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O radioso futuro da República Portuguesa

por Duarte Calvão, em 13.01.13

Os mandatos de Cavaco Silva como presidente da República estão a ter para os monárquicos a enorme vantagem de mostrar à direita portuguesa como é inútil ter pessoas que gozavam de boas reputações como governantes a desempenhar o cargo. No entanto, por motivos de inércia mental, ainda há muito quem pense que o problema é da pessoa, em vez de constatar que este nosso original sistema semi-presidencial é prejudicial ao bom governo do país e se recuse a analisar até a hipótese republicana de presidencializar o regime ou enveredar pelo parlamentarismo, elegendo o presidente de forma indirecta, como fazem democracias europeias como a Alemanha ou a Itália. Aliás, é curioso constatar que só os monárquicos defendem o parlamentarismo em Portugal.
Mas se o problema é do indivíduo que ocupa o cargo, para os republicanos semi-presidencialistas portugueses o futuro adivinha-se tão mau que até seria divertido, se não tivesse, como sempre acontece, consequências nefastas para o país. À direita, perfila-se Marcelo Rebelo de Sousa como candidato. Se for eleito, vai ser lindo ver semanalmente, agora no palácio presidencial em vez de num estúdio televisivo, “O Professor” a intrigar toda gente contra toda a gente, a achar que governa melhor, com a sua evidente superioridade intelectual, que qualquer desgraçado que lhe calhe como primeiro-ministro.
Devo dizer que não acredito que Durão Barroso avance. Eu sou, além dos seus familiares e amigos mais chegados, um dos 17 portugueses que considera que ele não “fugiu” quando foi para Bruxelas, não compreendendo o juízo que a esmagadora maioria dos portugueses (à esquerda e à direita) fazem dele, desprezando as vantagens para nós em haver um português a ocupar um dos mais importantes cargos da política mundial. Não deixa de ser interessante como, por exemplo, muitos brasileiros que eu conheço valorizam muito mais o cargo de Durão Barroso do que os portugueses, considerando-o inclusive que é a melhor demonstração de que Portugal mudou e hoje é parte integrante da Europa comunitária e já não o país irremediavelmente atrasado dos tempos de Salazar, imagem que perdurou (e que até certo ponto ainda perdura) no Brasil até há bem poucos anos Mas nem vale a pena discutir o assunto, já que é sabido que a auto-flagelação e o desprezo por quem triunfa são dois dos mais praticados desportos nacionais.

Voltando ao tema deste post, não me parece nada que Durão Barroso, sabendo da fraca imagem que deixou em Portugal, mesmo entre a sua “base de apoio” política, se arrisque a concorrer a um cargo como o de presidente da República portuguesa. Ainda por cima, depois de ter desempenhado as funções que desempenhou, não deve ter grandes atractivos, nem significado. Espero que ele se ocupe com coisas bem mais úteis.
Quanto aos candidatos da esquerda, os nomes mais falados são António Guterres e Carvalho da Silva. Escuso de ir mais adiante. Apesar de achar que são honestos e patriotas, ver qualquer um deles como chefe de Estado é, para mim, inimaginável. Mas como os republicanos acham que “qualquer um” pode se candidatar a presidente e até vencer os candidatos de origem partidária, cá fico à espera para ver quem vai surgir e  conduzir a República Portuguesa para o seu radioso futuro. Ainda há tempo, não desanimem.

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1 comentário

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De Vasco M. Rosa a 06.02.2013 às 08:27

Pois é, Duarte, é tempo de não mais tapar o sol com a peneira. Se Cavaco é omisso, que dizer dos que se perfilam para a próxima corrida presidencial? Na equação do futuro, joga-se mais que uma substituição de figurinhas e de figurantes ou figurões. Entretanto, Jorge Sampaio veio mostrar a sua irrelevância exibindo (parece-me o termo) um tijolo biográfico de 900 páginas, primeira parte de coisa nenhuma. Encarar a questão do regime pode parecer uma utopia, mas ajuda sem dúvida a pensar este imbróglio em que estamos. Um abraço, Vasco

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