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Contributos para a compreensão da palavra...

por Luísa Correia, em 07.01.13
POVO:

"[...] A definição do Povo depende do momento que se vive, na terra. [...]
Hoje na Guiné e em Cabo Verde, povo da Guiné ou povo de Cabo Verde, para nós, é aquela gente que quer correr com os colonialistas portugueses da nossa terra. Isso é que é o povo, o resto não é da nossa terra nem que tenha nascido nela. Não é o povo da nossa terra, é população da nossa terra, mas não é povo.[...]
Aqueles que estão prontos a trabalhar duro nisso, a pegar teso, são todos do nosso Partido. Portanto, a maior parte do nosso Povo é nosso Partido. E quem mais representa o nosso povo, é a direcção do nosso Partido. Que ninguém pense que lå porque nasceu no Pico da Antónia ou no fundo do Oio, ele é mais povo do que a direcção do nosso Partido, mentira. O primeiro pedaço do povo da nossa terra, genuíno, é a direcção do nosso Partido, que defende os interesses do nosso povo e que foi capaz de criar todo este movimento para defender os interesses do nosso povo. [...]
Portanto, aqueles que tëm amor pelo nosso povo, têm amor pela direcção do nosso Partido. Quem ainda não entendeu isto, não entendeu nada."
(Amílcar Cabral, "O que é o povo?")

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11 comentários

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De Bic Laranja a 07.01.2013 às 14:41

Pois. E o que é um Amíllcar Cabral?

Feliz anno novo!
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De c. a 07.01.2013 às 16:16

Salvo algumas concepções políticas, de que discordo e quanto à compreensão da palavra  - embora me pareça a transcrição de um improviso - é bastante mais legível do que muitos decretos publicados do diário da república.
O que não é de admirar, já que o Senhor Engenheiro Amílcar Cabral teve a sólida educação do seu tempo.
Com uma licenciatura indiscutível no Instituto Superior de Economia, o Senhor Engenheiro Amílcar Cabral tem credenciais mais sólidas do que muitos membros do actual governo - ou do que o actual presidente da república, que frequentou uma escola técnica e não o ensino liceal. O Eng. Amílcar Cabral, teve por exemplo, dois anos de filosofia, nos antigos 6º e 7º anos do liceu, coisa que o Cavaco não teve - fez o exame depois,  mas sem frequência das aulas.
Quanto ao que parece um sentimento anti-português, encontra-se muito pior em D. Pedro IV, que tem uma estátua no Rossio,  e pode encontrar-se diariamente - ou quase -  no parlamento brasileiro - isto para não falar da generalidade dos políticos portugueses- quer se dêem conta disso ou não.
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De Luísa Correia a 07.01.2013 às 18:28

Bic e C., não acham uma delícia a distinção entre os conceitos de povo e população?
E a propósito, C., não se trata de um improviso, mas de um artigo publicado no jornal guineense "No Pincha", em Setembro de 1975, pelo que é de presumir que tenha sido bem meditado.
Um bom 2013!
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De c. a 07.01.2013 às 19:40

O Eng. Amílcar Cabral usa conceitos marxistas.
No entanto, povo e população não são conceitos idênticos. As dezenas de milhares de oficiais alemães, e milhares de civis alemães que ocuparam a França (e suas famílias e seus filhos, alguns nascidos em França) faziam parte da população daquele pais, mas não eram o povo francês.  Idem para os milhares de alemães que foram estabelecer-se na Polónia e não eram o povo polaco...
Francamente, para quem ouviu as maiores alarvidades de um falso engenheiro... e agora de um equivalente a não sei o quê....
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De Luísa Correia a 07.01.2013 às 22:04

C., concordo que população e povo são coisas distintas. A curiosidade está em excluir do conceito de povo de um país gente nada, criada e habitante desse país. Para AC havia, pelos vistos, pessoas que tinham nascido e viviam na Guiné que não pertenciam ao povo guineense, o mesmo se aplicando a Cabo Verde. Diz que o conceito é marxista. E tem razão: todo o raciocínio - vale a pena ler o artigo completo - visa reduzir o povo aos membros (bases e cúpulas) do partido.
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De Nuno Castelo-Branco a 07.01.2013 às 18:45

Não sei o que os restantes leitores pensam acerca do distinto escriba guineense - ou cabo-verdiano? -, mas a conclusão que daqui tiro, prende-se única e exclusivamente com o nível da gente que conduziu a guerra contra Portugal e que um dia sonhou ser capaz de governar os países do antigo ultramar. O resultado está à vista. 
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De Luísa Correia a 07.01.2013 às 22:09

Seriam gente com formação. Mas formação não quer dizer educação e muito menos sensibilidade humanista.
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De c. a 07.01.2013 às 23:11

Não quer alargar a questão aos que pensavam (e pensam) governar aqui? E aos resultados que, aqui, estão à vista?
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De Luísa Correia a 07.01.2013 às 23:56

Não, não, C.!... ;-)
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De mew a 08.01.2013 às 11:40

Ao afirmar-se da qualidade do curriculo do Cabral — igual à do meu — o que é verdade e aplicável a todos os primeiros líderes negros anti-portugal, a minha seca conclusão é que eles vieram para a Metrópole para aprenderem a lidar com os pretos... Alguns conseguiram.
Abraços dum velhinho!
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De Luísa Correia a 08.01.2013 às 13:35

Obrigada pelo seu comentário, Mew. :-)

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