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Alma, Vontade e Sensatez

por Rui Crull Tabosa, em 04.01.13

Corria a Guerra dos Sete Anos.

Ameaçada por uma fortíssima coligação que juntava a França, a Áustria, a Suécia e a Rússia, tudo indicava que a Prússia, cercada, sucumbiria à avassaladora superioridade numérica dos seus inimigos.

Frederico, o Grande, animado da mais firme vontade de libertar o seu povo da iminente escravidão do jugo estrangeiro, não prometia facilidades, consciente de que nada na vida é oferecido, nada se consegue sem luta. Luta decisiva.

Quando a guerra estava particularmente difícil, diria que “Este ano vai correr de forma dura e incisiva, mas tem de se manter os ouvidos duros e cada um que tenha Honra e amor à Pátria deve fazer o possível”. Nesse ano de 1757 escreveria à sua irmã que “Nesta Primavera o Mundo verá o que a Prússia é; através da nossa força e, acima de tudo, da nossa disciplina, venceremos”.

E assim, sob o génio militar do inventor da ordem oblíqua, um pequeno exército e um povo de 3,7 milhões de almas, animados da Virtus, essa admirável Coragem que dera corpo à Via Romana, venceriam a terrível guerra, repetindo a luta entre Horácios e Curiácios, atacando pois à vez os seus dispersos inimigos, cujos países totalizariam mais de 40 milhões de habitantes.

Porque lembro este exemplo?

Pela simples razão de que também Portugal está em guerra, embora muitos o não percebam ou não queiram reconhecer.

Em guerra contra o desemprego, a dívida, o desperdício e, mais grave, o espírito derrotista, egoísta, acomodatício.

Ao actual Governo cabe pois a dura tarefa de corrigir a estratégia de desenvolvimento que seguimos nestes quase 40 anos e se provou completamente errada, cumpre-lhe reparar os erros do passado na medida do possível, modernizar o País, cultivar nos cidadãos uma ética de responsabilidade, enfim, libertar a sociedade de uma asfixiante dependência do Estado, que construiu uma monstruosa máquina burocrática que ainda há um ano pesava mais de metade da riqueza nacional.

Atacar cada um desses flagelos, não todos de uma vez ou de modo inconsequente, mas através de ataques de flanco, em função das possibilidades e vantagens de cada momento e situação, é o que se exige ao Governo, assim este tenha alma vencedora e vontade reformadora, temperadas com a sensatez do bem comum.

É certo que o combate é ingrato, porque poucos reconhecem o seu sentido histórico e muitos sentem os seus privilégios ameaçados, não hesitando em envenenar o povo com mentiras e promessas de facilidade que equivaleriam a escolher o não ser. Mas é precisamente isso que torna a luta mais nobre, pois, para distribuir o que se não tem, estão cá os socialistas.

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20 comentários

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De Rui Crull Tabosa a 04.01.2013 às 18:32

A comparação foi mais com as tarefas e o apelo mais à estratégia.
Mas sempre lhe digo que a tarefa de Passos (que, como escrevi, é ingrata porque pouco compreendida por quem só pensa nos seus interesses imediatos e não nos das futuras gerações) é precisamente a de corrigir o que os sucessivos Hunos - para utilizar o seu exemplo - andaram todos a fazer nestes 40 anos: a rebentar com o País, a dar direitos que sabiam não serem sustentáveis, a saquear as gerações, pois não foi outra coisa o viver à grande a fazer obras ruinosas - SCUTS, aeroportos de Beja e outras se seguiriam como o TGV, o novo aeroporto e a 3.ª travessia de Lisboa - a arregimentar sindicatos de voto com os rendimentos mínimos em que se recebe sem trabalhar, e por aí fora.
Mas, claro, é da natureza das coisas que a dureza de carácter não caracteriza o vulgo.

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