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Falar mal e pensar pior

por Pedro Correia, em 07.01.07
Anda por aí um certo jornalismo que se vai multiplicando em pleonasmos, redundâncias e todo o tipo de incongruências, o que constitui um notório sinal dos tempos. A clareza da expressão associada à clareza do raciocínio é hoje um valor de baixa cotação no mercado informativo. A velha divisa dos praticantes deste ofício - «claro, conciso e compreensível» - torna-se estranhamente obsoleta perante a proliferação de expressões como «pequena aldeia», «um grande beijinho», «entrou dentro do edifício», «estádio completamente cheio», «aquela multidão de gente», «uma pequena minoria», «todos foram unânimes», «conclusão final» ou «repetiu novamente a dose». Anotei tudo isto só a título de exemplo, em peças jornalísticas recolhidas nos últimos dois últimos dias.
Há uns anos, nenhuma das frases atrás mencionadas passaria no crivo da mais incompetente das chefias. Hoje ouvem-se alguns jornalistas muito «conceituados» proferir dislates destes. Resultado? O discurso informativo vai perdendo qualidade de dia para dia. Falar mal é meio caminho andado para pensar ainda pior.

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15 comentários

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De Pedro Correia a 10.01.2007 às 19:41

Vasco, se há pessoa que não gosta de chutar para canto sou eu, garanto-lhe. Como demonstro diariamente neste blogue. Mas nunca faço questão de ter a última palavra numa polémica, até por ser "anfitrião" desta casa e considerar isso deselegante em relação aos "hóspedes". Não pense que me incomodam as críticas. Você emitiu o seu ponto de vista, como entendeu, e aqui ficou expresso. Volte sempre que quiser. Serve assim?
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De vasco morais a 10.01.2007 às 16:15

Reparo que o Pedro Correia continua especialista em chutar para canto.

Aos quesitos que eu levantei, disse zero, nicles, nada !

«The show must go !»
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De Pedro Correia a 09.01.2007 às 20:58

Vasco Morais, se nas páginas do "Avante!" houvesse a liberdade de crítica ao conteúdo editorial do jornal como há neste blogue em relação ao que aqui se escreve, como provam os longos parágrafos que você pôde aqui publicar com inteira liberdade (numa extensão maior do que o meu texto que contesta), garanto-lhe que o PCP teria uma imagem muito mais favorável entre os portugueses.
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De vasco morais a 08.01.2007 às 23:26

Pois é, Pedro Correia, falar mal e escrever mal não é bonito no jornalismo.

Mas o jornalismo não se limita a isso, antes obriga de facto a pensar e a entender as consequências lógicas do que os jornalistas ouvem das pessoas com quem contactam.

O seu texto hoje publicado no «DN» com o título «Comunistas e bloquistas com estratégias diferentes» pode não estar mal escrito mas devia ser guardado para nas escolas de jornalismo se ilustrar o que não pode e deve ser feito.

Se não, vejamos :

- António Rodrigues, assessor de imprensa do PCP, explicou-lhe que a reunião de Aveiro é «apenas para movimentos» que defendem o sim no referendo; mas isso não o impediu de manter à cabeça da notícia que desta reunião «estará ausente o Partido Comunista», quando afinal, enquanto partido vai estar tão ausente quanto o PS e o Bloco de Esquerda;

- depois você descreve cinco movimentos que vão estar presentes mas acrescenta que nestes grupos estão «representados» dirigentes e deputados do PS, do Bloco de Esquerda e até do PSD»; mas «esqueceu-se» que, entre esses cinco movimentos, incluiu o «EM MOVIMENTO PELO SIM» em que, como é público e notório, TAMBÉM PARTICIPAM MILITANTES,QUADROS E DIRIGENTES DO PCP ( e é você mesmo que, umas linhas à frente, se refere à participação nesse movimento de Odete Santos e à sua não apurada presença na reunião «a título individual» (só sobrando a pergunta se toda a gente não vai estar a título individual).

- por fim, o PCP é referido como tendo criado «um movimento próprio», ignorando-se a composição unitária desse movimento e sobretudo a sua existência (com outro nome)já antes de ser aprovada na Ar a proposta de referendo; e não se explica se os outros movimentos não foram criados por «mãozinha» do PS e do BE;

Por fim, obrigadinha pelo destaque dado à «boutade» de Louçã de que «gostaria que houvesse mais campanha do PCP e do PS»; quer dizer, o «bruxo» do Louçã a 8 de Janeiro já sabe se a campanha do PCP vai ser muita ou pouca. E até parece querer decidir sobre os recursos financeiros e as opções de propaganda do PCP ao lamentar que o PCP não tenha «outdors» !

Concluindo: Pedro Correia, os erros de escrita são detestáveis mas os enviesamentos preconceituosos das notícias não o são menos.
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De Pedro Correia a 08.01.2007 às 20:08

Um abraço, António Cardoso Pinto. Gostei muito de te ter por cá. E se há quem saiba muito deste tema és tu...
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De Anónimo a 08.01.2007 às 10:21

Os exemplos de melhor e mais conciso jornalismo vêm... não sei se vos diga... pois vêm dos gratuitos, aí têm.
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De LB a 08.01.2007 às 10:02

Totalmente de acordo.
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De Anónimo a 07.01.2007 às 22:35

... uma realidade que dói ...
Totalmente de acordo, Pedro!
Aproveito para te dar um abraço e os parabéns pelo "corta-fitas"!
antoniocardosopinto
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De Veliberalino a 07.01.2007 às 22:34

Não sejamos tão severos com esses "defeitos" da linguagem usada por quem se dirige ao grande público. Na verdade, eles servem, essencialmente, para realçar certas partes do discurso.
É claro que também pode haver um ou outro descuido, como acontece quando se diz "Anotei tudo..., em peças jornalísticas recolhidas nos últimos dois últimos dias". Mas é desculpável...
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De Anónimo a 07.01.2007 às 22:31

Totalmente de acordo, Pedro!
...uma realidade que dói...
Aproveito para te dar um grande abraço e os parabéns por este "Corta-fitas"!
antoniocardosopinto

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