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Recordemos: em Maio de 2011 o défice orçamental português (que segundo Nicolau Santos caíra «a pique em Janeiro») subira até aos 10%. Os juros da dívida pública de longo prazo ultrapassavam alegremente a anunciada barreira da insustentabilidade dos 7% e galopavam para os 10%. O Estado, conduzido à pré-bancarrota pelo governo do senhor Sócrates, via-se na iminência de cessar pagamentos, e o senhor Sócrates via-se perante a necessidade de pedir ajuda externa. Veio a troika (que, segundo Nicolau Santos dizia em Janeiro de 2011, «já não vinha»). Em estado de necessidade, mal e à pressa, os socialistas aceitaram e subscreveram a troco de dinheiro um memorando de entendimento gravoso para a soberania, as finanças, a economia, o emprego, as empresas e o Estado Social portugueses.

Em Maio de 2011, a credibilidade externa do Estado e das instituições portuguesas media-se por isto: ninguém nos emprestava um carrinho de linhas, o ministro das Finanças era tido famosamente na conta de «o pior ministro das Finanças da Europa» (The Economist) e do senhor Sócrates dizia o Financial Times que não se podia ter uma união monetária «with the likes of M. Sócrates», isto após o ouvir anunciar a assinatura do memorando anunciando o que não estava no memorando e omitindo o que lá estava.

Menos de dois anos depois, com pesado sacrifício dos Portugueses e bastante coragem e rigor por parte do Governo:

- o défice orçamental foi reduzido a metade;

- os juros da dívida pública de longo prazo baixaram dos 6% pela primeira vez desde 2010 e os da dívida de curto prazo rondam os 3%;

- Portugal descolou da imagem da Grécia e a sua credibilidade vai de par com a da Irlanda;

- cumpridas ponto por ponto as metas do Memorando, o Governo português obteve dos seus parceiros internacionais, sob pretextos de correcções técnicas, mais 4 mil milhões de euros para investir na economia (para crescimento -- diferente do «crechimento» socialista que consiste em investimentos não reprodutivos e ilusões temporárias de emprego);

- cumpridas ponto por ponto as metas do Memorando, o Governo português vai agora conseguir o alargamento do prazo de pagamento do empréstimo internacional para o dobro do tempo previsto, sem que por isso seja alargado o prazo de «protectorado» da troika;

- cumpridas ponto por ponto as metas do Memorando, o país regressa aos mercados 8 meses antes do previsto para colocar 2-3 mil milhões a 5 anos, e os rumores sobre ratings são ao contrário: há zunzuns de que as agências de rating se preparam para subir o rating da dívida portuguesa. 

Àquilo que Sic, TVi, TSF (e amanhã, sem dúvida, o Público) andam a fazer com estas notícias chamava-se dantes «rabiar».

Os soldadinhos socialistas (soldado = aquele que recebe um soldo) andam a rabiar, falando de contradições do governo, falando de necessidade de «explicações» por parte do governo, fazendo-se desentendidos sobre como diferentes tempos exigem diferentes políticas (ser bom aluno quando se deu ao professor graves motivos de desconfiança; beneficiar e exigir regalias quando se reconquista a confiança). Os socialistas e os soldadinhos dos socialistas fingem não compreender que o mais tempo e mais dinheiro deste Governo é o reconhecimento de méritos e políticas, coisa muito diferente do «mais tempo e mais dinheiro» dos pusilânimes que negoceiam um acordo e, pousada a caneta, começam a esquivar-se a ele.

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8 comentários

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De Mr. Black a 23.01.2013 às 01:51

Já pode ir levantar o seu cheque à PCM.


O estado de alienação das arrastadeiras continua.
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De Zwei a 23.01.2013 às 03:29

Muito bem!
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De Manuel a 23.01.2013 às 11:36

Bom post. Descreve o que toda a gente já percebeu.


Portugal tem de começar a ser governado por pessoas competentes que colocam os interesses do pais à frente dos seus e dos seus prosélitos do partido. Como acontece no norte da Europa, na Europa civilizada.
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De jo a 23.01.2013 às 11:37


Fico satisfeito em saber que o problema da economia portuguesa já não é o défice mas sim a taxa de juro dos mercados.
Não sei se se pode dizer que se cumpriu um memorando quando este apontava para um défice de 4%, foi emendado para 5% e foi necessário um truque contabilístico com a privatização da ANA para ele ser cumprido (e nem isso é certo).
Entretanto criámos um desemprego monstruoso para atrair investimento. O investimento caíu mais que o emprego e vamos desmantelar a protecção social enquanto aumentamos os impostos. A descição de uma vitória económica!
Temos sempre a satisfação de dizer que este governo é melhor que o anterior. É uma pequena satisfação mas está à medida de quem nos governa - pequenina.
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De Carlos Coelho a 23.01.2013 às 12:00

Apenas uma nota para alertar que as datas acima mencionadas estão incorretas. A troika entrou em Portugal em Maio de 2011 e não 2010 como refere. 
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De José Mendonça da Cruz a 23.01.2013 às 12:44

Obrigado pela oportuna correcção. Passei a emendar o texto.
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De Cristiano Reinaldo da política a 23.01.2013 às 15:18

Dívida acima de 120% do PIB... mais uma grande vitória de gaspar et al. mas voltámos ao mercado... urra, urra, urra, urra... agora sim vai tudo melhorar... para os banqueiros!
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De Floriano Mongo a 23.01.2013 às 16:48

Não esquecer o pai da pátria. Quando Soares se pronuncia, a memória foge apavorada, a verdade providencia um copo de estricnina, a História refugia-se no pó dos livros, a vergonha na cara esconde-se num escombro. Já os portugueses que não tratam alguns princípios a pontapés, ficam pálidos de espanto ou vermelhos de vergonha.

 

Todos, menos os devotos do padrinho: “Quando Soares fala, o mundo ilumina-se” derramam-se os olhos ofuscados por tanta luz.

 

Quando recuperar a voz, Soares será interpelado por jornalistas doidos por lhe darem o que ele mais gosta: o microfone. Então, o mais loquaz dos presidentes será confrontado com perguntas amigas cujas respostas desafiam o mundo real. Como pretende ter toda a razão, julga-se com direito a tudo, até matar de inveja o mais delirante dos esquerdistas.

 

 

Os cargos que ocupou, a responsabilidade que ele e o seu partido têm na situação do país, recomendariam algum decoro e dignidade e não escolher atropelar a memória, agredir a coerência, o bom senso e as mais elementares normas éticas e morais. Para políticos como Soares, só existe um crime imperdoável: perder o poder.

 

Visto de perto, o presidente que nunca desencarnou de Belém, vem gastando a voz e esbanjado os últimos anos de vida decidido a confundir-se com um triste fala-barato.


Daqui a uns anos a única proeminência que lhe restará, é um longo capítulo na história do Portugal da mediocridade.  

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