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Os fariseus do Estado social

por Rui Crull Tabosa, em 18.12.12

Muito se tem dito e escrito a propósito dos anunciados cortes adicionais nas pensões mais altas, bem como sobre as recentes declarações do Primeiro Ministro, segundo as quais um significativo número de “reformados e pensionistas descontaram para ter reformas mas não para terem aquelas reformas”.

Uns  rasgam as vestes, falando de “atropelo”, "injustiça”, violação do princípio da “confiança”, como se tais reformas correspondessem a planos de poupança reforma, que são o resultado real de uma poupança singular ao longo de determinado período, e não o produto pecuniário de um sistema generoso que se entreteve a delapidar irresponsavelmente os recursos do Estado social.

Outros não resistem à mais baixa demagogia, falando de “insulto aos reformados” ou, como Fernando Dacosta, já imaginando o executivo a enviar velhinhos para a Serra da Estrela para morrerem de frio…

Francamente, não sei se esta gente é hipócrita, egoísta, ignorante, esquecida ou simplesmente estúpida.

O que Passos Coelho afirmou é uma evidência.

Com efeito, ao contrário do que se pretende fazer crer, a verdade é que, durante décadas, as reformas dos funcionários públicos foram calculadas com base nos vencimentos dos últimos três anos de serviço, fazendo-se por isso tábua rasa de todos os anteriores descontos.

E no que se refere aos trabalhadores do sector privado, também durante décadas, as pensões foram calculadas tendo por referência apenas os cinco melhores anos dos últimos dez, e, desde 1994, os dez melhores anos dos últimos quinze. O resto não interessava…

Ora, qualquer pessoa minimamente séria e honesta saberá que, salvo raras excepções, é nos últimos anos de vida activa que se concentram os maiores salários e, por consequência, os maiores contributos para o sistema de pensões, donde resulta evidente que estas, na sua generalidade e não só no caso das mais altas, não apresentam correspondência com os descontos efectivamente efectuados ao longo de toda a carreira contributiva, como seria o caso de um PPR.

Quer isto dizer que os cortes previstos para o próximo ano nas pensões mais elevadas são necessários, em face da situação do País, justos, na medida em que se aproximam o valor das prestações aos descontos efectivamente realizados, e solidários, pois representam um contributo para a própria sustentabilidade do Estado social que tantos farisaicamente dizem defender mas que apenas tratam de sacar.

Aditamento para quem ainda não percebeu: só nos últimos anos e para novas pensões, o cálculo destas passou a incidir sobre toda a carreira contributiva do trabalhador, ou seja, sobre todo o seu percurso profissional, pelo que o montante de muitas pensões ainda atribuídas tem apenas por base os últimos anos de trabalho, normalmente os melhor remunerados. É preciso um desenho?

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8 comentários

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De Varredor a 18.12.2012 às 17:14


"Com efeito, ao contrário do que se pretende fazer crer, a verdade é que, durante décadas, as reformas dos funcionários públicos foram calculadas com base nos vencimentos dos últimos três anos de serviço, fazendo-se por isso tábua rasa de todos os anteriores descontos.


E no que se refere aos trabalhadores do sector privado, também durante décadas, as pensões foram calculadas tendo por referência apenas os cinco melhores anos dos últimos dez, e, desde 1994, os dez melhores anos dos últimos quinze. O resto não interessava…"


 


 


Se nenhuma dessas situações se mantém, é evidente que esses argumentos são lixo.

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De Rui Crull Tabosa a 18.12.2012 às 17:43

Dedução que seria brilhante se não fossem hoje ainda pagas centenas de milhar de pensões com base nas referidas "situações". Assim, é evidente que o seu comentário é lixo.
Cumps. 
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De Espere sentado a 18.12.2012 às 20:04

Qaundo o TC mandar o OdE para o lixo vou-me fartar de rir.
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De Rui Crull Tabosa a 18.12.2012 às 20:14


Faz bem. Depois tudo vai melhorar, não é? Muita bom!
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De JP a 18.12.2012 às 17:44

http://resistir.info/e_rosa/aposentacao_12dez12.html
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De Antonio a 18.12.2012 às 19:05

Por que será que nas reformas das forças de segurança são todos cabos ou agentes de primeira? não há soldados? ou é a promoçao de ultima hora para a reforma?
aliás também consta que na fp há uma subida de "letra" à ultima da hora... é verdade? se sim ambas as situações são, digamos, feias...
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De manuel.m a 18.12.2012 às 22:34

Não ,não é preciso um desenho ,é preciso que no crânio do Crull entre um pequeno detalhe : A inflação ,que após o 25/4 durante anos rondou os 30%  . Quereria ele que no cálculo de uma pensão em 1990 contasse o salário auferido em 1950 ??
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De Rui Crull Tabosa a 19.12.2012 às 00:16

Essa é boa...
Portanto, para si não é possível calcular o valor actual que os descontos pretéritos tiveram, naquele  incluindo a actualização derivada da inflacção.
Pela sua lógica, não haveria PPR nem seria agora possível fazer assentar as pensões futuras em toda a carreira contributiva.
Boa tentativa para justificar a iniquidade do sistema de reformas que hoje somos obrigados a pagar por conta do regabofe do passado...

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