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Parece que os cubanos vão poder conhecer mundo...

por João-Afonso Machado, em 16.01.13

De forma magistral, Jean-François Revel (A Tentação Totalitária) explicou tudo: a estratégia do socialismo ciêntifico (à época, a linguagem de Karl Marx impunha-se aos homens, à realidade e ao bom-senso) assentava basicamente no extermínio das perspectivas histórica e utópica. Abreviando, a Esquerda imperava, onde alcançasse o Poder, de uma forma simples e eficaz: recontava o Passado, aldrabando-o; e bloqueava o acesso ao Presente no exterior dos seus domínios, impedindo as comparações, logo os sonhos para o Futuro. E, desfuturado, o homem socialista desconhecia a Vida para além do seu quotidiano posto ao serviço da batalha da produção. Em suma, não chateava.

A queda do Muro de Berlim só é a cabal demonstração de que a Humanidade não é transformável em irracionalidade.

Depois foi o corre-corre, a hercúlea tentativa de adaptar o discurso a tempo de evitar a derrocada absoluta. Ceausescu foi executado porque se atrasou ligeiramente.

Restou o exotismo asiático e caraibenho. Este último, resistente como o corso da Tortuga, só agora parece dar sinais de abertura: quando, dizem eles, os cubanos maiores de 18 anos podem, enfim, deslocar-se ao estrangeiro, se devidamente portadores de passaporte válido.

(A ver vamos o que a burocracia socialista inventará para validar os passaportes...).

A medida não é importante - é importantíssima. Cerca de 2 milhões de cubanos no estrangeiro, talvez assim consigam regularizar a sua vida. E, porventura, será o fim das deserções de tantos cubanos incluidos em missões profissionais ou desportivas. Por arrasto, dos seus guardiões também (dogues... cubanos?).

Tudo materializando um passo em frente nos dificeis caminhos do mundo que se quer livre. E o silêncio prudente da Esquerda lusa - definitivamente arruaceira, contra tudo, pró nada.

Por isso, o desabafo final, propositadamente da maior incorreção política: comparada com a nossa marcelista, a primavera castrista é o mais agreste inverno nevando sobre tão infelizes fazedores de charutos para os ricos.

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1 comentário

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De Floriano Mongo a 19.01.2013 às 16:01

Os males que o socialismo causou à humanidade não são triviais. Deveria bastar, para despertar o repúdio dos sensatos, o facto de que nenhuma outra convicção, ideologia, crença ou religião ter morto tanta gente.

Não obstante, os marxistas ainda reivindicam, e assim são tratados, a condição de viajantes da utopia e da generosidade.
Fora da esfera moral, há a histórica, aquela em que transitam os comunas lusos considerados relíquias de uma ideia homicida.

São os “humanistas” de uma fantasia liberticida — que, de resto, evidenciou a falência de todos os seus pressupostos teóricos.

O comunismo já havia desmoronado sob qualquer ângulo que se queira. Os nossos comunas confrontados com os factos, seguiram, no entanto, prisioneiros da sua ideia.

Eles como tantos tiveram a chance de presenciar evidências concretas dos seus equívocos. Testemunharam o desmoronamento do comunismo, com a implosão do sistema soviético no começo da década de 90.


O encadeamento dedutivo lógico, racional, dessa constatação só podia ser o reconhecimento de que a sua própria obra tinha uma falha estrutural de nascença — a cegueira aos crimes do comunismo.

Marx acreditava-se um observador científico da realidade, cujas afirmações sobre a superação do capitalismo pela revolução comunista não eram meras previsões. Eram profecias. A classe operária ficaria tão numerosa e miserável que tomaria inevitável o confronto vitorioso final com a burguesia.

Algo correu mal.


Em vez de empobrecerem, os operários foram ficando mais ricos — muito mais ricos do que os seus antepassados jamais sonharam.

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