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Estou farto deste jornalismo de merda

por José Mendonça da Cruz, em 09.01.13

Estou farto da informação reaccionária e terrorista, que, em vez de estudar e explicar os assuntos, os submerge no que proclama serem as fatais e inevitáveis consequências. Farto de ver medidas graves e sérias como as que o FMI propõe para a redução da despesa serem descartadas, sofrerem como tratamento serem despejadas sobre elas as sentenças grosseiras e retrógradas do comunista de serviço. Estou farto da parcialidade e da preguiça.

Estou farto de directores e editores cheios de narrativas pré-fabricadas na cabeça, destituídos de capacidade ouvinte, despidos de curiosidade além do próprio e indigente pré-juízo, apostados em afogar os factos nas suas pobres certezas.

Estou farto da esperteza saloia dos rebanhos redactoriais, da sua presunção ilegítima de que o seu poder vale mais que o voto. Farto do engraçadismo que extravasou das croniquetas para malformar as notícias, farto das reprimendas em off por aquilo que os políticos «só não disseram», farto de remoques pessoais e ressentimentos pedantes.

Estou farto desta manipulação descarada, boçal e presumida que treslê relatórios, que omite os factos que contrariem o preconceito, que falsifica discursos feitos em português de lei sob o pretexto de que eram «herméticos». Estou farto desses medrosos, desses cadáveres, que pintam tudo de negro e suspiram pelo imobilismo.

Estou farto do catastrofismo com que pintam as notícias, farto dos que choram por causa da dívida pública, por causa do excesso de betão, por causa da ruína da paisagem, e, mal virada a esquina, choram que haja arrefecimento na construção civil. Farto de ver reportagens inteiramente direccionadas para a obtenção de queixas públicas, e de ver as mesmas reportagens concluir pelo desastre quando, nas entrevistas de rua, foram unanimente desmentidas. Estou farto de ver um aumento de 5 cêntimos nos táxis promovido a suplício do povo.

Estou farto de agentes políticos (que ninguém quiz na política) mascarados de jornalistas, a promoverem as suas especiais crenças e as dos amigos, a promoverem os aldrabões que lhes subscrevam os pontos de vista. Estou farto de jornais que espezinham as mínimas regras deontológicas, e logo vêm, inexplicavelmente ufanos, proclamar-se «de referência». Farto de incúria e desonestidade impunes.

Estou farto dos desgraçados que se sonham contrapoder enquanto vão baixando a sua audiência e as suas tiragens, e depois alucinam que a culpa é da crise e da austeridade.

Estou farto de ver como certos fora que são ilhas de inteligência, refúgios onde gente que estudou e pensou debate com serenidade e inteligência, de ver como desses fora não transpira uma gota de bom senso, de trabalho, de seriedade para as notícias.

Estou farto dos manipuladores que entendem que o «contraditório» consiste em dedicar 5 segundos a uma fonte do governo e fazê-la seguir de 10 minutos de opinião do Bloco e do PCP ou do primeiro sociólogo que consigam colher na rua.

Estou farto de imbecis com carteira de jornalista a fazerem dos noticiários um rol de opiniões tontas, farto de ver noticiar, não as greves e seus motivos ou falta deles, mas as «emoções» de passageiros frustrados e os dichotes alarves da Inter.

Estou farto da ignorância e do populismo que presidem à hierarquização das notícias, farto do fogo ou do acidente que precedem um evento muito menos espectacular mas de consequências muito mais gravosas.

Estou farto desse jornalismo de pacotilha que alega que é modernidade o que não passa de falta de formação, critério e cultura. Farto de ver pôr no mesmo patamar os rabiscos pintalgados por alguma deputada pinceleira e as obras e o percurso de grandes escritores e artistas.

Não me farto de deslocar-me à cabina de voto. Mas fartei-me de me deslocar às bancas. Não me cansa ser jornalista. Mas cansa-me este jornalismo de merda.

 

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30 comentários

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De Luísa Correia a 09.01.2013 às 19:04

Eu tb, José. Por isso, fujo dele como o diabo foge da cruz. E já só vou tendo informação por esta via. 
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De José Mendonça da Cruz a 09.01.2013 às 19:10

Ainda faço uma ressalva, a do Jornal de Negócios, cujo dossier, completo e em cima do acontecimento, sobre as propostas do FMI é do melhor que há.
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De O Falso Rei das Pampas a 09.01.2013 às 19:36

Não sei quem é o comunista de serviço (e estou-me cagando) e não sei quais são esses discursos que foram feitos em português de lei nem que desastres foram desmentidos nas entrevistas de rua (nem estou muito interessado)
Mas estou farto de ver como em certos 'fora' que se proclamam ilhas de inteligência, refúgios onde gente que estudou e pensou se supõe debater com serenidade e inteligência, não transpira uma gota de bom senso, de trabalho, de seriedade para com a situação em que vivemos e com a destruição do país e da sua economia.
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De José Mendonça da Cruz a 09.01.2013 às 22:36

Ó Pampas, nos fora onde estão António Filipe ou Honório Novo, que a mim me parecem dos mais preparados e serenos políticos do momento, também não há bom senso? Nem inteligência? Nem Trabalho? Ou, apud Pampas, se houver é só da parte deles?
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De António José Cortes a 09.01.2013 às 19:44

Assino por baixo
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De João Távora a 09.01.2013 às 21:08

Vou arranjar-te um fonógrafo. Comigo tem resultado.
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De José Miguel Cerdeira a 09.01.2013 às 21:15

É por isso que eu agora ou leio em blogs ou vou às fontes em bruto. Já estou a ler o relatório do FMI.
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De José Mendonça da Cruz a 09.01.2013 às 22:46

E não concorda comigo que é triste uma tal situação, em que os que poderiam ser destinatários desconfiam (com boa razão) dos intermediários e estão dispostos ao trabalho de ir à fonte?
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De José Miguel Cerdeira a 10.01.2013 às 16:12

Seria pior se mesmo com a mediocridade do que existe em termos de intermediários, nos limitássemos todos a comer e a calar. Nisso tenho de agradecer imenso a vários blogues e bloggers, também ao Corta-fitas, por me terem ajudado a abrir os olhos. Com 20 anos e já há algum tempo, leio as notícias pela blogosfera antes de ver os telejornais.
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De Luís Santos a 09.01.2013 às 22:06

Partilho da mesma saturação pela "opinião publicada".
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De José Pires Lopes a 09.01.2013 às 22:09

Bravo!!!
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De zé luís a 09.01.2013 às 22:33

Fartos! Cada vez mais!


 
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De jsp a 09.01.2013 às 23:21

Mais que apoiado.
Há já bastante tempo que advogo a superioridade moral dos produtos da Fábrica Renova face ás folhas de couve dos palmas cavalinhos cá da paróquia...
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De Sólon a 09.01.2013 às 23:32


E eu estou farto da subserviência aos donos do capital, troikas, fmi e quejandos, que põem e dispõem na nossa casa e nas nossas coisas como não farão nas deles... !

E estou farto deste governo de rapazolas (Medina Carreira dixit) que só sabem cortar nos mais pobres, que aumentam brutalmente os impostos e estão a afundar o País inexoravelmente... !


E estou farto de ver 230 deputados num país de 89.000 km2 e com dez milhões de habitantes, deputados que nada de útil fazem e se entretêm com discussões bacocas...


E estou dos vencimentos, subvenções vitalícias e outras que tais desses tais deputados e outros da corja da administração que trabalham (?!) meia dúzia de anos e vêm depois cá para fora com pensões escandalosas, sobretudo se postas em confronto com os pobres que trabalham (a sério!) 40 e 50 anos e recebem umas migalhas de 200 ou 300 euros para morrerem à fome...


E estou farto deste governo que prometeu cortar nas "gorduras" e, afinal, só tem engordado mais e mais... !


E estou farto destes incompetentes e imbecis que andam a fazer de governantes...!!!

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De murphy a 10.01.2013 às 10:05

Fartinho!... Os políticos são maus, mas os jornalistas...

http://jornalismoassim.blogspot.pt/2013/01/constitucionalidade-e-quando-um-homum.html (http://jornalismoassim.blogspot.pt/2013/01/constitucionalidade-e-quando-um-homum.html)

Os srs. Jornalistas lançam um slogan que diz assim “todos os pensionistas vão ser prejudicados”, mas isso não é verdade.  Eis o que vai ser declarado inconstitucional em algumas semanas: num País onde 90% das pensões são inferiores a 600 €, este OE prevê, o agravamento em IRS de:

- 10% para as pensões acima de 1.800 €/mês;

- 25% para as pensões acima de 5.000 €/mês;

 - 50% para as pensões acima de 7.500 €/mês;

As pensões mínimas - que afectam a maior parte dos reformados, portanto, não são cortadas  – vão ter uma actualização com a inflação. A comunicação social, como seria a sua obrigação,  informa os cidadãos disto!?...

Acordem e pensem “que portugueses vão beneficiar deste clima que está criado contra o Orçamento de 2013?”. E porque não se falam de situações como esta?:

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