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Filipe V

por Luísa Correia, em 20.01.13

Herdei uma nova biografia de Filipe V, escrita por Luciano de Taxonera: "Felipe V, dos veces rey de España". Já comecei a lê-la, mas não posso ainda dizer como aborda a transição da Espanha dos Habsburgos para a Espanha dos Bourbons, nem se satisfará cabalmente o meu interesse «voyeurista» nos exotismos de uma das mais curiosas personalidades reais.
Como se sabe, Filipe V sofria de bipolaridade, e viveu entre sucessivas euforias e depressões, acalentando terrores que o fizeram fechar-se, pontualmente, ao mundo, assumir temporadas de mutismo absoluto, só interrompido por uns desabafos com o «valet de chambre», vestir, à laia de protecção contra improváveis envenenamentos, os trajes menores da mulher e descurar ao extremo a sua higiene pessoal, incluindo o corte da barba, que alguns contemporâneos compararam à de Nabucodonosor, e o arranjo das unhas dos pés, cujo crescimento e «encaracolamento» chegaram a impedi-lo de andar.
Taxonera dá conta de alguns destes factos, mas sumariamente, porque o seu propósito parece ser o de valorizar um período marcado por zelos de recuperação de uma Espanha debilitada pela guerra. Só quando chega ao momento de referir que o rei também trocou os dias pelas noites, tomando o "desayuno" ao pôr-do-Sol e saindo a pescar com a sua corte às três da madrugada, o autor admite, a contragosto, falar em loucura.
Pela minha parte, discordo liminarmente do uso de tal palavra a respeito de tão singela alteração biorrítmica. Ele há metabolismos, que diabo! Eu própria, se me apanho liberta de compromissos laborais, descambo num horário muito vespertino. É que nunca me apercebi de que o «deitar cedo e cedo erguer» desse saúde e fizesse crescer, … ou fosse, pelo menos, divertido.

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2 comentários

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De Nuno Castelo-Branco a 20.01.2013 às 10:00

Filipe V é uma personagem interessante e atirada para a fornalha espanhola pela vontade dos interesses franceses. Não podendo pura e simplesmente reivindicar a totalidade da herança espanhola para si próprio, Luís XIV - tão Casa de Áustria como o seu concorrente de Viena -, apresentou o neto como o principal candidato à sucessão de Carlos II. Filipe V jamais deixou de ser francês e em francês sempre se exprimiu em Madrid. Nunca falou castelhano e chegou a acalentar esperanças num regresso a Versalhes, dada a fragilidade do rei-menino Luís XV. 
Era totalmente dominado pela forte personalidade da sua segunda mulher, a rainha Isabel Farnésio. Conhecendo a variação de humores de Filipe, a rainha conduziu a política externa do país, causou instabilidade no sistema europeu saído da paz de Utreque, mas há que reconhecer o seu papel na restauração da influência espanhola na Itália - Parma e Nápoles/Duas Sicílias -, servindo-se da sua prole para o estabelecimentodessa nova ordem bastante pró-bourbónica e em detrimento da Casa de Áustria. 
O rei abdicou no seu primogénito Luís, mas esse afastamento durou apenas alguns meses, pois tendo o novo monarca morrido e não se verificando o "chamamento de Paris", Filipe retomou o seu lugar, ainda mais influenciado pela sua mulher. Ao contrário do seu avô Luís XIV, Filipe não foi dado a aventuras com amantes instaladas "en titre2 e mesmo fisicamente era controlado por Isabel Farnésio que com ele dormia - para enorme espanto e escândalo de espanhóis e estrangeiros - na mesma cama.
Da passagem de Filipe V pelo trono espanhol, há a reter uma certa reorganização do aparelho do etado segundo o mais eficiente  moderno modelo francês e um persistente intervencionismo na política europeia, provocando a instabilidade. Sucedeu-lhe Fernando VI, também influenciado pela consorte real que para sorte de Portugal, era Bárbara de Bragança. Pacífica, muito inteligente e extremamente culta, de muito nos srviu para a consolidação das fronteiras do Brasil e para a manutenção da paz entre Portugal e Espanha. 
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De Luísa Correia a 21.01.2013 às 22:35

É preciso ler muito mais do que biografias para fazer este seu resumo do caso, Nuno. Também é certo que eu, em matéria de biografias, fixo sobretudo os detalhes "privados". Por isso, posso confirmar a intrínseca fidelidade conjugal de Filipe V, já evidenciada no seu primeiro casamento. É verdade que a viuvez, apesar de intensa, foi curta. Mas o interesse do Estado impõe isso mesmo: raínha morta, raínha posta. 

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