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Insólitos de um país com muitos desmiolados

por Corta-fitas, em 13.08.17

 

Por um mecanismo que me ultrapassa em Portugal parece ser possível que um conjunto minoritário de desmiolados tenha poder de decisão sobre matérias cruciais com impacto negativo para décadas. As nacionalizações deram o pontapé de saída. À subsequente falta de capital substituiu-se o mesmo por dívida com as consequências que se conhecem. Tivemos também as ocupações de terras, outro belo exemplo de estroinice. Duas intervenções do FMI no último quartel do século passado, o que também é interessante. Já neste século tratámos de arranjar mais uma. Esta mais séria e profunda, não fosse a rapaziada desabituar-se de andar a bater com a cabeça na parede. E por estes dias andam por aí umas luminárias para quem as coisas por si só podem correr bem e que para cúmulo resolveram andar de mão dada com os dos amanhãs que cantam. Pergunto: tem de ser assim? Será que não dá para ser ajuizado?

Há por aí agora um novo insólito. Bem fresquinho. Como é sabido os desmiolados nunca se entenderam muito bem com o mercado e com a balança de pagamentos. A aberração da falta de um verdadeiro mercado de arrendamento levou ao apodrecimento das cidades. E a psique de nos acharmos mais do que somos tratou de preterir a produção pelo consumo e o dever pelo direito, pelo que maltratámos muito e por demasiado tempo a balança corrente. No processo os desmiolados lá estavam sempre a berrar e a inviabilizar qualquer solução. Até que finalmente, e como que por uma luz divina (ou quiçá necessidade extrema), todos se convenceram que afinal servir turistas é que era. Mas quando um conjunto celeste de circunstâncias se uniu e desatou a despejar turistas em Portugal com o consequente efeito positivo na balança de pagamentos e no melhoramento das cidades, os estridentes do costume e que nunca dão soluções começaram a berrar. Não nego a existência de problemas, mas será que a situação actual é obra do ocaso ou é antes o resultado da nossa incapacidade de lidar em tempo útil com a balança corrente e com o mercado de arrendamento?

Mas o maior insólito anda a decorrer desde há uns anos. Com uma taxa de natalidade absurdamente baixa e com uma alta drenagem de jovens para o exterior, o país em vez de gastar tempo com a natalidade e de como fixar as pessoas em Portugal entretém-se antes a gastar tempo em temas que desembocam em opções meio bizarras (conhecidas por aí como fracturantes).

 

Pedro Bazaliza
Convidado Especial

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3 comentários

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De slade a 14.08.2017 às 10:19

Resumindo: à falta de massa cinzenta, que se desate a fazer filhos.
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De Manuel Alves a 14.08.2017 às 14:48

"Com uma taxa de natalidade absurdamente baixa e com uma alta drenagem de jovens para o exterior, o país em vez de gastar tempo com a natalidade e de como fixar as pessoas em Portugal entretém-se antes a gastar tempo em temas que desembocam em opções meio bizarras (conhecidas por aí como fracturantes)."



Para ilustrar este parágrafo, recolhi na Pordata:


Total dos abortos efectuados nos estabelecimentos oficiais nacionais:


Entre 2008 e 2015 (oito anos)............................149 725   (média anual 18 715)


Admitindo, para o mesmo intervalo de tempo, uma taxa média de sobrevivência dos bebés da ordem dos 97% estariam vivos hoje mais 145 233 crianças em Portugal.


O equivalente à soma da população residente, em 2015, nas cidades de: Alcobaça+Abrantes+Évora, só nos últimos oito anos!!!!



Sem imagem de perfil

De Carlos A. P. Machado a 16.08.2017 às 16:37

Desemprego, precaridade e baixos salários não devem ajudar nada ao equilíbrio - já nem digo crescimento - demográfico.

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