
Comecei a ver cinema muito cedo. Era ainda um garoto, leitor assíduo de revistas de banda desenhada, quando me deixei seduzir pelo ecrã mágico de onde irrompiam heróis de todo o género, emanados do mundo dos adultos. Fixei para sempre um sorriso de Fernandel, um silêncio de John Wayne, um trinado de Marisol, uma expressão dura de Bogart, um esgar trocista de Belmondo, Errol Flynn conquistando as matinés e o coração de Olivia de Havilland em
As Aventuras de Robin dos Bosques. E as pernas de Silvana Mangano, os olhos de Michèlle Morgan, o rosto magoado de Ingrid Bergman à beira de um vulcão a preto-e-branco em
Stromboli. Puto de calções, largava as brincadeiras da bola ou do berlinde para me pôr defronte da pantalha, quando a RTP oferecia bom cinema aos espectadores, e lá ficava, de olhos arregalados, mergulhado no fascínio da Sétima Arte oferecida ao domicílio da geração privilegiada de que fiz parte. São imagens que me ficarão gravadas para sempre: o inquietante sobrolho de Gregory Peck no
Caso Paradine, o trenó em chamas de
Citizen Kane, Gene Kelly dançando à chuva, um grão de areia no olho de Celia Johnson, a radiosa Audrey Hepburn andando de
lambretta nos dédalos de Roma.
Filmes de Verão, com Johnnny Weissmuller, Totó e Fred Astaire. Filmes de Inverno, com Giulietta Masina, Henry Fonda e Marlene Dietrich. Títulos perdidos na memória dos tempos mas recordados à simples evocação de uma cena imortal: Shirley Temple fazendo sapateado, Vasco Santana falando a uma girafa, Grace Kelly beijada por Cary Grant, Alice Faye cantando “With a Song in my Heart”, Alida Valli caminhando ao som da cítara vienense de Anton Karas.
Tardes de cinema, noites de cinema. O mundo que se movia à velocidade de 24 imagens por segundo.
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Na imagem: Silvana Mangano, em Arroz Amargo (Riso Amaro, 1949)
De Divulgando o Sapateado Por Aí a 6 de Agosto de 2007 às 16:41
Mais sobre sapateado americano (mas também irlandês, e outras modalidades de dança) nos sites do "Divulgando o Sapateado Por Aí":
blog - posts diários
http://divulgandotap.blogspot.com
portal - desde 1998
http://www.geocities.com/divulgando
Um abraço e sucesso.
De Pedro Correia a 1 de Agosto de 2007 às 15:09
Olá, Cristina: "Stromboli" é um dos meus filmes preferidos de todos os tempos. Do primeiro ano da melhor década do cinema (1950).
Obrigado, Hugo. Por mim, a Cinemateca vai servindo sobretudo para "reprises".
Custódia, vêm aí mais textos a falar disso. Não é por acaso que esta rubrica se intitula Cinema Nostalgia.
Olá, Cláudia. Que tal as pipocas?
De Custódia C.C. a 1 de Agosto de 2007 às 11:23
E, assim de repente, como diz a Marta R, vi-me subitamente ao espelho :)
Grandes filmes, grandes tardes, grandes noites :)
De Anónimo a 1 de Agosto de 2007 às 10:07
Pois é: Noite de Cinema à Quarta-Feira e Tarde de Cinema ao Domingo. Agora temos nao sei quantos filmes por hora e nao apetece ver nenhum...
De Anónimo a 1 de Agosto de 2007 às 08:50
Caro Pedro, gostava de lhe recordar uns clássicos: Cinena Paraiso e Morte em Veneza, inesquecivel de facto.
Um abraço.
ERGELA
De Hugo a 31 de Julho de 2007 às 22:25
É sempre prazer ler o Pedro quando escreve sobre Cinema. De repente dei por mim a recordar os tempos em que fui descobrindo, à minha maneira, o Cinema e partilhei algumas dessas sensações. Com a diferença que, por causa das coisas, conheci-o já não era um puto de calções e foi algures pela Barata Salgueiro...
De Cláudia Ribeiro a 31 de Julho de 2007 às 20:45
Oh... deste-me vontade de fazer pipocas e ver uns 'velhos' dvd's :$
De Marcelo a 31 de Julho de 2007 às 20:06
Mais sobre sapateado americano (mas também irlandês, e outras modalidades de dança) nos sites do "Divulgando o Sapateado Por Aí":
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Um abraço e sucesso.
De Cristina Ribeiro a 31 de Julho de 2007 às 19:38
Lembranças boas,Pedro!Também ficava presa à televisão a ver todos esses filmes de que fala(Fernandel era um fascínio),tendo preferido ficar muitas vezes em casa,em detrimento de uma saída ao domingo à tarde à cidade para "ver as montras"(outro entretenimento da altura),para saborear essas histórias e ver esses heróis.
(Mas o engraçado é que só agora,porque comprei o DVD,muito recentemente,pude ver "Stromboli":passou-me despercebida a passagem na televisão).
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