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Tanta informação, tão pouca educação.

por José Luís Nunes Martins, em 02.01.13

Uma explosão de conhecimentos, detonada por volta do século XVII, parece ter atingido dimensões que ultrapassam os limites da imaginação nos últimos 25 anos.

 

Todas as tradicionais áreas do conhecimento se têm expandido. Há cada vez mais especialistas, que por sua vez percebem que cada vez melhor que os saberes se entrecruzam. Num futuro muito próximo, talvez se retorne ao saber único. Mais profundo e rico do que até agora... ou isso, ou outro modelo tão genial quanto simples.

 

A informação deve ser recolhida e armazenada. Depois, filtrada e organizada. Mas aqui reside um problema fundamental: ainda estamos a aprender a ver o imenso mar de dados. Andamos, mais ou menos, maravilhados com os prodígios da técnica, brincamos e fingimos não se tratar de nada de relevante. Quando, em boa verdade, nos cumpre adequar, tão rapidamente quanto possível, a nossa inteligência às necessidades importantes, e urgentes, que surgem da imensidão de potencialidades ao nosso dispor. Pois se algumas não podem ser desperdiçadas, outras há que nem mais um passo devemos dar em sua direção.

 

Vivemos numa sociedade rica em informação. Riquíssima, talvez no pior dos sentidos. Quase tudo está à distância de 2 ou 3 cliques e em 4 ou 5 segundos temos diante dos nossos olhos uma montanha de informação.

 

Um dos efeitos perversos deste contexto é a desresponsabilização do indivíduo em chamar a si a capacidade de recolher e armazenar os dados importantes da sua própria realidade. Parece não interessar saber este ou aquele conteúdo, desde que se saiba pedir para o irem buscar. Mas, os chamados motores de busca, bem como os conteúdos por onde navegam, resultam de escolhas mais ou menos inteligentes que ultrapassam completamente o comum utilizador. São opções alheias. Resultam de critérios muito específicos, por vezes altamente perversos, tão bem disfarçados de simplicidade e transparência que só poucos chegam a perceber o que alimenta e sustenta esta máquina que parece tão bondosa...

 

É admirável e estranha esta fé na tecnologia. São aos milhões aqueles que confiam de forma tão completamente voluntária quanto estúpida, o que pensam, sentem e desejam às bases de dados... talvez na secreta esperança de se poderem analisar e avaliar daqui a uns meses ou anos, ou talvez para que alguém, num qualquer dia futuro, lhes diga quem são... mas estas informações são íntimas e constituem, por si mesmas, uma das nossas maiores riquezas: sermos misteriosos aos outros, profundos e absolutamente únicos. Abdicar disto é desistir de se ser quem se é.

 

Os homens de hoje são escravos da tecnologia, mais do que senhores dela.

 

Na vida, tudo deve ser gerido com sabedoria. Sem estabelecer critérios, prioridades e importâncias, quase nada sai a direito. A cada um de nós é requerido que, pessoalmente, analise e avalie o que nos rodeia. Descubra valores, trace e siga um caminho. Um só. Nosso. Só nosso. Absolutamente único.

 

Mas a maioria das gentes prefere grupos, trocam a sua capacidade de ser únicos pelo sorriso de aprovação daqueles a quem imitam...

 

Na formação de cada ser humano é essencial a promoção da sua total autonomia; uma dignidade que assenta na liberdade e responsabilidade de nos criarmos a nós mesmos de uma forma tão autêntica quanto bela e original.

 

A educação é crucial, hoje mais do que nunca. Importa aprender a discernir bem o essencial do acessório, o privado do público, o que é valioso do que apenas o parece ser. É importante lançarmo-nos na preparação de seres cada vez mais humanos, que constituam melhores famílias, a fim de que toda a humanidade melhore. Mas, cuidado: É o nosso exemplo que educa, mais, muito mais, do que as nossas melhores palavras...

 

 

 

(publicado no jornal i - 29 de dezembro de 2012)

 

ilustração de Carlos Ribeiro

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