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Custa-me Cavaco, mas...

por José Mendonça da Cruz, em 23.12.12

Custa-me gostar de Cavaco Silva. Custa-me que se deixe apanhar em esquinas e cantos e responda às chuvas de perguntas com esgares, e dificuldades, com um discurso hesitante, mal articulado, penoso. Custa-me que nunca se eleve acima, que nunca faça um pronunciamento ou uma boutade em nome de alguma coisa superior. Custa-me que não se entusiasme nem se indigne, que nunca se zangue nem grite, nunca aponte um objectivo grande. Custa-me como articula e mastiga. Custa-me a literalidade egoísta com que interpreta o cargo. E, no entanto...

E, no entanto, prefiro-lhe a sisudez à jovial fluência dos aldrabões que nos hipotecaram, prefiro-lhe o visível desconforto em situações sociais e políticas ao exuberante savoir-faire dos que se sentam com ar de virtude à mesa do orçamento e se empanzinam.

A cultura de esquerda tratou de meter Cavaco no mesmo saco com os grandes delapidadores da República. Que aumentou os funcionários, que destruiu agricultura e indústria... Mente e esquece convenientemente que Cavaco presidiu a taxas de crescimento próximas dos 10%. E esquece o fundamental: que Cavaco Silva foi o primeiro (e o último) governante que pôs a tónica e insistiu na meritocracia e no valor do rigor e do trabalho. Esteve quase, quase a convencer os Portugueses. Julgo que é a principal razão por que a esquerda o detesta. Mas a esquerda socialista emendou a tempo: o deixa andar e não te rales mole e invertebrado de Guterres, o deixa andar que o dinheiro aparece sempre de Soares, o deixa gastar que o dinheiro só falta aos pessimistas de Sócrates deram cabo muito depressa da principal herança de Cavaco. Agora e no próximos anos -- durante os quais pagamos -- custa-me gostar de Cavaco Silva. Mas gosto.

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8 comentários

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De O Falso Rei das Pampas a 23.12.2012 às 16:07

Preferes o Cavaco do deixa andar e não te rales que estamos no pelotão da frente e o dinheiro da Europa aparece sempre à jovial fluência dos aldrabões , os Relvas, Coelhos, Gaspares, Borges e tutti quanti que hoje nos hipotecam e nos desgovernam.
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De João Távora a 23.12.2012 às 18:08

Mesmo sendo objector de consciência, concordo contigo Zé. 
Abraço 
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De José Mendonça da Cruz a 23.12.2012 às 18:44


Francamento, meu caro e Falso Rei das Pampas: não mereci um comentário ao menos um bocadinho mais pensado e trabalhado?
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De Tiro ao Alvo a 24.12.2012 às 14:46

Concordando consigo só me custa a aceitar ver tanta gente a bater no Cavaco, muitas vezes injustamente, como é o caso do (não) crescimento económico durante os seus governos, sem que apareçam outros a defendê-lo, sobretudo os que estão bem informados e sabem como não são justas certas acusações, isto comparando com os muitos que aparecem a defender o indefensável dos Sócrates, para não falar de outros.
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De Anónimo a 24.12.2012 às 17:38

"E esquece o fundamental: que Cavaco Silva foi o primeiro (e o último) governante que pôs a tónica e insistiu na meritocracia e no valor do rigor e do trabalho"


Mentira: Foi o Cavaco que começou as promoções automáticas dos funcionários públicos.. Foi uma idade de ouro para os funcionários públicos. Isso acabou com o Sócrates. 
Já agora, nunca houve tanto dinheiro como no tempo do Cavaco, dos fundos europeus. Foi um fartar. Muita gente enriqueceu nessa altura.Só para os "jovens agricultores" (hehehe) milhões e milhões.  Lembram-se do Thierry Roussel?... E o FSE? Uma festa! Muito se ganhou neste país com a formação profissional! Meritocracia? LOL? 
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De Nuno Castelo-Branco a 25.12.2012 às 13:02

Tudo muito certo, mas apenas uma questão: o José fala de um crescimento próximo dos 10%. Agora diga-nos, escalpelize os sectores que conduziram a tão surpreendente renascer. Pois é, estamos a pagá-los bem caro e nem por isso deixamos de confirmar a autoria cavaquista quanto aos "bons sucessos" da agricultura, pescas, indústria, imobiliário selvagem, etc, etc. Para nem sequer falarmos mais dos seus mais que duvidosos amigos & associados. 
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De Euro2cent a 25.12.2012 às 20:49

> Julgo que é a principal razão por que a esquerda o detesta

Nah, à parte os outros argumentos esgrimidos acima, o que a esquerda realmente detesta são fulanos não suficientemente bem-nascidos. Que se lhe oponham, claro. Contra serviçais prestáveis não há nada a dizer.

É claro que juram a pés juntos imorredouro amor pelo "povo", mas não gostam de privar com ele. É uma coisa que vem de longe, o populismo ou jacobinismo sempre foi coisa de aristocratas mediocres que jogam a mão a essa arma para fazer batota no jogo político.
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De Octávio dos Santos a 26.12.2012 às 19:31

António Guterres, «invertebrado»?! Mas com ele não houve «"casamento" gay» nem «acordo/aborto ortográfico». Com o actual «residente da república» houve um e outro, quer deliberadamente quer por desistência. Afinal, quem é que não tem mesmo coluna vertebral?

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