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O PSD contribui ontem, com o voto de 24 deputados, para a aprovação, na AR, da legislação que permite a “gestação de substituição”. Entre estes deputados encontram-se o Presidente do Partido e dois Vice-Presidentes (Jorge Moreira da Silva e Teresa Leal Coelho). Assim, Passos Coelho e a Direção do PSD acompanharam esta iniciativa legislativa lançada pelo BE e que contou com o apoio do PS. A “geringonça” funcionou no pleno tendo até sido possível abdicar do voto dos comunistas (que se opuseram). Recordo que esta legislação tinha sido chumbada na especialidade (no grupo de trabalho) e que por insistência do BE subiu a votação no plenário. Bem razão tinham os bloquistas pois assim conseguiram o apoio de onde não se esperava e com o peso político inerente às responsabilidades partidárias dos amigos deputados do PSD. Tão evidente assim foi que a Vice-Presidente do PSD, Teresa Leal Coelho, “no final da votação fez sinal de vitória com o polegar para Catarina Martins. A líder do Bloco cruzou o hemiciclo para lhe dar um beijinho”.

Sou militante do PSD e fiz parte da lista de candidatos a deputados pela coligação que venceu as eleições em Outubro do ano passado. O tema das barrigas de aluguer (tal como já aconteceu com a adopção por pares homossexuais e acontecerá com a eutanásia) não fazia parte do programa da PAF nem de qualquer compromisso de cada um dos partidos que a compunham. Os temas são, sabidamente, fraturantes e por isso deveriam ter sido objeto de debate interno dentro do PSD e, até, de auscultação da posição dos seus militantes. Tal não aconteceu com as barrigas de aluguer (e o mesmo com a adopção gay) e, com toda a liberdade (seguindo uma tradição do grupo parlamentar do PSD) os deputados votaram segundo a sua consciência.. Não ponho em causa nem este direito nem a orientação de voto partidária, mas não apoio tomadas de posição (ainda para mais em assuntos fraturantes) sem qualquer consulta à militância (que os apoiou na sua eleição). Considero que esta legislação, agora aprovada, é porta aberta para a mercantilização do corpo da mulher é, por esta, razão um retrocesso civilizacional que condeno com toda a veemência. A experiência noutros países evidencia as complexas questões de bioética que se colocam e que deveriam ter sido consideradas pelos deputados que agora decidiram sobre esta matéria. A dignidade humana fica assim ferida e, o que é ainda mais grave, com contorno legal. Surpreende-me, também, que o PSD acompanhe quer a parada fraturante do BE que a agenda da “geringonça” da coligação que manda no Governo e no Parlamento, mas as coisas são o que são. Recorrendo ao vocabulário político corrente, esta opção da Direção do PSD pisa, a linha vermelha daquilo que considero ser aceitável nos meus compromissos políticos. Sou militante há mais de 25 anos e sempre participei na vida partidária e, não por acaso, fui candidato a deputado. Respeito a liberdade dos meus companheiros de partido mas há situações em que os valores que defendo se sobrepõem às opções partidárias. É que a minha referência política é Thomas More e não a Catarina Martins do BE. Ser militante não obriga a aceitar tudo e tendo em consideração a gravidade civilizacional desta opção do PSD, resta-me apresentar a minha demissão de militante (o que formalmente farei na próxima semana).

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40 comentários

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De Comunista a 14.05.2016 às 09:49

Mas que pena. Um partido tão neo-liberal e o senhor vai embora?? O partido da mobilidade social, da economia de mercado, do controlo das finanças públicas à bruta, caramba. E o senhor vai sair? O partido que defende os privados e os subsídios do Estado aos mesmos? Que defende as piscinas e a equitação nos colégios sem se ter que pagar nada? E o senhor entrega o cartão? Bolas!!!
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De Anónimo a 15.05.2016 às 00:46

Há valores que ultrapassam os interesses Partidários e as guerrilhas ideológicas. Este comentário de um alegado COMUNISTA é completamente descabido, revela total insensibilidade pelas questões éticas e morais da Sociedade, assim como revela também uma educação carente de Cultura Geral e conceitos básicos de civismo. São cérebros perturbados e incultos como estes que fazem deste País um mau local para se viver, há PORCARIA a mais a flutuar na nossa Lusa Pátria.
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De Comunista a 15.05.2016 às 14:30

Apoiado caro amigo.
Em favor das suas palavras, confirmo que estive ontem na manif pela Vida Humana como Bem Supremo, vim de lá cheio de valores éticos e morais e com uma overdose de Cultura Geral (com maiúsculas) e de civismo para o meu cérebro perturbado e inculto.
Até trouxe uma ficha de inscrição no cds, mas tive que a usar para limpar a areia do gato. 
Se me arranjarem outra agradecia, a ver se me enchia de mais valores éticos e morais.
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De ali kath a 14.05.2016 às 10:03

agora as Senhoras são gajas, gatas, cabras, vacas
'mudam-se os tempos, mudam-se as vontades'
 ou 'people change!'
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De João Ferreira do Amaral a 14.05.2016 às 11:07

Caro Vasco, amigo, irmão na fé e companheiro de partido.
Embora compreenda e subscreva o teu desgosto, permite-me que discorde da tua intenção de desfiliação. Em primeiro lugar, por não ser esta uma situação singular no Partido. O PSD foi sempre assim, desconcertantemente dicotómico, desde o tempo de Sá Carneiro. Talvez seja até essa uma parte da explicação para a sua força. Depois, porque nele fazem muita falta pessoas como tu, que lutam pelas boas causas até ao extremo da exaustão.
Se saíres, o partido fica mais fraco. E a tua causa também.
Um abraço amigo.
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De Luís a 14.05.2016 às 11:44

Compreendo a sua decepção, mas parece-me que a única causa fracturante aqui é o senhor. Para a maior parte dos portugueses este não é um assunto fracturante. É uma avanço civilizacional para integrar aqueles que por diferentes razões se vêm privados do prazer de serem pais e mães.
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De Anónimo a 16.05.2016 às 19:27

Como é que sabe que para a maior parte dos portugueses não é um assunto fracturante? Foi feito algum referendo? 
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De Pedro a 14.05.2016 às 17:05

Ui, Jesus, a Catarina Martins deu um beijinho à Teresa Leal Coelho? É mais um sinal de decadência civilizacional, podridão de costumes, etc. Vasco, eu acho que faz bem em sair desse partido. 
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De Francisco a 14.05.2016 às 19:54

Apoiado. Ser liberal em temas económicos é importante para o País e o PSD tem-no feito, embora muito timidamente. Mas em termos politicos e sociais, o sinal que o PSD deu ontem, inclusive com o voto do seu Presidente, contra a recomendação anunciada, foi, do meu ponto de vista, inaceitável.
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De Voris Gordunoff a 14.05.2016 às 20:48

É inacreditável que assuntos que afectam toda a sociedade não sejam por ela referendados!
Como é possível que 230 pessoas possam decidir por 10 milhões, quando eles nem representam metade do eleitorado (vejam-se os números da abstenção)...
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De Zé a 15.05.2016 às 10:23

Nem mais É uma vergonha! 
A enorme abstenção denota como os cidadãos não conferem à AR e deputados valor algum. E a ataviada coligação para mim cidadão sério, cumpridor e livre vale zero.
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De Ppb a 14.05.2016 às 22:26

O PSD é livre de determinar se da liberdade de voto ou se da orientação de voto em cada matéria. O que eu nunca tinha visto era um partido dar uma orientacao de  voto e o presidente desse partido votar contra a orientação que o partido que preside deu.
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De tric.Lebanon a 14.05.2016 às 23:02

é uma aberração completa!! quando a eutanasia!!!??? só falta formalizar este...afinal este regime está a conduzir Portugal  para o suicidio formalmente assistido pela Europa
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De oscar maximo a 15.05.2016 às 18:53


Não falta só a eutanásia, com a qual até concordo. Falta:
- Passos e Teresa Coelho aprovarem a portaria que regula o destacamento de agentes para a porta do quarto da Barriga, para controlar a entrada de bebidas alcoólicas. Ou em alternativa a actividade de um detective privado contratado pelos verdadeiros pais para os mesmos fins, com respective comparticipação do Estado.
- Regulamentar a venda de filhos, que deixará de ser crime, e respectivo apoio psícológico aos mesmos, também comparticipado pelo Estado.
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De hajapachorra a 14.05.2016 às 23:40

Pois eu demite-me logo que o morcão do passos chegou a presidente do partido. Um neoliberal, como dizem os da geringonça e com razão, e uma asinina figura, sem ofensa para burros, as mulas e os jericos em geral.

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