Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




 

O Processo de Recapitalização do Banif é em si mesmo uma genialidade. Vejamos: O Estado tem uma linha do dinheiro da troika destinada só a intervencionar bancos. Portanto uma ajuda que não pesa no défice do Estado, uma vez que é uma dívida pública já contraída. 

O Banif está falido. Isto é, os seus rácios de capital estão muito abaixo dos mínimos legais. Logo, para que o Banif não tivesse de decretar falência, pediu ajuda ao Estado. E o Estado deu 1,1 mil milhões de euros. Compra acções novas (700 milhões) e empresta 400 milhões ao subscrever títulos de dívida convertíveis. 

Mas antes exige que o Banif extinga as obrigações emitidas com garantia do Estado, que ainda são de 1,175 mil milhões de euros. Se o banco falisse a perda do Estado começava logo neste montante. Mas para extinguir estas obrigações com garantia do Estado, o Banif fica sem colaterais para dar ao BCE para garantir os empréstimos deste banco central. Logo terá de comprar dívida pública para substituir os colaterais. E assim o Estado empresta 1,1 mil milhões de euros ao Banif, e o Banif depois empresta o mesmo dinheiro ao Estado. Sendo que o Estado cobra mais pelo empréstimo ao Banif, do que paga ao banco pelas Obrigações do Tesouro. 

O Banif é salvo e o Estado fica com a dívida colocada, com as comissões cobradas e ainda com a maior parte das acções do banco para privatizar depois de 2017. E ainda há para aí uns esquerdóides que se atrevêm a insinuar que isto não é um bom negócio para o Estado.

Isto tudo sem ferir clientes, bancos, contribuintes. Quem dera que os socialistas tivessem tido tanto tacto com os BPN e BPP.

Autoria e outros dados (tags, etc)



28 comentários

Imagem de perfil

De Maria Teixeira Alves a 06.01.2013 às 20:07

Para ver se os jornalistas da SIC e os Miguéis Sousa Tavares desta vida começam a dar opiniões com base na verdade dos factos e não com bases em aparências ... (eu sei que a SIC está numa campanha por causa da privatziação da RTP, mas não fica nada mal, aos meus colegas jornalistas serem um bocadinho mais sérios intelectualmente).
Sem imagem de perfil

De António a 06.01.2013 às 20:41

Claro.
Um mar de rosas.


E quanto valerão as ditas ações de que o Estado vai ficar detentor, quando as quiser vender?
Ah pois, é muito fácil dizer que se vão cobrar juros dum suprimento que o Estado já fez ao Banif, que, por sinal, até é ele próprio mais uma empresa pré-estatal, de montante elevado.


E quem e como é que vão ser pagos?
O Estado a pagar ao Estado. Bonito.
Imagem de perfil

De Maria Teixeira Alves a 06.01.2013 às 20:59

Não percebo a lógica deste comentário... O Estado empresta ao Banif o mesmo que o Banif empresta ao Estado. O EStado cobra comissões acima das que paga, e ainda fica com as acções para vender, o que é que interessa quanto valerão, valham o que valham é lucro para o Estado...
Sem imagem de perfil

De Ricardo Ferreira a 07.01.2013 às 13:48


O estado empresta, o banif pega no emprestado e devolve à procedência.... mais valia não ficar tudo quieto?
Sem imagem de perfil

De manuel.m a 07.01.2013 às 00:02

António :
Não é um mar de rosas ,é o milagre das ditas cujas !
Imagem de perfil

De Vortex a 06.01.2013 às 22:56

percebi finalmente a razão do empréstimo
Sem imagem de perfil

De Ramos a 07.01.2013 às 02:03

E se o Banif não tiver liquidez para pagar ao Estado? E se as acções que o Estado tem do Banif desvalorizarem? Qual é o valor do Banif na bolsa?
Sem imagem de perfil

De Vasco a 07.01.2013 às 09:45

E por que motivo uma empresa não há-de falir naturalmente, como acontece com muitas outras? É como tentar re-introduzir espécies onde não há condições naturais para a sua sobrevivência. No fim, sai mais caro, é mais triste e continuamos com um sistema doente.
Sem imagem de perfil

De jo a 07.01.2013 às 11:08


Se o Bnif falir ou for invável quem devolve o dinheiro ao Estado?
Se o Estado está a arriscar capital e vai ficar dono do Banif porque não passa a adiministrar directamente o banco?
Parece que quando um país soberano pede um empréstimo de recurso como está a acontecer com Portugal os prestamistas, que não são eleitos pelos cidadãos do país,  têm direito a ditar a sua política económica para garantir o pagamento; mas se um banco é resgatado por um Estado este não deve intervir na liberdade do mercado.
Imagem de perfil

De Maria Teixeira Alves a 07.01.2013 às 14:32

Se o Estado não intervencionasse o Banif perderia logo à cabeça 1,175 mil milhões de euros, que é o montante das garantias vivas aos empréstimos do Banif. Assim há uma hipótese de não perder nada...
Sem imagem de perfil

De jeronimo a 07.01.2013 às 12:33

E os Socialistas tb tinham uma linha do dinheiro da troika destinada só a intervencionar bancos ? 
Imagem de perfil

De Maria Teixeira Alves a 07.01.2013 às 14:30

Sim, era de 4 mil milhões
Sem imagem de perfil

De jeronimo a 07.01.2013 às 19:32

Mas havia troika no tempo dos Socialistas ? 
De onde vinham esses 4 mil milhoes ?
Sem imagem de perfil

De JotaB a 07.01.2013 às 16:23

O caso BANIF, trouxe-me à memória a seguinte anedota:

 

"Um  cliente chega a uma cidade e entra num pequeno hotel. Na recepção deixa, de caução, duas notas de 100,00€ e pede para ver os quartos.
Enquanto o cliente inspecciona os quartos, o gerente do hotel sai correndo com as duas notas de 100,00€ e vai até ao talho pagar suas dívidas. Este pega as duas notas e vai até um criador de porcos, a quem, por coincidência, também deve 200,00€ e paga a dívida.
O criador, por sua vez, pega nas duas notas e corre ao veterinário para liquidar uma dívida de… 200,00€.
O veterinário, com a duas notas na mão, vai pagar a dívida a uma prostituta, sendo essa de igual valor. A prostituta sai com o dinheiro em direcção ao hotel, lugar onde, às vezes, leva os seus clientes e que ultimamente não havia pago. Valor total da dívida: 200,00€. Ela avisa o gerente que está a liquidar a dívida e coloca as notas em cima do balcão.
Nesse momento, o cliente retorna dos quartos, diz não ser o que esperava, pega as duas notas de volta, agradece e sai do hotel.
Ninguém ganhou ou gastou um cêntimo. Porém agora a cidade vive sem dívidas, com o crédito restaurado e começa a ver o futuro com confiança!"

 

MORAL DA HISTÓRIA:

A economia cresce pela circulação da riqueza e não pela posse do dinheiro.

UM PEQUENO DETALHE: O CLIENTE NÃO COBROU “JUROS”… SE TIVESSE COBRADO FALTARIA ALGUM DINHEIRO NESSE NEGÓCIO.

Sem imagem de perfil

De JoaoR a 07.01.2013 às 22:33

JotaB , nao percebeu a historia por ingenuidade ou por outra razão ? :)
-------------------------------------
Não há almoços gratis.
E pelo que escreveu MTA esse processo do Banif é tudo menos simples.
Diga-me: se o estado "obrigou" a extinção das tais obrigações que tinham o aval do estado quanto recebem os detentores dessas obrigações? ( e qual era o seu valor real ?)
E sendo liquidadas essas obrigações no valor de 1175mm como é que ainda sobra dinheiro para aplicar em OT ?
Sem imagem de perfil

De hcl a 08.01.2013 às 08:48

O gerente do hotel ficou a perder 200€ que a prostituta devia.


Não foi uma operação saldo 0. 
A moral da estória não se aplica.A economia cresce pela criação de riqueza , não circulação simples de dinheiro. 
Sem imagem de perfil

De JotaB a 09.01.2013 às 21:19

Foi de facto uma "operação saldo zero", pois o gerente também pagou a sua dívida sem dispender um "chavo".
Todos pagaram as suas contas sem terem um avo.

Não posso deixar de concordar com a observação de que a criação e a dirtribuição de riquesa é que leva ao desenvolvimento da economia.

 
Sem imagem de perfil

De hcl a 08.01.2013 às 08:56

Oooops.


Gerente paga dívida.
Sem imagem de perfil

De JotaB a 09.01.2013 às 21:26

O cliente, sem saber, é que pagou as dívidas de todos os outros.

Os bancos também concedem empréstimos sem possuirem o respectivo dinheiro.
Sem imagem de perfil

De Joao Sousa a 09.01.2013 às 18:13

Esta acho que se aplica melhor :


O malandro
Kurt Weill - Bertolt Brecht -
versão livre de Chico Buarque/1977-1978
Para a peça Ópera do malandro, de Chico Buarque

Image
  
O malandro/Na dureza
Senta à mesa/Do café
Bebe um gole/De cachaça
Acha graça/E dá no pé

O garçom/No prejuízo
Sem sorriso/Sem freguês
De passagem/Pela caixa
Dá uma baixa/No português

O galego/Acha estranho
Que o seu ganho/Tá um horror
Pega o lápis/Soma os canos
Passa os danos/Pro distribuidor

Mas o frete/Vê que ao todo
Há engodo/Nos papéis
E pra cima/Do alambique
Dá um trambique/De cem mil réis

O usineiro/Nessa luta
Grita (ponte que partiu)
Não é idiota/Trunca a nota
Lesa o Banco/Do Brasil

Nosso banco/Tá cotado
No mercado/Exterior
Então taxa/A cachaça
A um preço/Assustador

Mas os ianques/Com seus tanques
Têm bem mais o/Que fazer
E proíbem/Os soldados
Aliados/De beber

A cachaça/Tá parada
Rejeitada/No barril
O alambique/Tem chilique
Contra o Banco/Do Brasil

O usineiro/Faz barulho
Com orgulho/De produtor
Mas a sua/Raiva cega
Descarrega/No carregador

Este chega/Pro galego
Nega arreglo/Cobra mais
A cachaça/Tá de graça
Mas o frete/Como é que faz?

O galego/Tá apertado
Pro seu lado/Não tá bom
Então deixa/Congelada
A mesada/Do garçon

O garçon vê/Um malandro
Sai gritando/Pega ladrão
E o malandro/Autuado
É julgado e condenado culpado
Pela situação
Sem imagem de perfil

De JotaB a 09.01.2013 às 21:28

Vivemos num grande casino, mas com o jogo viciado à partida.
Sem imagem de perfil

De JotaB a 09.01.2013 às 21:22

Claro que não há almoços grátis.
Apenas pretendi brincar com um assunto bem sério!

Claro que se trata de um economia de casino em que "a banca" ganha sempre.
Sem imagem de perfil

De Nuno a 07.01.2013 às 22:11

Um falido empresta dinheiro a outro falido que depois empresta novamente ao falido. Como é que querem que isto funcione?
Sem imagem de perfil

De Vasco Silveira a 10.01.2013 às 15:25

Cara Maria Teixeira Alves


Por pura curiosidade, onde é que entra nesse esquema  a extinção das obrigações emitidas com garantia do Estado?
Se essa extinção se refere a uma redenção antecipada das mesmas obrigações, haveria uma saída adicional dos cofres do Banif de 1,175 mil milhões de euros..
Ou a extinção refere-se apenas à alteração das suas condições iniciais de emissão, cessando a garantia do estado? Mas se assim é/foi, como é que foi aceite pelos subscritores inicais das mesmas, supondo que não era apenas a CGD?




Cumprimentos


Vasco Silveira

Imagem de perfil

De Maria Teixeira Alves a 10.01.2013 às 15:52

Fiz a mesma pergunta ao Banif e responderam-me que a esmagadora maioria dessas obrigações estão no balanço do banco.
Sem imagem de perfil

De Vasco Silveira a 10.01.2013 às 17:11

Muito obrigado.
Ou seja o estado deixou de dar garantias a uma instituição q não controlava, substituindo-se por valor semelhante como accionista com voz na gestão: parece-me bem visto

Comentar post


Pág. 1/2



Corta-fitas

Inaugurações, implosões, panegíricos e vitupérios.

Contacte-nos: bloguecortafitas(arroba)gmail.com




Notícias

A Batalha
D. Notícias
D. Económico
Expresso
iOnline
J. Negócios
TVI24
JornalEconómico
Global
Público
SIC-Notícias
TSF
Observador

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Comentários recentes

  • João Sousa

    Ditador cubano, não: líder carismático.

  • monge silésio

    Imaginem Singapura, EUA, Holanda, China, Áustria, ...

  • monge silésio

    Ora meninos e meninas do MP é tempo de serem úteis...

  • João José Horta Nobre

    O Cristianismo foi a vingança das elites judaicas ...

  • FF

    Uma reflexão extremamente oportuna. O Papa Ratzing...


Links

Muito nossos

  •  
  •  
  • Outros blogs

  •  
  • Links úteis


    Arquivo

    1. 2017
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2016
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2015
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2014
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2013
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2012
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2011
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2010
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2009
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2008
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D
    131. 2007
    132. J
    133. F
    134. M
    135. A
    136. M
    137. J
    138. J
    139. A
    140. S
    141. O
    142. N
    143. D
    144. 2006
    145. J
    146. F
    147. M
    148. A
    149. M
    150. J
    151. J
    152. A
    153. S
    154. O
    155. N
    156. D