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De uma vez por todas

por Maria Teixeira Alves, em 08.01.13

Em respostas aos "colegas" bloggers dos blogs Declínio e Queda e Câmara Corporativa volto a repetir uma última vez e não volto ao tema porque só não percebe quem não quer. Tal como podem ver neste artigo do DN de 4 de Maio de 2011, portanto ANTES DAS ELEIÇÕES que deram o Governo ao Pedro Passos Coelho, portanto à Direita (dói, não dói?), a notícia tem o título "Governo e 'troika' destinam 12 mil milhões de ajuda aos bancos" e tem o subtítulo "os bancos portugueses poderão vir a receber 12 mil milhões de euros de ajuda externa, incluídos no pacote de 78 mil mil milhões de euros que vai ser entregue a Portugal.

Ou seja, os 12 mil milhões para ajudar os bancos (onde foi o Estado buscar os 1,1 mil milhões para pôr no Banif, os 3 mil milhões para pôr no BCP e os 1,3 mil milhões para pôr no BPI  e ao contrário de pessoas que julgam saber, e que li em comentários, a CGD NÃO pode, pela lei europeia, recorrer a esta linha)  estão incluídos nos 78 mil milhões de euros que vieram (ainda estão a vir em tranches) para Portugal.

Para também responder a pessoas que fazem comentários ignorantes e têm o topete de pôr em causa as minhas competências como jornalistas de economia, volto a explicar que o que a troika injectou em Portugal, e está contratualizado desde o início de Maio, são 78 mil milhões de euros ( o que volto a repetir mais devagar agora)  .... inclui os 12 mil milhões de euros que serviram para pôr no Banif. Nós pagamos essa linha, quer haja bancos falidos quer não. Chega de trapaceirices intelectuais. 

A linha de capitalização da banca foi criada a nível europeu depois da crise do subprime. Esta linha começou por ser criada em 2008 com o montante de 4 mil milhões. Ao mesmo tempo foi criada uma linha de garantias estatais (de que beneficiou o BPP por exemplo) para ajudar os bancos a ir aos mercados que se fechavam para eles. Essa linha tinha o limite de 20 mil milhões de euros. Foi resultado dessa circunstância que o Banif acumula hoje 1,175 mil milhões de empréstimos garantidos pela República. Logo se o banco fosse à falência os contribuintes teriam um rombo de 1,175 mil milhões de euros à partida, portanto superior à linha de 1,1 mil milhões de euros que o Estado lá pôs. 

 

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11 comentários

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De Miguel Loureiro a 08.01.2013 às 10:46

Por favor, explque-me: E porque é que tem que ser os contribuintes a pagar as dívidas dos bancos? Por acaso não quer pagar as minhas?
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De Maria Teixeira Alves a 08.01.2013 às 15:08

http://www.bportugal.pt/en-US/OBancoeoEurosistema/ComunicadoseNotasdeInformacao/Pages/combp20111026-1.aspx


  1. The Financial Assistance Programme to Portugal includes a bank solvency support facility which amounts to €12 billion. This means that there is sufficient public provision of equity available to recapitalise banks in the event that marked-based solutions do not materialise as would be desirable.
      
  2. As is well known, under the Financial Assistance Programme the largest Portuguese banking groups are subject to strengthened quarterly assessment procedures, specifically regarding compliance with the solvency levels set by Banco de Portugal and the ongoing deleveraging processes.
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De Miguel Loureiro a 08.01.2013 às 10:47

Por favor, explique-me: E porque é que tem que ser os contribuintes a pagar as dívidas dos bancos? Por acaso não quer pagar as minhas?
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De jo a 08.01.2013 às 13:19


E provavelmente o Estado paga agora os 1700 milhões, que vão servir para salvear amigos e afins do banco que estão entalados, e quando o banco falir paga as garantias.
Se calhar era preferível pagar logo as garantias.
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De Maria Teixeira Alves a 08.01.2013 às 15:14

Mais uma vez explico que os empréstimos garantidos vão ser extintos no âmbito desta recapitalização. Isto é, estes empréstimos garantidos pelo Estado vão deixar de existir. Em troca o Estado obrigou o Banif a investir os 1,1 mil milhões de euros em dívida pública. O Estado empresta ao Bani e o Banif empresta ao Estado. 
Sabem uma coisa, eu adoraria ler uma crítica ao assunto que fosse assente em conhecimento. Adoraria ler um argumento inteligente sobre o assunto, mas só oiço indignações baseadas em ignorância, não só nos blogs, mas também na televisão. 


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De joaoR a 08.01.2013 às 15:03

cara MTA ,
continuo sem conseguir seguir o rasto do dinheiro.
 Diga-me por favor se a responsabilidade dos tais 1175me em garantias estatais continuam activas!?
e caso a resposta seja negativa -como indicava no seu post anterior- explique-me como sobra dinheiro para agora o Banif aplicar em OT . 




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De Maria Teixeira Alves a 08.01.2013 às 15:57

O Banif ainda tem 1,175 mil milhões de obrigações emitidas com garantias do Estado. Estas obrigações estão a suportar empréstimos do BCE. O Estado vai pôr no Banif 1,1 mil milhões (700 milhões através da subscrição de novas acções especiais e 400 milhões através de um empréstimo "subordinado" (chamemos-lhe assim). Mas previamente a este acordo de recapitalização ficou acordado que o Banif terá de devolver as garantias dos empréstimos ao Estado. Logo essas obrigações Banif garantidas vão ser extintas. Mas isso deixa os empréstimos ao BCE sem colaterais. Logo o Banif acordou com o Estado, e faz parte do documento que é público, investir em obrigações do tesouro. Essas obrigações do tesouro, que vão ser compradas com o dinheiro que o Estado pôe no Banif, e que contam para capital, serão depois dadas como colateral ao BCE....
Eu sei que é complexo. Espero ter explicado bem...


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De JoaoR a 09.01.2013 às 05:01

Explicou sim. Obrigado pelo esclarecimento. :)


Mas se me permite irei contra-argumentar a questão de fundo. 
Isto é ou não um bom negocio para o estado !?
Irei tentar encontrar os parâmetros que permitam balizar a questão.
Temos então:
Na situação anterior :  Estado tinha -no máximo - um conjunto de responsabilidades de +- 1.1MME
Na situação actual :   O Estado ao assumir uma posição no capital do Banif, [com   1)injecção  de +-1.1MME  
2)anulação do valor das garantias dadas anteriormente 3) venda das OT ao banif] assume respirabilidades que dependem directamente do valor liquido do Banif.
Ora, para que esta operação financeira tenha, no presente, um resultado nulo para o estado o valor liquido do Banif -na presente data -terá que ser de zero(?).  qualquer q seja a % da participação adquirida.
Assim, pelo que é dado a conhecer, sendo a situação liquida do Banif bastante deficitária , podemos dizer que o estado assume- na presente data-um conjunto de responsabilidades bastante superiores ao que tinha anteriormente.
Dispenso-me de comentar o risco económico da operação alem da sua legitimidade.
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De Maria Teixeira Alves a 10.01.2013 às 02:40

Vou só comentar uma única coisa, porque o resto não está bem, mas não é importante. A única coisa importante é que o aumento de capital põe o rácio de solvabilidade acima do mínimo legal, portanto o Banif deixa de ser um banco "deficitário", como lhe chama. Portanto o Estado torna-se accionista de um banco equilibrado financeiramente. :)
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De Tiro ao Alvo a 08.01.2013 às 16:54

O tempo parece estar para comentários azedos, muitas vezes mal fundamentados, como se pode ver por aqui e por outros lados.
Também há gente que, deliberadamente, não distingue um caso de polícia (BPN), em que o regulador não quis ver o que se estava a passar, com um caso em que as coisas correram mal e os accionistas não se mostraram capazes de resolver o problema, que, tudo o indica, exigia solução diferente do que a “simples” entrega do Banco à falência, como poderia ter acontecido no BPN, se o caso não estivesse tão complicado, com grande culpa das nossas autoridades, como disse.
Eu sei que os portugueses, na generalidade, vêm a frequentar, nos últimos dois anos e através dos meios de comunicação social, cursos intensivos de gestão, de economia e de finanças, mas parece-me que a esmagadora maioria ainda não está preparada para comentar assuntos desta natureza, pelo que devia, neste particular, guardar algum recato. Receio, todavia, que lhe esteja na massa do sangue botar faladura sem restrições, e daí os disparates sem conta com que nos vemos, todos os dias, confrontados. Há que ter paciência: as coisas hão-de melhorar.
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De joaoR a 09.01.2013 às 12:11

cara MTA ,
continuo sem conseguir seguir o rasto do dinheiro.
 Diga-me por favor se a responsabilidade dos tais 1175me em garantias estatais continuam activas!?
e caso a resposta seja negativa -como indicava no seu post anterior- explique-me como sobra dinheiro para agora o Banif aplicar em OT . 




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