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O sector económico que convive melhor com a fraude

por henrique pereira dos santos, em 10.11.17

"A notícia que publicámos tinha por base um despacho do Conselho Consultivo da PGR, tal como era citado. Relativamente às contas aos eventuais prejuízos da decisão anulada, citadas no texto, são da autoria do actual governo - o que erradamente não era mencionado no texto. Nota adicional: ao contrário do que dizia a notícia, Carlos Pimenta não é presidente da administração da Generg, mas administrador não executivo da mesma empresa. Ao visado e aos leitores, as nossas desculpas".

Esta extraordinária nota da direcção do Público diz respeito a uma coisa em forma de assim que ontem aparecia no jornal, dando origem à principal manchete "PGR arrasa decisão do Governo de Passos que custaria 42 milhões", manchete essa que era secundada por três chamadas de atenção na mesma primeira página, uma dizendo que o ministério do ambiente do governo anterior tinha beneficiado uma empresa a dois dias das eleições, que o beneficiário era uma empresa de Carlos Pimena, que fazia parte do think tank do então ministro do ambiente e que o actual governo tinha acabado com essa bandalheira homologando o parecer do conselho consultivo da PGR.

Hoje, no cantinho da primeira página, o Público refere que Moreira da Silva, ao abrigo do direito de resposta, reage ao parecer da PGR e deixo aos interessados a leitura da resposta, que não é ao parecer do Conselho Consultivo da PGR mas à canalhice do Público, porque é absolutamente arrasador, para usar a estúpida qualificação que o Público resolveu usar ontem na sua manchete.

O que está em causa é o facto de uma jornalista, Leonete Botelho, se prestar ao indecoroso frete de fazer de caixa de ressonância do actual Governo, publicando uma peça lamentável, com erros factuais gravíssimos, com insinuações construídas com base nesses erros factuais, com a utilização de dados essenciais omitindo a fonte interessada que lhos forneceu, sem verificar os factos e sem se dar ao menor trabalho de ouvir o contraditório junto das pessoas que difama sem o menor pudor. E de tudo isso ser ainda ampliado pela direcção do jornal que resolve chamar ao assunto para manchete principal do dia, acentuando nessa manchete o carácter difamatório, com base em insinuações sem qualquer suporte nos factos.

A nota da direcção do Público é semelhante à nota de direcção de um hospital que depois de fazer um comunicado de imprensa a congratular-se pelo extraordinário êxito médico de uma operação no dia anterior, viesse explicar que afinal a gangrena estava na perna esquerda e tinha sido amputada a perna direita, o que por lapso não tinha sido referido, por isso se pedindo desculpa ao visado e ao público em geral.

Meus senhores, a nota da direcção do Público que eu gostaria de ter visto era o que seria normal em qualquer sector económico com um mínimo de respeito pelos seus clientes.

Posso até sugerir um texto:

"O Público cometeu ontem um erro gravíssimo que põe em causa o bom nome das pessoas visadas, o que resulta do incumprimento das regras gerais da profissão, como sejam a necessidade de identificar as fontes das notícias, a verificação dos factos, em especial quando as fontes são parte interessada na notícia, e o exercício do contraditório. Da falta de respeito pelas regras da profissão resultou um tratamento informativo do assunto completamente inaceitável, razão pela qual iremos abrir um processo de inquérito aos jornalistas envolvidos, quer na elaboração da notícia, quer no seu tratamento editorial pelo jornal, no sentido de detectar se a grosseira violação das regras se deve a negligência ou se existe dolo, o que, em qualquer dos casos, é completamente inaceitável para qualquer jornal que preze o principal valor que o une aos seus leitores: a confiança".

Um sector em que um jornalista é embarretado por um aldrabão de feira e mantém a sua posição no jornal e na profissão totalmente intocada (Nicolau Santos), que mantém como director de jornal uma pessoa apanhada numa escuta a pedir para ser nomeado para cargos de direcção, apresentando como vantagem ser um general prussiano que cumpre ordens sem as discutir (Afonso Camões) ou que trata a negligência na produção de notícias (na melhor das hipóteses) como se fosse impossível haver jornalistas corruptos (replicando para o sector a complacência que aplicou a Sócrates com o argumento de que seria impossível em Portugal haver um primeiro ministro corrupto sem ser de direita) é um sector que se degrada todos os dias.

Não se queixem é da internet de cada vez que fecha um jornal, queixem-se do que fazem perante situações destas e da falta de espinha que caracteriza a generalidade do sector quando se trata de aplicar aos camaradas a lógica justiceira de que se sentem investidos quando se trata de denunciar aqueles de quem não gostam.

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15 comentários

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De Anónimo a 10.11.2017 às 10:06

A menos que o PSD esteja fechado, aguarda-se a competente conferência de imprensa sobre o assunto, para lhe dar o destaque que não vai ter na comunicação social. Quando o país acordar para a venezuelização em curso, já será tarde. Também gosto muito de ligar a televisão e verificar que no estrangeiro há muito assédio sexual e em Portugal não, e muito menos no sector público.
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De Terry Malloy a 10.11.2017 às 11:06

Tudo certíssimo, sem tirar nem pôr.


E tudo pregação no deserto, infelizmente.


"...sempre perdido como merece", já dizia o Sena.
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De Terry Malloy a 10.11.2017 às 14:10

Tudo certíssimo, sem tirar nem pôr.


E tudo pregação no deserto, infelizmente.


"...sempre perdido como merece", já dizia o Sena.
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De Tiro ao Alvo a 10.11.2017 às 18:23

Também considerei a nota do Público muito infeliz, para não dizer coisa pior.  Não percebo como é que o David Dinis permite que isto aconteça.

Uma notícia deste género, plantada no Público por gente do governo, é uma vergonha para o jornal, para todos os jornalistas e para todos nós. 

Por outro lado, custa-me a aceitar que um parecer do Conselho Consultivo da PGR apareça, inexplicavelmente ou não, nos jornais. Coisas destas, assim como a atitude, incompreensível, que a Procuradoria tomou no caso das mortes por legionella, no Hospital de São Francisco Xavier, além do mais, assustam. 

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De Anónimo a 11.11.2017 às 11:57

"custa-me a aceitar que um parecer do Conselho Consultivo da PGR apareça, inexplicavelmente ou não, nos jornais" ???



Não sei se sabe, mas os pareceres da PGR são obrigatoriamente públicos, publicados até no seu site. 
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De Mota a 11.11.2017 às 12:17

Quanto à forma como o parecer da PGR aparece, a notícia do Público é clara (e revela que tal facto nada tem de inexplicável): O parecer foi pedido pelo atual secretário de estado e foi o atual governo que o divulgou.
Quanto às autópsias o que se afigura inexplicável é a libertação dos corpos sem autópsias nem informação prévia à PGR, num caso em que se impõe a realização de autópsias.
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De Tiro ao Alvo a 11.11.2017 às 13:58

Os Secretários de Estado não têm competência para pedirem pareceres ao Conselho Consultivo da PGR.
Quanto às autópsias, os corpos foram libertados porque os médicos de serviço no hospital, entenderam que a causa das mortes estavam convenientemente esclarecidas e que não haveria crime. Alguém, na PGR, inexplicavelmente, é que entendeu que não.E vai daí, qual elefante mal disposto numa loja de porcelanas, mandou recolher os cadáveres em sacos de plástico. Para quê? Para nada, como se vai ver. 
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De Mota a 12.11.2017 às 22:00

O tiro ao alvo em vez do diálogo parece preferir disparar à toa:
1. Foi o secretário de estado que pediu o parecer, como foi referido na notícia e de acordo com uma competência dos membros do governo (pm, ministros e secretários de estado) expressamente prevista na lei.
2. Não sei se foram médicos que determinaram a libertação dos corpos com fundamento na ausência de suspeitas de crime como diz o atirador. Se o fizeram extravasaram as suas competências o que determinou o problema subsequente. Existindo suspeitas de causas externas para um óbito, por exemplo por via de uma bactéria adquirida por força do funcionamento de um equipamento hospitalar, a lei determina a realização de autópsias as quais apenas podem ser dispensadas pelo ministério público.
3. Como é óbvio o certeiro e pertinente post de HPS nada tem a ver com tiros à toa de certos comentários.
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De Tiro ao Alvo a 13.11.2017 às 09:18


Concedo, não sabia que os Secretários de Estado podem pedir pareceres directamente ao Conselho Consultivo do PGR. 

Todavia, saiba que o que me levou a escrever não foi o parecer, mas a Nota da Direcção do Público e a explicação do visado, que gostava de saber se o/a Mota leu, publicada ao abrigo do "direito de resposta".

Quanto à libertação dos corpos, o que sei é que todos os dias são enterradas pessoas que morrem por terem sido infectadas por vírus adquiridos nos hospitais e a quem não é feita autópsia. E julgo que, no caso em apreço, também não haveria necessidade de mandar fazer autópsias para fazer a identificação, quer dos mortos, quer do vírus ou da bactéria, pois tudo, a meu ver, estava convenientemente identificado.

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De Anónimo a 13.11.2017 às 12:13

A conversar as pessoas de boa fé entendem-se. Quanto à nota da direção do Público e, sobretudo às chamadas de capa das duas edições do Público totalmente de acordo. Aliás como Henrique Pereira dos Santos sublinhou com toda a razão, no 1.º texto referem-se factos que não são referidos no parecer e que tiveram como fonte o Governo em termos que induzem o leitor em erro. Por outro lado, como também destaca HPS, na chamada de 1ª página sobre o exercício do direito de resposta por Moreira da Silva diz-se que ele reage ao parecer da PGR quando o que ele fez foi reagir à notícia do Público e não ao parecer (Moreira da Silva não refere nada que contrarie o parecer).
Relativamente às autópsias o sistema legal basia-se numa medida de prevenção que, aliás, vai além das questões criminais (visando outro tipo de responsabilidades, nomeadamente civis) atendendo a que a prova pericial da causa da morte para efeitos judiciais depende de autópsia. Esse é o princípio e a lei prefere na dúvida ou no caso de eventuais processos judiciais a realização de autópsia, pelo que quem andou mal foi o hospital e sendo certo que iria ser necessário uma prova pericial e feito esse mal, a alternativa à autópsia antes do funeral era muito pior (a exumação do corpo). Outra questão é saber se foram adotados os procedimentos mais corretos na comunicação com os familiares (não sei), mas não foi sobre isso que conversámos.
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De Tiro ao Alvo a 11.11.2017 às 13:48

O parecer não é da PGR, o parecer é do Conselho Consultivo da PGR, o que é muito diferente, parecer que foi elaborado por algum assessor incompetente, como se está a ver.
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De XisPto a 10.11.2017 às 18:28

Não é o primeiro frete do género nem acredito que seja unicamente pela conhecida orientação da redacção. O titulo é tão martelado que  certamente valores mais Altice se levantam.
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De Anónimo a 11.11.2017 às 11:54

O Henrique já dita o que o Público deve escrever?... Eu gostaria é de ver aqui um comentário ao Parecer da PGR.
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De Tiro ao Alvo a 11.11.2017 às 14:03

Leia a resposta do Gomes da Silva, publicada no jornal Público e a que se refere a Nota da Redacção daquele jornal, aqui criticada, e ficará convenientemente esclarecido e com os cabelos em pé, como me aconteceu a mim.
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De henrique pereira dos santos a 11.11.2017 às 20:15

Não percebo o comentário: o Público escreve o que quiser e eu escrevo o que quiser sobre o que o Público escrever ou sobre outra coisa qualquer, parece-me simples.

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