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O que um jornal não é

por José Mendonça da Cruz, em 24.01.14

 

 Como esforço didáctico, vale a pena dar os 1,60 euros da edição de hoje do Público. A edição de hoje do Público é um caso exemplar do que um jornal sério não é.

Começa na manchete ressabiada, a rosnar que «sim, sim, o défice que dizíamos impossível afinal foi possível, mas isso é só porque...»

Penso, agoniado, o que seria hoje a manchete do Público no caso fatal de termos um governo mais da sua afeição: «Política de crescimento consegue pôr défice abaixo de 10%».

Depois, nas páginas 41 e 48-49 o Público entrega-se à campanha pró-despesa que presentemente entusiasma a esquerda: a Ciência e as bolsas. Com uma pequena chamada tipo RGA na 1.ª página (»Crato forçado ... a explicar») o Público publica na pág. 41 uma pecinha panfletária sobre a «chuva de críticas» ao governo de PCP, Bloco, PS e qualquer um que se proclame de esquerda.
Nas páginas 48 e 49, e sobre o mesmo tema, o Público publica um depoimento de Carlos Zorrinho, deputado do PS; um depoimento de Paulo Pisco, deputado do PS; um depoimento de João Caraça, identificado como Físico; e um ataque de capelinha a Rui Ramos por parte de Diogo Ramada Curto e rasteiras miudezas lá dele.

Em todo esse espaço, o Público resmungou muito, mas não deu um retrato objectivo nem da situação da ciência, nem dos orçamentos da ciência, nem do número e situação dos bolseiros; nem um quadro geral da situação; nem uma aferição com outros países; nem um número; nem um facto. Nada. Só bilis e tiros para o ar.

Cruelmente para o Público, José Manuel Fernandes faz na página 46 da mesma edição, na sua crónica semanal, o exaustivo trabalho jornalístico que o Público deixou inteiramente por fazer, contando a evolução no domínio científico desde 2008 até hoje, e retratando a actualidade com dados e números colhidos em fontes críveis.

O Público desinforma, um colunista semanal informa. No Público há-de ser isso o «contraditório».

 

PS: A coluna de Vasco Pulido Valente, sobre «A tradição» de inanidade da esquerda não vem aqui a propósito. Há muito que as colunas de VPV enchem de ridículo os conteúdos enviesados do pasquim.

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3 comentários

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De JC a 24.01.2014 às 16:53

Muito bem!
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De João Amorim a 24.01.2014 às 18:47

caro José

Como li o dito artigo, do VPV, e o achei dos melhores que ultimamente tenho lido, fiquei na dúvida sobre a sua ironia. Tenho a opinião, que o VPV está a mais, porque melhor, no pasquim.

cumprimentos,
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De José Mendonça da Cruz a 24.01.2014 às 19:32

Caro João Amorim, não tenha dúvidas, é isso mesmo, mais uma crónica brilhante. É, aliás, a única razão, para comprar o Público à 6ª, Sábado e Domingo. essa crónica por 1,60 ainda me parece um negócio razoável. Sobretudo -  e essa é a parte lúdica - porque VPV cada dia enterra no lixo da história as coisas que o Público tenta promover ansiosamente.

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