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Números

por Luísa Correia, em 21.01.13
(Às Portas de Santo Antão...)

Se há vontade de minimizar o impacto dos acontecimentos, não há como traduzi-los em números. Por esmagadores que estes sejam, a realidade perde-se numa abstracção, que não faz apelo à imaginação e anestesia. Um caminho que o nosso sentido de humanidade deveria evitar. Mas para que o comodismo nos impele irresistivelmente.
Os factos noticiam-se, predominantemente, em índices, médias, percentagens. Sejam eles a fome, a pobreza, a doença ou o desemprego, sejam os efeitos de uma guerra, um tufão, um sismo ou uma operação de resgate.
Não pretendo desconsiderar os esforços que se investem na melhoria de tais números. Mas lamento que falte, nesta redução das coisas a cifras carregadas de zeros e a quocientes de representatividade social, a consciência de que o sofrimento não é um conceito vago, aplicável a um colectivo e dependente da extensão deste, mas uma dor que degrada o corpo e desespera a alma de cada pobre, de cada doente, de cada desempregado, de cada excluído, de cada pessoa, enfim, que compõe aquele universo sumariamente quantificado.
Claro que, com isto, ninguém fala em erradicar as causas do sofrimento, mas apenas em controlar a sua expressão estatística. Ninguém presta atenção aos pequenos números. Nem ninguém pensa que o caso único poderia ser ele próprio.

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2 comentários

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De Gustavo Santos a 22.01.2013 às 09:21

Permita-me que discorde:

o mais nobre objectivo da Política é proporcionar a melhor qualidade possível ao maior número de pessoas. Ao maior número de pessoas...
Os políticos não podem tratar de pessoas individuais; quando o fazem é para cometer uma injustiça para com os demais.
A única forma de promover o crescimento e o bem-estar é fazê-lo de forma sistemática e, portanto,justa.
Apenas essa atitude pode, verdadeiramente, minorar o sofrimento das pessoas consideradas individualemnte, que é o que se deseja.
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De Luísa Correia a 23.01.2013 às 05:38

Mas eu concordo consigo, Gustavo. Os políticos e os especialistas têm de aferir os resultados das suas políticas e da sua acção através de números. Do que eu falo de nós... 

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