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Valente não vale

por Vasco M. Rosa, em 22.08.17

A uma entrevista de Francisco Vale no DN reagiu Guilherme Valente com um artigo no Público que é uma peça antológica de maldade e acinte, a pretexto — apenas — de que Vale declarou afastamento face aos livros de JRS. Raramente se viu tamanha brutalidade (Gradiva quer ser Salomé?!).

Guilherme tem sido valente em textos sobre educação e língua, demonstrando como ao longo de décadas se foi esmagando os critérios de excelência que haveriam de dominar o ensino, base de qualquer país digno desse nome, mas cada vez que alguém põe em dúvida a compatibilidade de uma obra editorial de valor com a edição de lixo literário, sai baforido e ataca tudo e todos, sem a mínima categoria pessoal e profissional (a de reconhecer valor a outros que não ele). Já uma vez, em tempos que já lá vão, reagiu em menos de uma hora a post meu neste blogue sobre o mesmo assunto, declarando-me in limine ignorante e incapaz. 

O mundo está cheio de patologias, uma das quais é a do narcisismo e outra a da pequena grande  vaidade de quem fez alguma coisa no meio disto tudo, e se quer ver reconhecido pelo facto. E quando esse reconhecimento não sobe aos altos patamares esperados, qualquer beliscadela inofensiva é recebida como faca afiada e traiçoeira num lombo despreocupado e desguarnecido. Vale não condiz com Valente, e so what?! 

Entretanto, para quem segue este pequeno imbróglio sujo (Vale ainda não respondeu, creio) recomendo a leitura da entrevista de Zeferino Coelho à revista Bica, pois ajuda a conhecer o meio editorial predominante, a proveniência política dos seus mais influentes protagonistas, e o enorme impasse que vão deixar a quem fique depois de fecharem a porta. 

Quem cá estiver que apague a luz — e mande a conta para o plano nacional de leitura!!

 

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1) 80% das ignições ocorrem num raio de 2 kms das aldeias;
2) A variação do número de fogos nocturnos (e convém perceber que nocturno quer dizer entre as oito da noite e as oito da manhã, o que inclui muito dia e muita hora em que há actividade humana) é explicada pela meteorologia e corresponde a um número em torno dos 40% de fogos diários;
3) O fogo é registado quando se torna suficientemente grande para ser visto (o que de noite é dificultado pelo facto da coluna de fumo ser menos visível), não quando se dá a ignição original, que pode ter ocorrido horas antes;
4) A investigação sistemática dos fogos postos, pela polícia judiciária, permite ter uma ideia clara quer do perfil do incendiário, quer das suas motivações, e nada do que até hoje se verificou permite sequer pôr uma vaga hipótese de qualquer organização;
5) A variação regional das ignições (e da área ardida) é explicada pela meteorologia (e, em parte, pelo número de anos ocorridos desde o último fogo);
6) Acima de tudo, 1% das ignições são responsáveis por 90% da área ardida.
Se quiserem continuar a discutir soluções para o problema a partir das ignições, o máximo que posso fazer é desejar-lhe boa sorte para encontrar boas soluções a partir de premissas erradas.

Adenda:

Via Paulo Fernandes, chega-me este mapa com a densidade de ignições em Julho e Agosto deste ano. Reparem bem onde está a maior densidade de ignições e depois lembrem-se de por onde andaram os grandes fogos.

Só alguém com muita imaginação poderá pensar que diminuindo as ignições no Porto passa a arder menos em Mação ou no Fundão.

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A desventura do Ventura

por João Távora, em 21.08.17

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Lançar umas quantas imbecilidades para a comunicação social rendeu a André Ventura um protagonismo inusitado nesta campanha para as eleições autárquicas de Outubro próximo, de que o candidato do PSD à Câmara Municipal de Loures é sem dúvida nenhuma a grande revelação. Confesso que não sigo os debates de futebol e talvez por isso este candidato, de quem se fala ter outras ambições dentro do PSD, tem-se revelado para mim uma má surpresa. Certo é que o personagem, com o seu discurso securitário e racista, granjeou enorme atenção por parte dos média, e de caminho cativou muita gente do meu círculo de quem eu imaginava mais algum critério de avaliação. As pessoas andam zangadas…
Mas no meu entender mais grave que o juízo proferido sobre todos os ciganos, foi a defesa da “prisão perpétua para os delinquentes”, algo que me parece inadmissível para um democrata-cristão, que defende a dignidade do recluso porque “todo o Homem é maior que o seu erro”. Que estas patacoadas, à maneira dum taxista com o grão na asa satisfaçam a exigência do eleitor e substituam um programa politico e uma estratégia de gestão de um concelho como o de Loures é que ainda tenho dúvidas. Mas o certo é que o comentador benfiquista já ganhou o primeiro desafio: está nas bocas do mundo e quando abre a boca tem logo uns quantos microfones à frente. Tiro-lhe o meu chapéu!

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Um comentário num jornal

por henrique pereira dos santos, em 21.08.17

Fiz hoje, no Observador, um comentário a um texto que reflecte muito do que está na base da mitologia sobre os bombeiros voluntários que temos.

E resolvi fazer desse comentário um post:

"Eu compreendo o texto e as emoções que lhe estão na base.
Mas há uma questão central em que o texto, e é natural que assim seja, é omisso: "Os bombeiros foram seguindo o incêndio que estava já a queimar em direção ao Tejo.".
Do ponto de vista do combate esta é a demonstração de que, estrategicamente, há um problema sério de doutrina: os grandes fogos florestais não se seguem nem se combatem directamente (o que é diferente da situação de defesa de situações específicas, como a descrita, que não é uma operação de gestão de um grande fogo florestal, é uma operação de protecção civil), os grandes fogos florestais preveêm-se e levam-se à extinção retirando-se-lhes o combustível da frente que se pode prever.
Por mais heróis que sejam, e muitos são, o facto é que precisamos de bons profissionais e não de heróis, tal como nos hospitais, há cem anos, se percebeu que não eram as enfermeiras, heroínas e voluntárias, que nos permitiam salvar mais vidas mas sim enfermeiras preparadas e profissionalizadas.
Não precisamos de bombeiros florestais que seguem incêndios, correndo atrás deles, precisamos de bombeiros que saibam como vai evoluir o fogo e escolham a posição certa para esperar por ele nas melhores condições para o obrigar a extinguir-se.
Estes que temos agora são muito bem vindos para operações de protecção civil como a descrita, mas não são os bombeiros florestais de que precisamos, mesmo sendo, como muitos são, heróis."

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Tudo certo, como 2 e 2 são cinco

por henrique pereira dos santos, em 20.08.17

Em Outubro do ano passado uma petição promovida pela QUERCUS (mas que reflecte o que muitos conservacionistas pensam sobre o assunto), terminava assim:

"A Quercus apela a toda a comunidade para abraçar a causa da proteção dos Carvalhos e dos Carvalhais em Portugal para que se possa criar legislação que conduza à sua proteção efetiva e, que inclua a proibição do corte destas árvores sem licença expressa das autoridades competentes para o efeito, à semelhança do que já acontece para o sobreiro e para a azinheira."

A QUERCUS é a mesma organização que, em sede de audição parlamentar, defendeu explicitamente o investimento dos proprietários na florestação com espécies autóctones. De resto, essa é uma defesa que é comum a mais ou menos toda a gente do mundo conservacionista.

Agora só falta explicar aos proprietários por que razão devem investir em espécies que se pretende que venham a ser protegidas e cujo corte não dependerá das opções de gestão do proprietário mas do que entender o Estado.

Boa sorte para as campanhas de sensibilização.

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Domingo

por João Távora, em 20.08.17

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus 


Naquele tempo, Jesus retirou-Se para os lados de Tiro e Sidónia. Então, uma mulher cananeia, vinda daqueles arredores, começou a gritar: «Senhor, Filho de David, tem compaixão de mim. Minha filha está cruelmente atormentada por um demónio». Mas Jesus não lhe respondeu uma palavra. Os discípulos aproximaram-se e pediram-Lhe: «Atende-a, porque ela vem a gritar atrás de nós». Jesus respondeu: «Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel». Mas a mulher veio prostrar-se diante d’Ele, dizendo: «Socorre-me, Senhor». Ele respondeu: «Não é justo que se tome o pão dos filhos para o lançar aos cachorrinhos». Mas ela insistiu: «É verdade, Senhor; mas também os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa de seus donos». Então Jesus respondeu-lhe: «Mulher, é grande a tua fé. Faça-se como desejas». E, a partir daquele momento, a sua filha ficou curada. 


Palavra da salvação. 

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O tempo dará razão a Pedro Passos Coelho

por Maria Teixeira Alves, em 19.08.17

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A promessa de um contrato de trabalho passou a ser suficiente para os imigrantes se legalizarem em Portugal. Esta nova realidade legal criada pela esquerda foi criticada por Pedro Passos Coelho num comício do PSD. Mais uma vez a cegueira ideológica travou a razão o que levou muitos a chamarem racista e xenófobo ao líder do PSD (bastava olhar um bocadinho para a sua vida para ver que Pedro Passos Coelho de racista tem zero). 

Ora eu acho que Pedro Passos Coelho tem razão e o tempo dar-lhe-á razão (chamem-me o que quiserem como diria o Henrique Monteiro). A nova lei é absurda e kamikaze. Reparem: um estrangeiro só precisa de apresentar a “promessa de um contrato de trabalho” para garantir autorização de residência em Portugal, não precisando sequer de visto de entrada no país. Esta nova medida faz parte da alteração à lei de estrangeiros publicada em Diário da República, seguindo propostas do PCP e do BE, e aprovada pela esquerda contra o parecer do próprio Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF). 

Estas medidas vão em sentido contrário ao que está a ser seguido no resto da Europa, e pretendem simplificar o processo de legalização de imigrantes, mas terão apanhado desprevenidos os próprios responsáveis do SEF. Nem eles concordam.

É preciso não esquecer que a nova legislação revoga assim a exigência de entrada legal em Portugal ou no espaço Schengen de imigrantes já com contratos de trabalho, previsto no anterior regime para os casos de legalização, a título excecional. Além disso, impede que imigrantes que tenham cometido crimes como homicídios, roubos violentos ou tráfico de droga sejam expulsos do país.

Parece evidente que esta medida de abertura à imigração aumenta o perigo da criminalidade, cria problemas de emprego, aumenta a precaridade e aumenta o risco de pobreza extrema. 

Não se pode aprovar medidas destas sem que o país tenha uma estrutura que permita integrar esses imigrantes no mercado de trabalho (e não só).

Lembro o discurso inteligente do presidente do Llodys Bank, António Horta Osório, nos 180 anos da Câmara do Comércio, em que apelou a que o Governo adoptasse políticas de imigração inteligentes, ou seja, captar pessoas com os “skills” que Portugal precisa.

Citou os casos de Singapura, Canadá e Austrália, que promoveram a recepção de imigrantes nas áreas em que mais precisavam. Assim a população dobrou em 20 anos e a economia cresceu.

“Se não fizermos isso estaremos dependentes do rácio reformados versus pessoas ativas”, disse referindo-se à relação entre população ativa e o crescimento da população.

António Horta Osório lembrou que apesar da população mundial continuar a crescer, a portuguesa continua queda. E isso é “dramático, pois daqui a 15 anos, apenas teremos 89% das pessoas que trabalham hoje e em pouco mais de 30 anos teremos apenas 73%. Vamos ter dois reformados por três trabalhadores ativos. Portugal está a perder população e isso não é sustentável em termos de estrutura de custos fixos do país, de rácio de dependentes por trabalhador. Temos atraído estrangeiros com os vistos gold e impostos favoráveis mas o Governo devia pensar numa política de imigração inteligente, tal como já acontece em Singapura, no Canadá, e na Austrália", disse o banqueiro e são palavras sábias.

O envelhecimento da população afecta Portugal e daqui a 15 anos será critico. Este é que é o problema que deve orientar as políticas de imigração. Os sentimentalismos superficiais, longe de ajudarem, criam problemas que não vamos ser capazes de resolver.

O atentado terrorista em Barcelona não pode ser ignorado pelo nosso país, e não pode ser afastado desta discussão. Como é que esta lei garante que não aumenta o risco de atentados de terrorismo?

Portugal tem vindo a crescer economicamente essencialmente devido ao boom do turismo. Um atentado em Lisboa acabaria com esse el dorado. Não se esqueçam disso.

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Algumas notas sobre a espuma destes dias de brasa

por João Távora, em 19.08.17

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A soberania...

…não deveria ser apenas uma arma de arremesso para quando o País é financeiramente intervencionado por incúria da governança. A notícia hoje destacada no Expresso de que um contingente militar espanhol atravessou a fronteira em apoio aos bombeiros que acorriam ao grande incêndio de Pedrógão Grande à revelia do Estado português deve-nos deixar apreensivos. A entrada de forças armadas estrangeiras num estado soberano, por uma questão de principio deve obedecer a rígidos protocolos.  Instado pelo mesmo semanário o ministério da defesa não esclareceu a situação. Dá ideia de que estamos entregues aos bichos, é o que é.

Menos mal

No contexto da tragédia do ataque terrorista em Barcelona, parece um sinal de bom decoro a presença sem polémicas separatistas do Rei Filipe VI e do primeiro-ministro Rajoy na manifestação de repúdio e pesar ocorrida na Praça da Catalunha. Já os movimentos anti-turismo não se fizeram notar, ultrapassados que foram na proporção da força aplicada pelos radicais islâmicos com quem comungam alguns dos intuitos.

A piada da semana

Finalmente uma nota sobre a entrevista de António Costa à revista do Expresso, uma bela borla para um toque de charme no tiro de partida para a rentrée política. Nela o primeiro-ministro afirma que não disputa popularidade com Marcelo, dizendo sem se rir que “quem toma medidas difíceis são os governos”. Não estaria certamente a referir-se às suas “reversões”, mas sim ao governo de Passos Coelho que teve de assumir o resgate de um país em bancarrota, a cumprir um pesado programa austeridade e de duras reformas para recuperar o crédito internacional.

 

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Elvis está vivo, versão José Gomes Ferreira, na SIC

por henrique pereira dos santos, em 18.08.17

Não vi o programa todo, há limites para a insanidade envolvente e de vez em quando tenho de me impôr alguma reclusão em matérias de fogos, para poder manter um mínimo de racionalidade.

Uma coisa é dizer asneiras, certamente digo muitas nesta matéria (até porque o fogo não é o objecto do meu trabalho, é apenas um factor que interage com outros no objecto do meu trabalho, a paisagem), outra coisa completamente diferente é fazer um programa de televisão, em horário quase nobre, a defender que Elviz Presley está vivo.

Um jornalista encartado, considerado da elite do jornalismo, começa um programa a estranhar que o governo desvalorize o facto de Elvis estar vivo, passa depois uma peça de um motorista de taxi que garante que o transportou numa corrida desde o aeroporto ao Chiado, convida para o estúdio um indivíduo que vive de vender fotografias desfocadas de Elvis Presley na actualidade, um empresário respeitado que não faz ideia de quem seja Elvis, um académico que nunca ouviu falar de Elvis Presley e um jornalista que fez a cobertura de todas as convenções que juntam os que acreditam que Elvis está vivo e faz um debate sobre o assunto.

Factos concretos? Nenhum. Razões que expliquem por que razão Elvis estaria vivo mas isso se manteria em segredo? Nenhumas. Uma discussão de opiniões extraterrestres guiadas pelo jornalista encartado que, não se sabe porquê, está mesmo convencido de que Elvis está vivo e não precisa de respeitar qualquer regra básica da profissão para o dizer em antena, em horário quase nobre, simplesmente porque essa é a sua fé.

Foi, no essencial, o que vi na quarta feira à noite, num programa em que José Gomes Ferreira, com a maior das latas, inversamente proporcional à racionalidade da tese, resolve desenvolver em directo uma teoria de conspiração, ao nível dos chem trails, sobre a existência de criminalidade organizada que gera os fogos que têm acontecido em Portugal.

Indícios da existência de criminalidade organizada?

Parece que sim, que existem: alguns fogos são registados pelo sistema de vigilância de fogos a horas que se consideram impróprias, onde há um fogo pode haver outros e coisas que tal.

E sobretudo um argumento muito forte: eu sei muito bem que o primo da mulher do vizinho do terceiro andar, que está metido nisto até às orelhas, comprou três dúzias de caixas de fósforos na drogaria da esquina porque a minha mulher dá-se muito bem com a cabeleireira que é a amante do dono da drogaria.

De resto, explicar a racionalidade económica do negócio, identificar sinais dessa organização terrorista nas investigações judiciais, encontrar as ligações entre os seus membros, etc., isso é coisa para meninos, a José Gomes Ferreira isso não interessa nada, basta-lhe a sua convicção para, em antena, montar um programa que pretende demonstrar a sua tese: na base dos fogos actuais está a criminalidade organizada.

Admito que nos intervalos deste esforçado trabalho, José Gomes Ferreira se queixe da crise do jornalismo e de como é difícil fazer bom trabalho jornalístico para públicos tão pouco exigentes, cultos e sabedores.

Enfim, pérolas a porcos, mas como poderia ser diferente para quem só sabe produzir pérolas, qualquer que seja o público.

É pena tanta grandeza ficar confinada na fatalidade de se ter nascido num país pequeno e pobre, incapaz de reconhecer globalmente o brilho intenso de tanta genialidade jornalística.

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Os mitos não são inofensivos

por henrique pereira dos santos, em 16.08.17

Este ano tem estado na moda partilhar fotografias de ilhas no meio de áreas ardidas, com interpretações mitológicas sobre o efeito de umas e outras espécies na gestão do fogo.

Em si mesmo é um exercício relativamente inocente: se alguém se sente confortado com a ideia de que há umas espécies que têm um efeito mágico sobre o fogo, o que espero que é que essa pessoa seja feliz nesse mundo mágico.

O problema só começa a existir quando se repetem acriticamente este tipo de argumentos, começam a ganhar dimensão social e depois se adoptam políticas erradas, frequentemente contraproducentes, lançando os cavalos contra moinhos de vento.

Uma canseira, um desperdício e, sobretudo, tomar o caminho do Sul para ir para Norte.

Resolvi por isso trazer aqui três fotografias tiradas por estes dias (não por mim).

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O que aqui se vê é uma mata mista de Sobreiro e Carvalho Negral, ardida como qualquer outra mata.

A fotografia não demonstra nada de especial, a não ser que existem exemplos de matas de folhosas autóctones que ardem com um fogo tão intenso como parece ter sido este. O exemplo não é nenhuma aberração, é o normal nas condições de acumulação de combustível existente, sendo inclusivamente muito mais difícil fazer um bom rescaldo, por causa da acumulação de folhada, do que seria num eucaliptal.

Por outro lado um eucaliptal, em condições de grande intensidade do fogo, cria projecções que vão mais longe que as criadas nestas matas, o que torna o combate mais complicado, sobretudo com um dispositivo de combate que não leu  Sun Tzu e por isso não sabe da vantagem em escolher a posição mais favorável e esperar pelo inimigo nas melhores condições, em vez de o perseguir incessantemente, à mercê das condições criadas pelo inimigo.

No primeiro plano desta nova fotografia pode ver-se a acumulação de combustível, com a área ardida em fundo.

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 É por estas razões que escolher fotografias a gosto não serve para dar racionalidade a uma discussão de fenómenos complexos, não são situações pontuais que nos permitem ter uma ideia generalizada do problema.

A única coisa que uma fotografia pode fazer é negar uma teoria geral, se a fotografia a negar, mas não se pode fazer teorias gerais a partir de fotografias pontuais, escolhidas para demonstrar uma tese preconcebida.

Isto também acontece em matas de autóctones.

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É uma grande perda, do ponto de vista natural? Não, nem por isso: na próxima Primavera a esmagadora maioria destes sobreiros e carvalhos estarão a rebentar de novo, com maior ou menor afectação de alguns.

Há muitas razões para se gostar de ter matas de folhosas autóctones, desde a qualidade paisagística, à amenidade, à produção de biodiversidade, etc.. Mas entre essas razões o fogo é uma razão muito tardia: só muito anos depois, e muitos fogos pelo meio, permitem um ensombramento que traga algum controlo dos matos, à custa de uma acumulação de combustíveis na folhada.

Um fogo controlado neste carvalhal há menos de quatro ou cinco anos teria permitido uma menor afectação das árvores e do povoamento, mas quantas pessoas estariam disponíveis para assinar a autorização para o fogo controlado no carvalhal?

Muito poucas, porque quase todas estariam a pensar que a alternativa não é entre arder ou não arder, mas entre arder onde queremos, quando queremos e como queremos ou arder assim como ardeu: nas piores condições.

E, provavelmente, estariam convencidos de que os carvalhais não ardem, por isso não é preciso prepará-los para o fogo que forçosamente virá um dia.

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“Ditosa Pátria que tal filho teve!”

por henrique pereira dos santos, em 16.08.17

A comparação é injusta.
D. Dinis não fez reforma florestal nenhuma, até porque herdou de seu pai um país quase sem árvores.
Limitou-se, isso sim, a mandar pôr árvores nuns milhares de hectares de areias que se tinham acumulado na costa de Portugal, desde que as arroteias da Alta Idade Média peninsular empurraram milhões de metros cúbicos de sedimentos pelos rios abaixo.
Não prometeu um cadastro de jeito, não alterou pela sexta vez em pouco mais de dez anos um sistema de defesa de floresta contra incêndios, não proibiu a expansão de nenhuma espécie de árvore, não inventou um sistema kafkiano para garantir uma área de fogo controlado acima de qualquer objectivo realista, etc..
D. Dinis limitou-se a florestar, com o seu dinheiro, uns terrenos maninhos, uma coisa que nem de perto nem de longe se aproxima da grandeza do que agora se propõe: obrigar terceiros a gerir terrenos de outros terceiros com o dinheiro de terceiros terceiros.
Quem assume galhardamente os louros de Alqueva, sem medo de chamar a si decisões que foram essencialmente de outros, decretando uma unanimidade nacional sobre o assunto – confesso o meu anti-patriotismo que quebra a unanimidade, ainda hoje acho Alqueva um erro, mesmo sabendo dos seus efeitos positivos, que também os tem – não tem medo de críticas, leva reformas até ao fim, contra tudo, contra todos.
É um orgulho ter governantes que se orgulham de fazer reformas que têm o grande mérito de serem explicitamente contra o que dizem os cientistas, essa corja de inúteis que desconhece as virtudes da ignorância aplicadas à política e que se recusa a aceitar as sábias palavras de Mário Centeno: “Não tente transpor conclusões de artigos científicos para a legislação nacional, porque se tentar fazer isso é um passo para o desastre”.
Claro que quem assim assume responsabilidades em Alqueva, sabe bem que pôr em paralelo Alqueva e a actual Reforma Florestal faz todo o sentido.
Alqueva é um projecto concreto de investimento no território, que captou 11% de todo o dinheiro disponível para o mundo rural, para o aplicar em pouco mais de cem mil hectares, numa evidente recriação do paraíso capitalista: socializar os custos e privatizar os benefícios.
A Reforma da Floresta não tem orçamento definido, muito menos 11% do disponível para o mundo rural por cada 100 mil hectares – compreende-se, para aplicar a mesma lógica de Alqueva aos 6 milhões de hectares de espaços florestais seria necessário investir mais de 500% do disponível – e na verdade pretende fazer o inverso de Alqueva: privatizar os prejuízos e socializar os benefícios, embora haja alguma indefinição sobre que benefícios resultarão da Reforma Florestal.
Não saber que benefícios se vão alcançar com a Reforma Florestal não passa de um pormenor, os benefícios, mesmo que não estejam explícitos, são óbvios e só não os vê quem não quer.
E os que não os querem ver são os mesmos que produziram mais de seiscentas participações na discussão pública da Reforma da Floresta. Agora queixam-se de não verem nenhuma alteração resultante dessa discussão nos documentos posteriores à discussão pública e são incapazes de ver os benefícios que se abaterão sobre o país a partir da Reforma Florestal.
Já para não falar dos que, como eu, não se deram ao trabalho de fazer qualquer contributo formal para a discussão dos diplomas da Reforma da Floresta, apenas escrevendo aqui ou ali sobre o assunto, porque já sabem do que a casa gasta, sabem bem o que o actual ministro fez às agro-ambientais (e à generalidade dos dinheiros para o mundo rural), ou na discussão do financiamento da Rede Natura 2000, para evitar que o dinheiro fugisse das suas clientelas (o leite, o porco, os cereais, enfim, gente que vale votos) para as necessidades reais de gestão do território que produz bens difusos, mas não dá retorno em votos.
Tudo gente sem qualidades, tudo gente que não sabe reconhecer o valor dos outros, tudo gente incapaz de ver a gigantesca Reforma da Floresta que está em curso.
Tudo gente que apenas insinua que foi exactamente a opção de concentrar recursos em Alqueva e outros projectos afins, no apoio à produção, no apoio aos rendimentos históricos dos produtores de cereais, no estabelecimento de um preço político para a água do regadio de Alqueva, em detrimento de um preço real que reflicta todos os custos, foi essa opção de concentrar todos os recursos na produção agrícola que implicou o abandono dos espaços rurais produtores de serviços de ecossistema, mas com problemas sérios de competitividade.
Não têm razão, agora, graças a umas leis, tudo vai mudar, o abandono vai desaparecer e a gestão florestal vai florescer como floresce o olival intensivo no perímetro de rega de Alqueva.
Os proprietários, as indústrias do sector, os investigadores do sector, toda essa gente não sabe o que diz quando diz que a Reforma Florestal “é sempre um esforço inútil, um voo cego a nada”, como diria o Reinaldo Ferreira.
Falando nisso, se fosse vivo, Reinaldo Ferreira provavelmente seria uma boa opção para gerir a Reforma Florestal porque pelo menos reunia a principal qualidade que parece ser necessária para a apoiar: não fazer a mínima ideia do que é gestão florestal.

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Quinze de Agosto

por João Távora, em 15.08.17

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 Rubens

(1577-1640)


Magnificat

 

A minh'alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador
Porque pôs os olhos na humildade da sua Serva:
De hoje em diante me chamarão bem aventurada todas as gerações.
O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas:
Santo é o seu nome.

A sua misericórdia se estende de geração em geração 
Sobre aqueles que o temem.
Manifestou o poder do seu braço
E dispersou os soberbos.

Derrubou os poderosos de seus tronos
E exaltou os humildes.
Aos famintos encheu de bens
E aos ricos despediu de mãos vazias.

Acolheu a Israel, seu servo,
Lembrado da sua misericórdia,
Como tinha prometido a nossos pais,
A Abraão e à sua descendência para sempre

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo,
Como era no princípio, agora e sempre.

Amém.

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A onda terrorista

por João Távora, em 13.08.17

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Com meio país em chamas descontroladas não é com espanto que vejo na televisão Patrícia Gaspar a porta-voz da desgraça oficial que nos coube em fado, no velho choradinho da culpa dos pirómanos. Afinal a culpa é dos pirómanos responsáveis pela ignição de 90% dos incêndios, não é do clima, do ordenamento da floresta ou das políticas de prevenção. Trata-se de uma onda terrorista, segundo Marta Soares. Um discurso irracional que convida o pessoal escolher a sua teoria da conspiração e montar umas milícias populares, contra os empresários da madeira queimada ou do aluguer dos helicópteros que pagam os incendiários, contratados a troco de um maço de tabaco e uma garrafa de vinho num recanto da tasca da aldeia. É a fuga para a frente do poder impotente confrontado com a sua proverbial incompetência. Já todos sabíamos que a culpa do nosso triste destino sempre foi dos privados, das bruxas e dos maluquinhos. Contra esta insanidade não há nada a fazer, o que é muito conveniente.

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Insólitos de um país com muitos desmiolados

por Corta-fitas, em 13.08.17

 

Por um mecanismo que me ultrapassa em Portugal parece ser possível que um conjunto minoritário de desmiolados tenha poder de decisão sobre matérias cruciais com impacto negativo para décadas. As nacionalizações deram o pontapé de saída. À subsequente falta de capital substituiu-se o mesmo por dívida com as consequências que se conhecem. Tivemos também as ocupações de terras, outro belo exemplo de estroinice. Duas intervenções do FMI no último quartel do século passado, o que também é interessante. Já neste século tratámos de arranjar mais uma. Esta mais séria e profunda, não fosse a rapaziada desabituar-se de andar a bater com a cabeça na parede. E por estes dias andam por aí umas luminárias para quem as coisas por si só podem correr bem e que para cúmulo resolveram andar de mão dada com os dos amanhãs que cantam. Pergunto: tem de ser assim? Será que não dá para ser ajuizado?

Há por aí agora um novo insólito. Bem fresquinho. Como é sabido os desmiolados nunca se entenderam muito bem com o mercado e com a balança de pagamentos. A aberração da falta de um verdadeiro mercado de arrendamento levou ao apodrecimento das cidades. E a psique de nos acharmos mais do que somos tratou de preterir a produção pelo consumo e o dever pelo direito, pelo que maltratámos muito e por demasiado tempo a balança corrente. No processo os desmiolados lá estavam sempre a berrar e a inviabilizar qualquer solução. Até que finalmente, e como que por uma luz divina (ou quiçá necessidade extrema), todos se convenceram que afinal servir turistas é que era. Mas quando um conjunto celeste de circunstâncias se uniu e desatou a despejar turistas em Portugal com o consequente efeito positivo na balança de pagamentos e no melhoramento das cidades, os estridentes do costume e que nunca dão soluções começaram a berrar. Não nego a existência de problemas, mas será que a situação actual é obra do ocaso ou é antes o resultado da nossa incapacidade de lidar em tempo útil com a balança corrente e com o mercado de arrendamento?

Mas o maior insólito anda a decorrer desde há uns anos. Com uma taxa de natalidade absurdamente baixa e com uma alta drenagem de jovens para o exterior, o país em vez de gastar tempo com a natalidade e de como fixar as pessoas em Portugal entretém-se antes a gastar tempo em temas que desembocam em opções meio bizarras (conhecidas por aí como fracturantes).

 

Pedro Bazaliza
Convidado Especial

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Domingo

por João Távora, em 13.08.17

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo S. Mateus 


Depois de ter saciado a fome à multidão, Jesus obrigou os discípulos a subir para o barco e a esperá-l’O na outra margem, enquanto Ele despedia a multidão. Logo que a despediu, subiu a um monte, para orar a sós. Ao cair da tarde, estava ali sozinho. O barco ia já no meio do mar, açoitado pelas ondas, pois o vento era contrário. Na quarta vigília da noite, Jesus foi ter com eles, caminhando sobre o mar. Os discípulos, vendo-O a caminhar sobre o mar, assustaram-se, pensando que fosse um fantasma. E gritaram cheios de medo. Mas logo Jesus lhes dirigiu a palavra, dizendo: «Tende confiança. Sou Eu. Não temais». Respondeu-Lhe Pedro: «Se és Tu, Senhor, manda-me ir ter contigo sobre as águas». «Vem!» – disse Jesus. Então, Pedro desceu do barco e caminhou sobre as águas, para ir ter com Jesus. Mas, sentindo a violência do vento e começando a afundar-se, gritou: «Salva-me, Senhor!». Jesus estendeu-lhe logo a mão e segurou-o. Depois disse-lhe: «Homem de pouca fé, porque duvidaste?». Logo que subiram para o barco, o vento amainou. Então, os que estavam no barco prostraram-se diante de Jesus, e disseram-Lhe: «Tu és verdadeiramente o Filho de Deus». 


Palavra da salvação. 

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A anomalia

por João Távora, em 10.08.17

Cintos.jpg

Quaquer criança ao ver estas três variantes, vai dizer que há duas que não encaixam. Há dois cintos que não vão cumprir na plenitude as suas funções. 

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Má Consciência?

por João Távora, em 10.08.17

O Filipe Nunes Vicente, velho amigo desta casa, está de volta com um novo blogue, o Má Consciência. Perdido ou encontrado durante meses na modalidade de trincadelas sonoras com140 carateres o Filipe concede de novo à velha fórmula da conversa de sala. Eu já reservei o meu lugar. 

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A Política, a Ética e a Justiça

por Vasco Mina, em 09.08.17

As últimas semanas têm sido fecundas em casos com a política como pano de fundo mas que envolvem a Justiça e colocam questões de ética: os Secretários de Estado que aceitaram a oferta da Galp para uma  viagem a Paris para assistir a um jogo de futebol, dirigentes partidários (e autárquicos) que viajaram até à China com o apoio da Huawei e, hoje, um Juíz que terá tomado uma decisão relativa a uma candidatura autárquica quando tem relações de amizade com outro dos candidatos. Não vou, neste post, discutir os fundamentos jurídicos sobre a aceitação de ofertas de empresas fornecedoras (ou tuteladas) nem sobre processos administrativos de candidaturas eleitorais. Muito menos vou fazer qualquer comentário político a cada um dos casos pois entendo que o que está em causa, em cada um estes casos, é um problema ético. Ou seja, é eticamente aceitável que um membro do governo aceite uma oferta de uma viagem de uma empresa privada (quando ainda para mais numa das situações existe um contencioso judicial)? É eticamente aceitável que responsáveis autárquicos aceitem ofertas de viagens de fornecedores de equipamentos (ou soluções tecnológicas) que podem ser adquiridas pelas autarquias nas quais têm responsabilidades de decisão? É eticamente aceitável que um Juíz tome uma decisão sobre um processo quando tem uma relação de proximidade (de amizade mesmo) com uma das partes (seja  direta, ou indiretamente, relacionada com o processo)? Não vale a pena, politicamente, apelar à intervenção da justiça quando, na base, o problema é de natureza ética. É esta que tem de ser questionada!

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Nos primeiros sete meses do ano, o investimento angariado atingiu os 656.226.116,72 euros, mais 14,8% do que os 571.511.345,63 euros registados em igual período de 2016.

Em 2014 o BE apresentou, na AR, uma proposta para eliminação dos vistos gold. Eram então Pedro Passos Coelho e Paulo Portas ,respectivamente, PM e Vice-PM. "Achamos necessário cortar o mal pela raiz e por isso eliminar da legislação a possibilidade de criação de vistos gold”, declarava então Pedro Filipe Soares.

Será que, para o Orçamento de 2018, ainda vão querer manter a posição de cortar o mal pela raíz? Ou já foram definitivamente geringonçados pelo atual PM António Costa? Ou os vistos gold serão um mal quando geridos pela direita e um benefício quando geridos pela esquerda? Definitivamente, o PS “meteu no bolso” o BE

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Gambozinos – Vidas que se cruzam

por Vasco Mina, em 07.08.17

Gambozinos.JPG

 

Estamos no tempo dos campos de férias de jovens. São imensos os que se realizam por todo o país e de várias naturezas. Uns são de inspiração desportiva, outros universitários, outros ainda de inspiração religiosa. O DN na sua edição de sexta-feira última piblica uma reportagem com um desses campos – Os Gambozinos. São de inspiração católica e com o apoio dos Jesuítas. Realizam-se há cerca de 20 anos e juntam jovens. Como refere a notícia os participantes são oriundos de “mundos distintos: os que vêm dos bairros sociais do Pragal e Peniche, os que frequentam os melhores colégios de Lisboa e de Braga. Todos ficam privados de eletricidade e o banho será no rio com sabão azul”. Durante 10 dias todos convivem num espaço ao ar livre e participando em várias atividades. A logística tem a sua importância pois é necessário escolher (muito antecipadamente) um local, prepararas tendas, comprar os alimentos, assegurar a confeção das refeições, transportar os jovens… Não esquecendo o apoio espiritual que é sempre assegurado por um padre jesuíta que está em permanência no campo. Como salienta o Padre Francisco Mota “o tipo de relação e respeito que se cria aqui entre animadores e estes miúdos é impressionante. Somos mais do que um amigo mas menos do que um pai ou uma mãe. Temos aqui a oportunidade de contribuir para a educação deles com uma força enorme. Começamos a ver agora os primeiros filhos de alguns que já foram gambozinos e o impacto é enorme".

O jogo da lama, como mostra a foto, é uma das atividades incontornáveis e nem os monitores e o próprio padre se escapam. Mas também é celebrada missa e a “capela é imaginária, há apenas um tronco que serve de altar”. Mas os Gambozinos não terminam com os campos de férias pois, segundo um dos organizadores (que é um dos meus filhos) "temos uma presença constante e regular no dia-a-dia destes miúdos." Ser Igreja é estar ao serviço e os Gambozinos são um bom exemplo!

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