier a 23.01.2015 às 19:30

Vc não deve ter percebido bem o que eu escrevi. Eu só escrevi sobre coisas que o Sócrates disse de si próprio em cartas e comunicados. Mais nada. Se não gosta do que ele disse, é problema seu.
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De Gonçalo a 23.01.2015 às 14:23

Diz, quase no fim do seu texto, que o auto-intitulado “animal feroz” terá dito algumas verdades. Ah sim?! Além de trivialidades e lapalissadas, pergunto-me quais? Por favor, não responda pois eu não acredito.  

Cordiais cumprimentos

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