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A comunicação social que temos:

por Vasco Lobo Xavier, em 13.07.17

O texto sobre o qual escrevo é uma notícia do Observador. Foram retirados os negritos da notícia e a negrito vão só as minhas observações. Foram também corrigidas gralhas da notícia (pode ter-me escapado alguma e não mexi nas vírgulas erradas nem no “passo a expressão”).

 

Costa. Armas roubadas não representam perigo para a Segurança Interna – Título muito bonito, muito querido e sugestivo.

 

António Costa disse hoje que foi informado logo a seguir ao roubo do material militar em Tancos que este não aumentava o perigo para segurança interna, nem havia associação a grupos terroristas.

O primeiro-ministro afirmou esta terça-feira que foi informado ainda antes de ir de férias que o material militar roubado em Tancos, “com grande probabilidade”, não aumentava os riscos para a segurança do país ou para qualquer atividade terrorista, em Portugal ou no estrangeiro. Lança-granadas anti-carro roubados estavam marcados para abate.

 

Vamos lá ver. O PM foi informado disto antes de ir de férias?!? E o CEME esteve para mais de uma semana a falar de tudo e sem referir tal coisa? E o que quer dizer “com grande probabilidade”? Baseia-se em quê? Convicções religiosas? E só agora é que descobriram que o material estava marcado para abate? Naqueles paióis não estava, antes de Costa regressar de férias, o material mais sensível? E como sabem que aquilo não é para actividade terrorista ou que não há associação a grupos terroristas? E cá dentro ou fora do país? E, se não for, será para quê? Para as festas de S. Miguel, nos finais de Setembro? Não aumentava os riscos? Então iria baixá-los? Porquê? E quantos eram? Ninguém vê a imbecilidade da coisa?

 

 António Costa esteve reunido esta terça-feira com os chefes dos principais ramos das Forças Armadas Portuguesas e no final, reforçou a sua confiança nas Forças Armadas e no ministro da Defesa, que diz terem agido apropriadamente.

 

 Continuo a pensar que deveria ter havido um alerta geral imediato, barreiras nas estradas e operações diversas, mas provavelmente eu não percebo nada sobre o que será “apropriadamente” numa situação destas.

 

 António Costa disse ainda que, logo na resposta ao assalto aos paióis de Tancos, foi informado pela secretária-geral para a Segurança Interna que o material roubado não representaria qualquer risco acrescido para a segurança interna, algo que soube ainda antes de ir de férias.

 

 Gosto desta insistência nos conhecimentos obtidos “antes de ir de férias”, que são dados depois de vir de férias. Nada como umas boas férias. Também quero.

 

 “Logo depois de ter desaparecido esse material foram acionados os mecanismos próprios de segurança interna, designadamente a reunião da unidade de coordenação anti terrorista, com a participação do Chefe de Estado Maior das Forças Armadas, onde foi feita uma primeira avaliação, e onde foi verificado, com grande probabilidade, que este acontecimento não teria qualquer impacto no risco da segurança interna e designadamente associação a qualquer tipo de atividade terrorista nacional ou internacional.

 

 O mecanismo próprio de segurança é a reunião da unidade de coordenação anti terrorista?!?... Para discutir o quê, se de nada sabiam? E em que factos se terão baseado nessa “primeira avaliação” para verificar, “com grande probabilidade, que este acontecimento não teria qualquer impacto no risco da segurança interna e designadamente associação a qualquer tipo de atividade terrorista nacional ou internacional?!? Como sabem? Verificaram o quê e como? Com base em quê? Então roubaram aquele material para quê? E, não tendo impacto na segurança interna (a gente vive sossegada com os paióis do exército a serem roubados com enorme facilidade), por motivos que desconhecemos, também não terá impacto na segurança de outros Estados?

 

 Essa garantia foi-me, aliás, transmitida diretamente pela senhora secretária-geral de Segurança Interna, Helena Fazenda, com quem tive contacto ainda antes de ter interrompido o exercício de funções para gozo de férias”, disse.

 

 “Garantia”?!?... Que garantia?!? “Garantia” com “grande probabilidade”?!?... Isto é garantia?!?... Mas estará tudo doido? Isto não é “gozo de férias”, isto é gozar com o pagode!

 

António Costa foi ainda questionado pelos jornalistas se o ministro da Defesa, Azeredo Lopes, tem condições para continuar a exercer funções como parte do Governo, com o primeiro-ministro a garantir que este tem a confiança do Governo.

“O que é essencial é que o senhor ministro da Defesa tem toda a confiança do primeiro-ministro para o exercício das suas funções, e exerceu as suas funções como é função do ministro da Defesa”, disse.

O primeiro-ministro estendeu ainda a sua confiança à estrutura de comando das Forças Armadas portuguesas, dizendo que já foram tomadas medidas “que permitirão reforçar a segurança e garantir a plena operacionalidade das nossas forças armadas”, adiantou.

O Chefe de Estado Maior General das Forças Armadas, Pina Monteiro, também fez uma análise semelhante, dizendo que o material mais perigoso, na verdade não deve funcionar porque estava marcado para abate.

 

 “Não deve funcionar”?!? Não se sabe se funciona ou não?!? O CEMGFA não sabe o que tem em casa? Não sabe o que tem à sua guarda? Não era o material mais sensível, ainda há menos de uma semana (enquanto Costa gozava férias)?!? E nós devemos ter confiança nisto e ficarmos sossegados?

 

Os lança-granadas foguetes que foram roubados provavelmente não terão possibilidade funcionar com eficácia, porque estavam selecionados para serem abatidos. O Exército avaliou em detalhe e esse, que é talvez o que mais significado tem em termos de potencial de perigo, não tem a relevância que provavelmente quem os levou achou que poderá ter”, disse Pina Monteiro.

 

 “provavelmente não terão possibilidade funcionar com eficácia, porque estavam selecionados para serem abatidos”?!?... (mantive a vírgula erradamente colocada)

“Provavelmente não terão”?!? “Com eficácia”?!? São estas as “garantias” que descansaram Costa?!?

 

 Depois de explicar que o material roubado tem um custo avaliado em 34 mil euros, o responsável disse que o roubo foi um “soco no estômago” das Forças Armadas e prometeu medidas.

(a relevância do valor não se consegue explicar e não vou perder tempo com a coisa)

 

 “Depois de termos levado, passo a expressão, um soco no estômago, quero dizer que os chefes militares levantaram logo a cabeça. Face a isso, há lições a tirar e vão ser tiradas. Há medidas que vão ser tomadas a curto e médio prazo, não me peçam para dizer que medidas de segurança são, porque não vamos facilitar quem possa ter intenções semelhantes [às de quem roubou o material em Tancos]”, disse o responsável.

“A avaliação que é feita pelos chefes dos ramos, e por mim próprio, é que não caímos. Estamos direitos e estamos prontos para continuar a garantir a confiança dos portugueses nas forças armadas”, disse.

 

Não me interessa a cabeça nem o estômago dos militares que os meus impostos pagam. Interessa-me o sentimento de segurança que os portugueses esperavam, e se exigia, e, agora, no caso do meu texto, a comunicação social. A comunicação social está sempre a chorar-se porque ninguém a paga, ninguém a compra, ninguém a quer. Escolhi a notícia do Observador porque o leio, sigo, gosto, admiro e critico e porque, com alguma infelicidade, reparei não estar muito diferente do que vejo e leio em outros órgãos de comunicação social. Eu não sou jornalista, tive uma breve disciplina no Liceu, mas ninguém se interroga sobre as questões que levantei? Passam-se as notícias assim? São meros papagaios do que se pretende transmitir? E pretendem ser comprados porquê? Eu compro por bom dinheiro um bom pastel de nata, um excelente pastel de Chaves, uma bela bola de carne ou um cremoso queijo da serra, um saboroso arroz de polvo vitela, um leitãozinho estaladiço, Savora original em frasco de vidro e uma sanduíche de maravilhoso rosbife. Que razão teria eu para gastar o pouco dinheiro que me resta depois dos impostos em má comunicação social? A comunicação social não se interroga sobre isso? Não se interroga sobre isto que me perguntei, um mero observador, sobre factos tão importantes? E quer ser comprada para quê? – Para ter um papagaio bastava-me comprar um e um pouco de alpista.

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Com o regresso de Costa regressou em toda a glória a fundamental falta de seriedade da governação.

«Fundamental», diz Costa, é que depois do roubo de armamento em Tancos o ministro da Defesa mantém toda a confiança do primeiro-ministro, segundo o qual fez tudo o que havia a fazer. Como em Pedrógão («foi um raio», «foi mão criminosa», «foi um downburst», «foi algo anormal», foi «o eucalipto» capitalista, foi «tudo o que era possível»), nada, portanto, se passou de relevante.

«Fundamental» é que o Chefe do Estado Maior General das Forças Armadas descansa em que o material roubado só vale uns 34 000 euros e que, «provavelmente», acrescenta ele, os lança-granadas-foguetes não estão em grande estado. Tudo, portanto, coisas sem importância.

«Fundamental» é que apareça o inefável Vasco Lourenço a dizer que o roubo de Tancos foi uma hsitória «mal contada», uma «encenação» feita para prejudicar o governo. Há de ser, portanto, uma conspiração da direita.

Fundamental é que as televisões comuniquem sem escrutínio que o défice está em 2,1% -- seja qual for o montante das cativações, e independentemente do dinheiro dos contribuintes metido na Caixa Geral de Depósitos para tapar vigarices antigas (sobre as quais estamos proibidos de ser informados) -- e que nada comuniquem ou escrutinem sobre a dívida pública que continua a bater recordes, e a aumentar com empréstimos a taxas de juro de 4%.

Podem todos ir para férias descansados. A bandalheira continua.

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Que gente é esta?

por Corta-fitas, em 12.07.17

Para quem se digna pensar e discernir minimamente sobre a origem do aroma eternamente fétido que teima em pairar em Portugal não pode certamente ignorar que o mesmo tem origem maioritária nos partidos políticos. Enquanto nas outras áreas a realidade vai-se impondo de uma forma ou de outra através da remoção das ervas daninhas, nos partidos a coisa parece de tal forma empedernida que a sua remoção parece impossível.

Por estes tempos os partidos têm como perfis de referência caracteres que não são propriamente do mais recomendável. Não que noutros sectores da sociedade eles não existam, mas parece que nos partidos existem agora forças de tal forma poderosas que impedem o florescimento de modelos mais virtuosos. Como qualquer sistema fechado com vida e mecânicas próprias, a subjugação da meritocracia e do conhecimento aos ditames e regras próprias da seita resultam a prazo em resultados absurdos. Alguns exemplos:

  1. Inconcebível a sequência de estroinices que levaram ao aumento desmesurado da despesa pública com início da década de 90. O resultado for o pedido de resgate em 2011.
  2. Impensável como este governo opta por cortar no regular funcionamento do Estado para distribuir uns quantos amendoins como moeda de troca de poder. O resultado é Tancos e parcialmente Pedrogão Grande. (Embora os cortes no funcionamento do Estado já antes se tivessem iniciado, neste governo atingiram patamares nunca antes imaginados)
  3. Irresponsável como o PCP e o BE sempre gritaram e espernearam a toda a hora sem nada proporem. E quando digo sem nada proporem, refiro-me a qualquer coisa com cabeça, tronco, e membros. O resultado é a vulgarização da banalidade e da irresponsabilidade.
  4. De loucos como ninguém se preocupa seriamente com um país onde a taxa de poupança é de 4% do rendimento disponível e ainda por cima se fala constantemente nas virtudes do consumo privado (até na Direita!). Este é talvez o melhor indicador de que tudo vale para sobrepor a ilusão à razão. O resultado é a dependência financeira externa.
  5. Asquerosa a promiscuidade entre o poder político e o poder económico. O resultado é o capitalismo de compadrio que produz dívidas monstruosas, berbicachos judicias e outros fardos.
  6. Impressionante a facilidade como se corre com um ministério competente em benefício da parte que desencadeia uma crise política. O que o CDS fez ao ex-Ministro Álvaro Santos Pereira e sua equipa é uma marca que desonra a Direita. O resultado é que a irresponsabilidade pode também entrar pela Direita.
  7. Incrível como muitos julgam gozar de prerrogativas especiais na sua relação com o Estado. É velha a frase “Um partido é um ónibus que leva aos empregos” (Eça de Queiroz dixit). O resultado é a família César e a jactância deste.
  8. Inacreditável como a cobardia se sobrepõe à coragem, ou como a “gestão política” se sobrepõe à Política. O resultado é um Primeiro-ministro em fuga para férias no momento mais duro do governo.


Obviamente impõem-se perguntas. Que gente é esta? Como se desenvolve? Como extrai-los dos partidos por troca de perfis normais? Este é o ajustamento que falta fazer na sociedade portuguesa. Presumo que hercúleo, e sinceramente não sei como terá de ser feito.

Pedro Bazaliza
Convidado Especial

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Mais acções da TAP para o Estado pôr seis administradores, incluindo Diogo Lacerda Machado parece ser cada vez mais a única vantagem do Estado em ter revertido a privatização da TAP feita pelo Governo de Passos Coelho, que implica a venda de 61% da companhia aérea ao consórcio Gateway. Seis lugares de não executivos escolhidos pelo Governo de António Costa. De resto o que ganhou o Estado? O direito a ter de investir na companhia sempre que esta tiver de aumentar o capital?

A transportadora aérea "voltou" para o Estado, mas este só fica com 50% do capital, sem o controlo da gestão e com apenas 18,75% dos direitos económicos da TAP. Isto é caso a TAP venha a ter lucros dentro de alguns anos, o Estado apenas terá direito a receber 18,75% desses dividendos, apesar de controlar metade do capital. 

O consórcio de Humberto Pedrosa e David Neeleman baixou para 45% da TAP, tendo os restantes 5% sido destinados para os trabalhadores da empresa. Coisa simbólica, que serviu para António Costa dizer que cumpriu uma bandeira eleitoral (das eleições que não ganhou) e para empregar seis gestores, um amigo incluido.

O Estado paga e investe só para cumprir uma bandeira simbólica de António Costa de uma campanha que não lhe deu vitória. Uma teimosia? Um capricho? Quanto custa?

Numa primeira fase, o Estado comprou 11% do capital ao consórcio Gateway, por 10,93 euros por ação, o que dá um total de 1,9 milhões de euros. Mais tarde, o Estado subscreveu 30 milhões de euros do empréstimo obrigacionista de 120 milhões de euros que serve para refinanciar a transportadora.

Resumindo, o Estado devolveu dinheiro da primeira venda, pagou 30 milhões de euros e ficou com menos dividendos. Mas com seis poleiros na administração.

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O horror feito belo

por João Távora, em 11.07.17

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O Meças, de José Rentes de Carvalho trata-se em minha opinião de uma obra de uma beleza superior, na forma encontrada – sublime, diga-se - para descrever os meandros mais obscuros da condição humana. Para mim, essa narração encontra o seu cúmulo no capítulo em que o Meças, do interior do seu predilecto Mercedes observa uma família feliz a fazer um picnic ruminando um ódio explosivo, emergente da conjugação desordenada dum cocktail de sentimentos chamados de “baixos”. Ou de como afinal o leitor “inocente” possuí a intuição natural de descodificar tamanha malvadez, e assim embalar numa inquietante tensão que se nos cola do principio ao final da novela. Há no Meças um mergulho profundo nos interstícios de uma mente perturbada, do potencial de violência que um individuo pode (não) conter. Tão plausível quanto o retrato dum café incaracterístico de província. Ou de diferentes misérias contrastantes, como o caso da figura flacidamente vulgar e cândida do filho do Meças.

E terminamos esta leitura densa com a sensação de termos assimilado um quadro próximo do perfeito, assim sendo do Belo. Há uma mestria sublime de Rentes de Carvalho na construção frásica, na utilização da palavra e da tensão que ela gera. Em que cada palavra é escolhida para a construção dum sentido próprio, uma coloração, uma textura, uma sonoridade meticulosa que nos revela cada poro que dá forma a um retrato profundamente humano da gente com que nos arriscamos cruzar nos abismos de nós próprios. Pois que se assim não fosse toda a leitura resultaria num nonsense.

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Imãs contra o terrorismo

por Vasco Mina, em 10.07.17

Frequentemente se coloca a pergunta sobre o paradeiro dos muçulmanos que condenam os atos terroristas praticados pelo dito Estado Islâmico (EI) ou Daesh. Ouvem-se, pontualmente, algumas posições mas, sendo isoladas, fica-se com a perceção de serem intervenções pessoais não necessariamente representativas de uma comunidade (neste caso a islâmica). Por outras palavras e numa linguagem mais comum: onde andam os muçulmanos defensores da paz e que condenem o terrorismo? De acordo com esta notícia,” Imãs fazem "tour" europeia contra o terror”. Hoje em Bruxelas mas tendo passado por Paris e Berlim e seguindo depois para Nice. Claro que fica por saber qual a representatividade destes Imãs na comunidade islâmica europeia . Mas em tempos conturbados com ações terroristas, é uma manifestação a saudar.

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Costa esconde e Marcelo expõe

por Vasco Mina, em 09.07.17

Duas atitudes distintas marcaram as intervenções de António Costa e Marcelo Rebelo de Sousa nestas últimas semanas. Em Pedrógão, Costa só começou a aparecer, com regularidade, quando Marcelo passou a deslocar-se diariamente. Ou seja, foi o PR que deu toda a exposição do drama enquanto o PM ía atrás e procurando não destacar o problema. Marcelo distribuiu afetos por todos mas Costa nem por isso. O PR a exigir relatórios e investigações completas com conclusões e identificação de responsabilidades e Costa a “passar culpas” para o clima. Depois o roubo de armas em Tancos com o PR a exigir, novamente, investigação ao caso e Costa em silêncio deixando “a solo” o Ministro da Defesa. Marcelo vai a Tancos visitar as instalações e Azeredo Lopes lá teve de ir pois Costa tinha ido de férias para o estrangeiro e decidira não interromper. O PR convoca o Conselho Superior de Defesa Nacional e o Conselho de Estado para o mesmo dia. Costa em férias. PR volta, uma vez mais, a Pedrógrão para assistir ao concerto em memória das vítimas do incêndio e diz que vai “acompanhar [as obras], vindo cá, pois tenciono neste Verão vir muitas vezes, em vários momentos, precisamente para dar apoio ao que está a ser feito e mostrar como exemplo. Para a semana estarei outra vez, daqui a três semanas, cinco semanas, eu não vou esperar pelo Natal”. E até admitiu levar a família até lá naquela quadra festiva. Costa não assistiu ao concerto pois permanecia em férias. Marcelo não irá “largar” Pedrógrão e Costa lá irá o menos possível. Costa gosta de dar os casos como encerrados (como aconteceu na situação das viagens oferecidas pelas GALP aos Secretários de Estado agora exonerados) mas Marcelo prefere que tudo em aberto até ao esclarecimento total. Assim acontecerá sempre que ocorrerem casos (ou seja, más notícias para Costa): Marcelo será uma verdadeira picareta (não “falante” como Guterres) presencial. Até agora, Costa agradeceu e elogiou a presença de Marcelo. A partir de agora vai sempre tentar esconder sempre que Marcelo tentar expor.

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Porque é que isto acontece sempre nos Governos PS?

por Maria Teixeira Alves, em 09.07.17

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Manuel Pinho foi o ministro da Economia que decidiu os pagamentos dos CMEC e do prolongamento das barragens, no Governo de José Sócrates. A seguir deu-se a criação de um curso na Universidade de Columbia, em Nova Iorque, sobre energia eólica e renováveis. Este curso foi criado em 2010 e tinha a EDP como patrocinador, isto é, a empresa portuguesa pagava parte dos custos. Um dos professores convidados foi Manuel de Pinho, ex-ministro da Economia e amigo de António Mexia. 

Para já não falar de Sócrates, PT, TVI e ligações ao BES de Ricardo Salgado. 

A equipa que investiga a Operação Marquês descobriu que o plano de José Sócrates para a compra da TVI pela PT – que veio a ser descoberto no processo Face Oculta, em 2009 – começou em 2008 e previa envolver o Grupo Lena, investidores angolanos e o Taguspark.

Mas sobre esse triangulo das bermudas que foi o BES, PT e Sócrates há pano para mangas.

Agora neste Governo três Secretários de Estado têm de passar pela vergonha de passado um ano terem de se demitir por causa de terem ido viajar a convite da Galp, ao mesmo tempo que a Galp tem em tribunal um litigio fiscal contra o Estado provocado por um imposto aplicado pelo Governo anterior de Passos Coelho.

Mas esta panelinha é tradição nos Governos socialistas?

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Domingo

por João Távora, em 09.07.17

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus 


Naquele tempo, Jesus exclamou: «Eu Te bendigo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas verdades aos sábios e inteligentes e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, Eu Te bendigo, porque assim foi do teu agrado. Tudo Me foi dado por meu Pai. Ninguém conhece o Filho senão o Pai e ninguém conhece o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar. Vinde a Mim, todos os que andais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e a minha carga é leve».

 

Palavra da salvação. 

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Gente realmente importante

por João-Afonso Machado, em 09.07.17

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Não se fale mal da escuridão das ruas do Porto. Das suas paredes sem brilho, daquelas casas tristes de falar mudo. Há figuras a colori-las nos mais diversos tons. Por exemplo, o cor-de-rosa. De cima a baixo, da cartola aos sapatos brancos, com flor na lapela a condizer. A gente pensa e nada conclui.

Gigolo? Não, não dominava a pose. Pink Panther? Também não. Friz Freleng não a animaria assim. O tal dia do "orgulho gay"? Não fora divulgado e eles são pródigos em publicidade...

Quem seria? Não sei. Sei-o apenas nada incomodado com o espanto causado entre os transeuntes. Parecia esperar uma boleia. A seus pés uma saquinha de cartão carregada imagine-se lá com quê. Impávido. Honra lhe seja feita, era o sol que girava em torno de si, contrariando todas as certezas estabelecidas por Copérnico.

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As coisas são como são:

por Vasco Lobo Xavier, em 09.07.17

Independentemente das razões que tenham, e têm muitas, magistrados judiciais não fazem greve. Ponto.

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O amigo de Costa

por henrique pereira dos santos, em 08.07.17

Quando apareceu nos jornais a colaboração informal que Lacerda Machado dava ao Governo, António Costa fez umas larachas sobre a falta de importância do assunto e, formalmente, disse coisas extraordinárias: 

"2. Apesar de não existirem quaisquer razões para pôr em causa a colaboração tal como tem vindo a ser prestada, julguei atendível a critica de que a forma dessa colaboração podia significar a desconsideração do valor do trabalho.

3. Por isso, dei instruções para que fosse formalizada a contratação do Dr. Diogo Lacerda Machado como consultor do gabinete do Primeiro- Ministro".

Zero de sentido de Estado e zero de compreensão da natureza das relações entre o Estado e os seus servidores, mas isso não é de estranhar em António Costa: não se pode esperar das pessoas mais do que podem dar.

O que é de estranhar é a ligeireza com que a sociedade (e os mediadores de comunicação) olham complacentemente para o assunto, considerando-o uma questão menor.

Se tivesse sido um caso isolado talvez não fosse grave deixar passar o assunto, tal como cada um dos casos isolados de Sócrates talvez não tivessem importância em si, mas não é disso que se trata, o que se trata é de um caso (tal como em Sócrates, pesem as diferenças) que pode reflectir, e no caso reflecte, um padrão de comportamento no uso do poder.

Já deverei ter escrito algures sobre a situação de uma dirigente que, estando em exercício de funções na sequência de um concurso público, aceita ser exonerada com o fundamento previsto na lei (reorientação dos serviços, ou qualquer vacuidade semelhante, que em politiquês depois se explica dizendo que é uma questão de perfil das pessoas, não é uma questão de competência ou de inadequação à função) para imediatamente ser nomeada, em substituição de si própria, para a mesma função, de forma a garantir a tal nova orientação aos serviços (que todos se abstêm de explicar em que consiste).

Não é verdade que este tipo de actuação, e a falta de escrutínio público sobre a gestão do Estado que lhe está na base, tenham nascido com este governo, bem pelo contrário.

Aliás, para responder a este tipo de questões, Passos Coelho inventou um sistema complicadíssimo, gerido por um louco para quem as regras da lei eram bem menos importantes que a sua opinião. O erro de Passos Coelho foi manter a ficção de que tudo estava mais ou menos resolvido em matéria de nomeações ao atirar o problema para cima de uma comissão, sobre cuja actuação faltavam claramente mecanismos de escrutínio e avaliação de resultados. Mais ainda, quando os frágeis mecanismos de escrutínio (Comissão de Acesso aos Documentos Administrativos, Provedor de Justiça, mesmo o tribunal, no único caso que chegou ao tribunal) apontaram para uma actuação claramente ilegal, ilegítima e prepotente, Passos Coelho fechou os olhos e não mexeu uma palha para pôr a CRESAP na ordem, impondo regras de funcionamento que lhe dessem transparência e permitissem o seu escrutínio sério.

Foi a falta de credibilidade da CRESAP que abriu o caminho para que os amigos de Costa (muitos deles ostentam nas suas páginas das redes sociais, em lugar de destaque, fotografias com Costa) dominassem esmagadoramente os lugares dirigentes da administração pública, contribuindo para a degradação profunda em que se encontra o aparelho de Estado, totalmente capturado pelos interesses dos governos (na melhor das hipóteses), pelos interesses dos partidos (na generalidade dos casos) e pelos interesses particulares ilegítimos (nos casos mais graves que os dois primeiros facilitam).

Discute-se agora, tarde e a más horas, a relação entre esta opção pela ocupação dos lugares dirigentes da administração pública e a ineficiência da administração em sectores chave da acutação do Estado. Grande parte destas pessoas têm como principal qualificação a certeza da sua fidelidade às linhas gerais de comunicação do governo (essa é, mais que a fidelidade partidária, a característica mais evidente de grande parte das nomeações feitas por este governo), independentemente do interesse que a sua nomeação tenha para garantir que o Estado serve as pessoas comuns e respeita o dinheiro dos contribuintes.

Não, não é só na protecção civil, ou na defesa, ou nas florestas que a questão se põe: a gangrena da incompetência e irresponsabilidade é transversal a todo o Estado, não começou com este governo, longe disso, mas é uma das identidades centrais deste governo.

O que, aparentemente, a comunicação social considera um assunto menor a que só párias do jornalismo, como o Correio da Manhã, ou Sandra Felgueiras, dedicam algum tempo e esforço.

Os outros, os gigantes da profissão, não perdem tempo com ninharias destas.

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Imaginação após férias

por Vasco Mina, em 07.07.17

No Verão do ano passado, António Costa, afirmou que “tinha esperança que as férias tivessem dado ao doutor Passos Coelho alguma imaginação…” Será que agora, após umas férias no estrangeiro (só um boçal PM goza férias em Portugal),  o PM nos dará um exemplo do que é a imaginação estival?

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Só eu é que acho que há um paradoxo entre estas duas sentenças?

"EN236 só foi fechada depois de se saber das mortes [a GNR não fechou a estrada porque não recebeu ordens para isso]"

e

"Primeiro-ministro mantém confiança política na ministra da administração interna"

Ou entre estas: 

O ministro da Defesa, Azeredo Lopes, disse em Castelo Branco que assume a "responsabilidade política" após o furto de material de guerra em Tancos pelo "simples facto de estar em funções". 

e

Pedro Nuno Santos "As demissões têm muitas vezes consequências perversas”.  "Não se devem misturar incêndios e Tancos. Nem fazer rolar cabeças”.

Em Tancos o caso de incompetência é tão grande que até já veio o Chefe de Estado-Maior do Exército, o General Rovisco Pais em salvação do Governo dizer que aos deputados que assumia as responsabilidades do assalto ao paiol de Tancos, ilibando totalmente o poder político pelo sucedido dizendo "todas as responsabilidades pelas falhas de segurança foram militares".

 E isto a espuma dos nossos dias. Os políticos a dizer como devemos pensar. Devemos não pedir explicações ao Governo, não pedir a demissão dos Governantes perante a morte cruel e excusada de 64 pessoas em Pedrógão e perante o enorme assalto de material de guerra nas barbas dos militares, que nem se davam ao trabalho de guardar o paiol.  Devemos sim criticar o líder da oposição porque sim, e ridiicularizar Cristas só porque é mulher e pede demissões descaradamente deste Governo imaculado pelo detentores do poder de formar opinião.

O Governo já nem se mexe com as críticas da imprensa ou de opinion makers, só as tiradas de Marcelo o levam a fazer comunicados e a explicar-se. Foi o estado a que chegámos.

A notícia de que o primeiro-ministro tinha ido de férias, em plena crise do furto de armas de guerra em Tancos e após o trágico incêndio de Pedrógão Grande, foi avançada pelo jornal i, e é desde essa altura o tema da atualidade.

António Costa e o Governo admitem os erros todos, mas depois "mantém a confiança"; "não se deve fazer rolar cabeças", etc

Pior, o primeiro-ministro até se deu ao luxo de ir de férias. Para não ter que ser confrontado com a demissão do ministro da defesa, como foi com a ministra da administração interna.

Quando explicou a resposta ainda foi mais hilariante. Resposta: "As férias de António Costa já tinham sido planificadas e que o chefe do Governo está sempre contactável”.

Ena! Ninguém diria que em pleno século XXI o primeiro-ministro, tal como qualquer pessoa, não estivesse contactável.

“O Governo, tendo em consideração o período de Verão, organizou e planificou em tempo o período de férias do primeiro-ministro, bem como dos restantes membros do Governo, de forma a garantir as necessárias substituições para assegurar o normal funcionamento do Governo”, disse o chefe do Governo na nota divulgada aos jornais.
O primeiro-ministro ainda atira com o direito legal às férias: “Neste quadro, o primeiro-ministro encontra-se no gozo de uma semana de férias, sendo substituído na sua ausência, nos termos do artigo 7º da Lei Orgânica do XXI Governo, pelo ministro dos Negócios Estrangeiros. O primeiro-ministro está sempre contactável e disponível em caso de necessidade.” disse,

A notícia de que o primeiro-ministro tinha ido de férias, em plena crise do furto de armas de guerra em Tancos e após o trágico incêndio de Pedrógão Grande, foi avançada pelo jornal i, e é desde essa altura o tema da atualidade.
 
 Isto é tão caricato que foram mais uma vez os jornais espanhóis a pôr o dedo na ferida. 

Os jornais espanhóis é que chamaram o tem da fragilidade do Governo com a tragédia de Pedrógão (El Mundo)

Os jornais espanhóis é que deram a lista exaustiva da enorme lista de armas de guerra roubadas nas barbas do exército no paiól de Tancos (El Jornal)

E são mais uma vez os jornais espanhóis que põem a nú o ridiculo num artigo irónico (El País):

O jornalista começa o artigo por lembrar que Portugal é o terceiro país mais pacífico do mundo, para logo sublinhar, que é “tão pacífico” que na semana passada “uns estranhos foram à base militar de Tancos e levaram num carro armas sem que ninguém os impedisse”.

“Desde há cinco anos, Tancos, situada 120 quilómetros a noroeste de Lisboa, tem o sistema de videovigilância avariado, os sensores de movimento também não se mexem, a vedação não aguenta uma tesourada, e as 25 guaritas estão de tal forma devolutas que é melhor que nenhum soldado arrisque nelas a sua vida”, prossegue em tom irónico.

O correspondente do El Pais faz notar a seguir que os militares a quem cumpre passar ronda às instalações “vão rezando para que nada os ataque porque só se poderiam defender de uma cacetada”.

Em seguida, Javier Martín dá como certo que “os assaltantes chegaram num camião, fizeram um buraco na rede e foram até uma vintena de paióis mas só entraram naqueles onde estava o material de que necessitavam”. “Até no frigorífico lá de casa demoram mais tempo a encontrar os iogurtes”, escreve o jornalista.

“Depois de conhecer o Exército que cuida de Tancos, se Portugal não ficar em primeiro lugar no índice Global de Paz em 2018, será uma injustiça de pegar em armas”, conclui o jornalista.

 

 

 

 

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Resistência monárquica

por João Távora, em 06.07.17

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Às voltas com as biografias de Gonçalo Ribeiro Telles e Henrique Barrilaro Ruas, deparo-me com este cartaz da Comissão Eleitoral Monárquica, fundada por Henrique Barrilaro Ruas na sequência da chamada "primavera marcelista", concorrente às eleições de 1969 em que terá obtido "uma votação demasiado expressiva que o regime não podia tolerar". A este movimento sucederá em 1971 a Convergência Monárquica que reunia os militantes dos vários grupos existentes (e como é difícil conciliar monárquicos!). Como curiosidade registe-se que em 1973 os organizadores do 3º Congresso da Oposição Republicana em Aveiro concederam alterar o nome do evento para Congresso da Oposição Democrática para acolher uma delegação desta organização monárquica.

 

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A comunicação social que temos:

por Vasco Lobo Xavier, em 06.07.17

Continuo sem perceber a razão pela qual quase ninguém se interroga sobre o facto de não ter havido um alerta geral imediatamente a seguir ao assalto ao paiol de Tancos. Não se interroga nem pede responsabilidades.

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Os sapadores florestais e as políticas públicas

por henrique pereira dos santos, em 05.07.17

O programa de sapadores florestais foi criado para "garantir a existência de estruturas dotadas de capacidade e conhecimentos específicos adequados que, ao longo do ano, desenvolvam, com caráter permanente e de forma sistemática e eficiente, ações de silvicultura preventiva e simultaneamente ações de vigilância e de apoio ao combate de incêndios florestais".

A existência deste programa é um dos grandes consensos entre os envolvidos na gestão florestal, no entanto, muito provavelmente  - e digo provavelmente porque não existe avaliação séria de resultados - é um programa caro e ineficiente.

Primeiro porque ao segregar completamente a silvicultura preventiva do combate, o que estamos a fazer é deitar dinheiro à rua, criando oportunidades de combate que não são usadas.

Em grandes fogos, o que é possível fazer não é exactamente o combate directo (muito menos com água) mas levar os fogos à extinção retirando-lhe o combustível de que se alimenta. Como é virtualmente impossível retirar todo o combustível (e é duvidoso de que essa fosse uma boa solução, mesmo que fosse possível), o que se procura fazer é criar áreas em que a redução do combustível obriga o fogo a perder intensidade e, nessa circunstância, permitir o combate directo (em casos muito favoráveis, o fogo pode auto-extinguir-se, sem combate, mas o melhor seria correr e não confiar demasiado na Virgem).

Mas os nossos bombeiros, de maneira geral, ignoram as oportunidades de combate criadas pela silvicultura preventiva e, por isso, todo o sistema que montámos, mesmo quando é executado, tem um impacte relativamente pequeno na gestão dos grandes fogos, em especial em condições meterológicas extremas.

O que me parece mais relevante é que, em média, estas equipas de sapadores (que na verdade pouco combate fazem), tratam cerca de 40 hectares de combustíveis por ano, isto é, mesmo que existissem as 500 equipas previstas, apenas seriam tratados, anualmente, 20 000 hectares de combustíveis, muito longe, portanto, dos 200 mil que precisaríamos de gerir, se contarmos 4% dos seis milhões de hectares dos espaços florestais, ou 100 mil no caso de apenas contarmos os povoamentos.

Como os sapadores são pagos pelo Estado central em 50%, quem os recebe (a maior parte, associações florestais, mas também autarquias) fica muito satisfeito por ter cinco trabalhadores por metade do preço, portanto não contesta a existência deste programa (até porque os sapadores podem mesmo ser úteis para a gestão, embora sejam marginais para a gestão do fogo, salvo algumas excepções).

Ora havia outra maneira bem mais eficiente de desenhar esta política pública, que seria o Estado concentrar-se nos resultados e, em vez de apoiar uma solução pré-formatada, no fundo, apoiar qualquer actividade que garantisse os objectivos de gestão estabelecidos.

Ou seja, em vez de sapadores cuja aprovação depende de um processo burocrático cheio de alçapões, o Estado contrataria resultados (por concurso), independentemente da forma de os obter: com equipas de sapadores, se fosse essa a melhor solução, com gado, com fogo controlado, com resinagem, não interessa: desde que os resultados contratados aparecessem, eles seriam pagos.

Tal como a situação está, sem avaliação séria de resultados e com os agentes sem qualquer incentivo para procurar melhores soluções na gestão dos matos (mesmo que as quisessem fazer, o Estado não os apoiaria), a solução vai-se tornando mais pesada, mais burocratizada e com resultados cada vez mais medíocres.

Talvez fosse a altura de avaliar o desempenho dos sapadores, de forma global, e avaliar se o apoio directo às actividades económicas que façam gestão de combustíveis, não seria muito mais barato, mais criador de emprego e riqueza e muito mais eficaz que o sistema actual.

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Segundo esta notícia e a propósito dos estragos causados no Convento de Cristo na sequência da rodagem de um filme e noticiadas a 02 de Junho na RTP, considera o Ministério da Cultura (MC), através da Direção-Geral do Património Cultural (DGPC) "as situações descritas no referido programa [emitido a 2 de junho], 'carecem de rigor e revelam desconhecimento científico', levando ao empolamento e à adulteração de factos". Mais, a mesma entidade diz "atestar que as filmagens foram antecedidas de uma avaliação criteriosa”. Infelizmente, temos sido bombardeados, nas últimas semanas (e a propósito do que se passou em Pedrógão Grande)  com inquéritos contraditórios. Este, da DGPC, é mais outro que nos deixa algumas dúvidas quer pela informação prestada pela RTP quer por alguns funcionários que não se quiseram identificar. Mas nem tudo deve ter sido feito com o tal rigor pois outra notícia refere que a mesma DGPC revelou que foi já iniciada a revisão do Regulamento de Utilização de Espaços "com o propósito de uniformizar critérios de utilização e reforçar as exigências às empresas que solicitam o aluguer". A nota da DGPC adianta ainda outra medida: a criação de uma "unidade interna permanente nos serviços centrais" da DGPC, "que se pronunciará previamente sobre todos os aspetos de segurança relativos às pretensões de utilização dos espaços, tanto a nível patrimonial, como humano". Se tudo correu bem e com avaliação prévia rigorosa, porque se altera agora o Regulamento de Utilização de Espaços?

Recentemente (em declarações ao Expresso de 10 de Junho), na sequência dos acontecimentos no Convento de Cristo e também a propósito de festas privadas no Mosteiro dos Jerónimos e exposição de carros elétricos no Museu dos Coches, o Ministro da Cultura declarou que “a rentabilização dos monumentos é necessária para a sua manutenção e preservação” e acrescentou que “as festas privadas não me chocam, não são um problema”. Ora acontece que uma parte significativa do Património Cultural foi construído para o culto religioso e tem ainda, apesar dos séculos, um significado que traduz a sua natureza. Por esta razão e também atendendo ao acordado na Concordata o Estado Português deveria ter mais respeito pelas tradições e significados religiosos do povo português.

O que atualmente se passa no Mosteiro de Alcobaça é um bom exemplo do desrespeito pelas pretensões dos paroquianos de Alcobaça que têm no Mosteiro a sede da sua Paróquia. Pretendem apenas que seja colocada, a expensas próprias, a colocação de uma porta interior de vidro na Capela do Senhor dos Passos (também conhecida por Capela do Santíssimo), já que esta porta, sendo transparente e mesmo quando fechada, permitiria o acesso visual e ao culto do Santíssimo Sacramento quer dos paroquianos quer de todos aqueles que visitam este espaço. Acontece que num primeiro momento foi dada autorização, pela Direção do Mosteiro de Alcobaça, para a colocação da referida porta mas quando a mesma foi efetivamente colocada, a DGPC (tão zelosa de regulamentos) exigiu a remoção da referida porta de vidro. Apesar das insistências do Pároco, de uma petição pública lançada pelos paroquianos (que recolheu, localmente, não incluindo as eletrónica, cerca de 1.300 assinaturas) e ainda pelas questões levantadas pelos deputados (curiosamente do PS) do Distrito de Leiria ao Ministro da Cultura, a situação mantém-se inalterada. Saliente-se que o Estado destruiu, no início do Sec. XX, três Igrejas em Alcobaça e por esta razão o Mosteiro é, também, a Igreja da Paróquia de Alcobaça.

Ou seja, para festas e eventos que gerem receitas não há problemas para os atuais responsáveis do MC mas para a uma simples alteração de uma Capela (que até daria mais visibilidade ao património construído) a resposta é negativa (o popular “não porque não”) sem qualquer explicação justificativa.

Exorta o Papa Francisco: “Que a Igreja esta sempre de portas abertas”. No Mosteiro de Alcobaça o Estado entende que a Porta da Capela do Santíssimo esteja fechada!

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Este governo não vale nada!

por Vasco Lobo Xavier, em 03.07.17

Augusto Santos Silva, Ministro dos Negócios Estrangeiros do governo da geringonça, veio afirmar pomposamente que se está a desenvolver "todas as medidas para reaver o material [de guerra] roubado". Deve tomar-nos a todos por jornalistas, por parvos.

 É que a nenhum jornalista ocorreu perguntar o que foi feito realmente e se efectivamente foi feita alguma coisa. É que eu não consigo compreender, perante a dimensão do assalto e a gravidade do material furtado, como é que o governo não fez nada de imediato, que era quando deveria ter reagido.

 Não houve um alerta geral mal se conheceu o furto, não se viram barreiras nem estradas barricadas, controlo de camiões, de mercadorias, de pessoas, perímetros cercados, não vimos as fronteiras fechadas nem policiadas. Portugal deveria ter-se separado de Espanha e toda a península ibérica deveria ter sido, na hora, separada de França, mas não se fez nada!

 Apelos à população, cartazes, avisos, visionamento de câmaras de vigilância, mais polícia nas ruas, mesmo militares nas estradas, mais operações de auto-stop, não se viu nada! A porcaria da geringonça deste governo não fez nada (e suspeito que por questões políticas, para esconder e abafar o caso, o que é mais grave!). Este governo não soube ou não quis reagir, não vale nada!

 

Perante o assalto, perante a quantidade enorme de armamento, munições e explosivos furtados, as nossas autoridades não fizeram nada! Não se viu nada! Continuou tudo na mesma, e António Costa foi de férias. Diz-se que para a praia, onde nada!

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Medina Carreira

por João Távora, em 03.07.17

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Com a morte de Medina Carreira perde-se uma voz incómoda e insubmissa, que contracorrente abordava a realidade sem paninhos quentes, discurso antagónico ao destes novos tempos dos afectos, reversões e abracinhos. O lamaçal permanece debaixo dos nossos pés, não vamos enganados e por isso nunca saberemos agradecer-lhe. Deus o tenha na Sua eterna Glória.

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