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A excelência

por henrique pereira dos santos, em 28.07.17

""Tenho confiança neste sistema. Embora não consiga debelar todas as situações em ataque inicial, ou seja, nos primeiros 90 minutos, e sendo verdade que há ocorrências de incêndio que fogem a esse ataque inicial e tomem dimensões muito grandes, como tem sido o caso dos últimos incêndios, apesar de tudo tem-se conseguido debelar estas situações, tentando sempre em primeiro lugar e, tendo como prioridade, a segurança das pessoas", disse a ministra."

Não se pense que esta ideia é muito original e caracteriza a Ministra de turno. Esta ideia tem atravessado todos os governos e caracteriza muitas das declarações dos responsáveis da protecção civil: somos muito bons porque resolvemos mais de 90% das ocorrências (na verdade, acrescentam os mais afoitos, 100% das ocorrências, porque não há memória de algum fogo não se ter apagado).

O problema é que 1% das ocorrências dão origem a 90% dos problemas, é o 1% das ocorrências que dão origem aos grandes fogos, aqueles em que o nosso sistema de protecção civil colapsa.

Quase se poderia dizer o SIRESP é simplesmente uma metáfora do nosso sistema de gestão do fogo: tirando o 1% das situações extremas em que realmente era muito importante que não falhasse, é um sistema excelente.

O problema não é um ministro ou os responsáveis da protecção civil serem estes ou outros (há uns melhores que outros, claro, mas não é a questão essencial), o problema é uma doutrina de gestão do fogo que, quaisquer que sejam os responsáveis, não pode dar outro resultado que não este.

Para os que se convencem melhor com coisas escritas em estrangeiro, o que não faltam são parágrafos como este: "In response to the 2013 forest fires in Slave Lake, Alberta, a report by a review committee submitted to the Alberta Minister of Environment and Sustainable Resource Development warned that there was an increased risk of catastrophic fires in Alberta’s boreal forest, in part because a large proportion of forests are mature and over-mature as a result of fire suppression".

Foi tirado de um pequeno sub-capítulo ("The Legacy of Aggressive Fire Suppression") do documento de política que formaliza o abandono da política de supressão agressiva do fogo no Ontário. Escolhi-o por o ter à mão e por ser relativamente recente, mas há dezenas de documentos a dizer a mesma coisa, em vários países do mundo, quer em documentos de política, quer em documentos científicos, incluindo em Portugal.

E, no entanto, a larga maioria dos decisores portugueses, deputados, ministros, altos quadros da administração, continuam a achar normal as afirmações que transcrevi no primeiro parágrafo, que eles próprios fariam se fossem a Ministra da Administração Interna.

Porque a larga maioria das pessoas pensam assim e por que a larga maioria dos intermediários profissionais de comunicação pensam também assim e não estão preparados para perguntar à senhora Ministra (esta, ou outra): para que serve então um sistema de protecção civil que é muito bom para "viver habitualmente" e colapsa nas situações excepcionais?

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9 comentários

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De José Monteiro a 28.07.2017 às 20:06

«o problema é uma doutrina de gestão do fogo que, quaisquer que sejam os responsáveis, não pode dar outro resultado que não este»-Duvido (logo existo)
Não seria possível, com outros responsáveis*, académicos e técnicos do meio, pensar e delinear uma nova 'doutrina' de gestão do fogo?
*Problema, talvez: a dificuldade dos aparelhos partidário/AR, em ouvir outra gente e tirar dali ilações?
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De henrique pereira dos santos a 29.07.2017 às 09:00

Uma nova doutrina é possível (eu diria que é inevitável e uma questão de tempo), o que o post diz é que esta doutrina que existe não pode dar outro resultado
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De Manuel Alves a 29.07.2017 às 12:20

O importante não é saber se a máquina funciona nesta ou naquela circunstância.
O importante é saber quem ganha com o fogo e quanto.
Por exemplo:


1- Madeireiros
2- Empresas de transporte de madeiras
3- Celuloses
4-  Aviões fretados
5-  Helicópteros fretados
6- Fornecedores de combustíveis consumidos por toda a maquinaria em terra e no ar.
7- Fabricantes/comerciantes de carros de bombeiros.
8- Oficinas de manutenção dos carros de bombeiros
9- Fabricantes/comerciantes de mangueiras/ agulhetas e outros artefactos de bombeiro (fardas, capacetes, máscaras, luvas, botas, alimentação, etc.,etc.) 
10- Luvas para os compradores/assinantes de contratos
11- Cangalheiros (se forem chamados)
12- Viveiristas
13- Donos das eólicas
14- Comerciantes/instaladores dos meios de comunicação usados por todos os intervenientes


São muitos a fazer negócio.
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De henrique pereira dos santos a 29.07.2017 às 18:32

E os Elvis Presley? Esqueceu-se do Elvis, que como toda a gente sabe está vivo, aquilo foi só para fugir aos impostos, mas como estava quase a ser apanhado pelo fisco americano veio para Portugal e ontem estava a vender fotografias dos incêndios à porta do Amoreiras, esqueceu-se do Elvis.
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De monge silésio a 29.07.2017 às 19:11

Deixe lá. ..neste país. ...a solução é :


Mudar o povo.
 ....a sério que venham outros que fogem à guerra ou à ditadura.
O povo é burro basta ver quem o representa;
O Elvis é o grande culpado do fogo; urra ...urra ...Elvis está vivo;
.... (vejo agora na TV Marcelo dos beijos e do Nim......a dizer evidências )
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De monge silésio a 29.07.2017 às 19:15

Esqueci me:


O Hugo da Jota SD ainda não apareceu hoje? É melhor q os beijinhos do Marcelo...
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De Desaparecido em combate a 30.07.2017 às 14:34

Tem 24 horas para aparecer, senão...


Image
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De silva a 30.07.2017 às 10:57

Despedimento coletivo do Casino Estoril de 2010, ainda nos tribunais e que não se investiga se nesta trama existe traficância de influências, com alguma corrupção, porque segundo parece nas providências cautelares alguém da justiça tem casa nova paga por offshores, sindicalista que abandona o caso com indemnização muito alta do Casino e com emprego na câmara de cascais e mais advogado do sindicato que em 2011 abre o maior gabinete de advocacia no montijo, mas que não é capaz de defender os seus associados,por fim sindicato que fecha os olhos a tudo isto prejudicando todos eles a verdade do despedimento coletivo de centenas de pessoas no fundo centenas de famílias .

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De monge silésio a 30.07.2017 às 23:07

...um bes tigue-se.

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