
Parece-me uma boa altura para escrever sobre
a Rainha: o frio que está lembra o saco de água quente e o robe com que Isabel apareceu na noite em que tomou conhecimento da morte de Diana. Como
Balmoral deve ser frio mesmo em Agosto....
Tenho pouco a acrescentar ao
que se tem escrito, mas a "minha" Rainha tem muito mais do que isso tudo: os saltos dos sapatos sempre do mesmo tipo, a altura dos vestidos, o clássico
Barbour, os
foulards com motivos equestres, o tradicional
Land Rover e a preocupação com o chá que arrefecia enquanto o mundo lhes parecia cair em cima:
E claro, as celebrities (who??), um notório desprezo pelas celebridades. Mesmo sem já pertencer à família real, Diana pertencia à selecta e selectiva família das celebridades, enredada em exclusivos, sempre com o melhor sorriso onde quer que estivesse o flash de uma revista de referência, como escreveu o antigo director da revista Hola espanhola.
Prince Philip: Elton John wishes to sing at the funeral. Should be a first for Westminster Abbey. Elizabeth entra num outro "paradigma", como aliás é referido no filme: a fúria modernizadora enquadrada pela "revolução" que um jovem Trabalhista prometia ao velho Império.
Do filme retive dois aspectos absolutamente deliciosos: quando o seu Chefe de Gabinete (?) a foi informar de que as flores estavam a impedir a realização do render da Guarda no local centenário, a solução da Rainha foi mandar retirar as flores, pura e simplesmente. Não lhe ocorreu sequer que o render da Guarda se pudesse realizar noutro local.
E a cena nas cozinhas de Balmoral, quando a rainha acede à sugestão do Primeiro Ministro para a realização de um funeral de Estado, semelhante às cerimónias do planeado funeral da Rainha- Mãe. Aliás, fantástica a forma como a própria refere o seu funeral:
HM The Queen Mother: Charles, dear, use the royal flight. They keep one plane on permanent stand-by, in case I should kick the bucket.
Afinal, a Rainha sempre conheceu o seu povo e o que este esperava dela, como aliás concluiu um recente estudo da BBC sobre a semana após a morte de Diana. Como
Eurico de Barros refere, a Rainha não estava enganada e interpretou melhor " o verdadeiro sentimento popular britânico em altura de comoção geral do que Blair e os media": "Enterrar Diana em sossego e com dignidade. É por isso que o resto do mundo nos admira", teriam sido as suas palavras.
Para nós, que estavamos longe e observávamos tudo aquilo com enorme perplexidade, a expressão do Príncipe Filipe foi a mais óbvia:
Prince Philip: Sleeping in the streets and pulling out their hair for someone they never knew. And they think we're mad! Não me parece que o Príncipe Carlos se saia muito bem no filme, mas suponho que ele já esteja habituado a ser substimado: já leva em cima muitos anos de incompreensão e depois ninguém morre de amores por ele. Não falo da Camilla,claro.
Vai muito bem o Sr.
Blair e esteve à altura das circunstâncias. Mas
douradinhos para o jantar, Mrs. Blair? E o
Oliver teria gostado? Sobre a "moderna"
Mrs. Blair tenho pouco a dizer: previsível, péssimo gosto e algo desarrumada.
Irrepreensível, a Helen Mirren.
E quando o PM exclama: Will someone please save these people from themselves!, basta ver o filme para responder : Not yet Mr. Blair. Not yet.
De antonio salgado nolasco a 4 de Março de 2007 às 21:03
Eurico de Barros, gran crítico cinematografico
De MissPearls a 26 de Fevereiro de 2007 às 23:53
Obrigada Pedro. Acho que isto não é bem uma "crónica cinematográfica"
:)
Não perca este filme Cristina.
De Cristina Ribeiro a 26 de Fevereiro de 2007 às 00:15
Miss Pearls,dá-me bons motivos para ver o filme,que ainda não vi.
De Pedro Correia a 25 de Fevereiro de 2007 às 22:45
Excelente esta crónica cinematográfica que tão bem acentua os méritos de um notável filme, Miss Pearls.
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