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E a ética política Dr. Ferro Rodrigues?

por Vasco Mina, em 15.07.17

Ferro Rodrigues deu uma entrevista à TSF em que afirma o seguinte: "para mim há um mistério nisto que é o fato de haver um empresa que patrocinava a seleção nacional de futebol, a GALP, ter feito uns convites a umas pessoas e elas terem aceite. Onde é que isto configura um crime parece-me totalmente absurdo. É a minha posição pessoal". E a ética política Dr. Ferro Rodrigues? Aceitar oferta de bilhetes para ir ver um jogo é eticamente aceitável por parte de um político que ocupa funções no Estado? Qual a intimidade pessoal e institucional entre as partes (a que oferece e a que aceita)? Como bem refere Miguel Poiares Maduro, “na política (como no futebol…) qualquer discussão ética é transformada numa discussão jurídica. Parece que só há violação ética se corresponder a um crime.” E acrescenta “no fundo, é a incapacidade de tirar conclusões éticas e políticas sobre estes comportamentos que acaba por não deixar outra alternativa que a intervenção da justiça.”

João Miguel Tavares escreve hoje, no Público, o seguinte: “É perigoso nós querermos saltar de uma cultura onde a cunha, o amiguismo e a informalidade estão perigosamente disseminadas, para um quadro jurídico onde a aceitação de uma simples ida ao futebol passa a ser criminalizada. Não porque ache que a borla à bola seja aceitável – não é –, mas porque uma grande exigência moral necessita de sustentação cultural, social e política.” Acompanho a argumentação mas coloco a questão: como fazer para sustentar cultural, social e politicamente a grande exigência moral? Só vejo uma via: a de uma ética política exigente. Porque se somos fracos nas pequenas questões também o seremos nas de maior dimensão. Assim, o exemplo das elites é fundamental para que se consiga a tal sustentação cultural, social e política. Infelizmente para o Presidente da AR (e que é o segundo na hierarquia do Estado) a questão só se coloca em termos de ser, ou não, crime, ou seja no plano jurídico.

Num ponto concordo com Ferro Rodrigues: "Porque é que passado um ano há agora esta situação de serem constituídos arguidos. É um mistério da Justiça portuguesa." Não se percebe, de facto, o porquê de tanto tempo para a tomada de decisão do Ministério Publico. A menos que, como refere a revista Sábado, “os secretários de Estado dos Assuntos Fiscais, da Indústria e da Internacionalização terão, activamente, solicitado, à petrolífera, viagens, bilhetes para os encontros e/ou refeições para aqueles que os acompanharam - e os custos para a empresa com cada convidado rondaram os 3.000 euros”. Se os Secretários de Estado meteram “um cunha” para membros do seu staff poderem ir “à bola”, poderão ser acusados de crime? Mais uma vez e antes da questão jurídica o que está em causa é a ética política.

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2 comentários

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De monge silésio a 15.07.2017 às 16:00

A questão é falsa:
1. A justiça não tem tempo para ser reboque da politica;
2. Os desejos dos eleitores avaliam se pelos eleitos;
3. Quando se mistura política com justiça é porque naquela há vazio; 
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De Júlio Andrade a 16.07.2017 às 00:00

Ética? Ferro Rodrigues saberá o que essa palavra significa? Talvez tenha uma Vaga ideia dessa coisa chamada "ética republicana".
Já agora, será que ele disse mesmo "há um mistério nisto que é o fato de haver um empresa que patrocinava"? O fato? Nem o abominável acordo acordou isso. Acrescentem lá um c.

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