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O pagode e as simplificações excessivas

por José Mendonça da Cruz, em 10.12.12

Pode-se, realmente, contar com Marcelo Rebelo de Sousa para nos dar a reconstituição verídica dos factos, mesmo quando ficou sozinho e o rebanho partiu tresmalhadamente pela trilha do disparate.

Marcelo revelou-se mais uma vez, ontem, o único comentador com coragem e inteligência para reproduzir o que realmente se passou com as novas condições de resgate da Grécia, o que Vítor Gaspar disse sobre o assunto, e o que a comunicação social compreendeu.

Contou, com muito rigor, Marcelo que Vítor Gaspar afirmou que Portugal viria a beneficiar das novas condições de assistência à Grécia. E recordou que ele próprio afirmara desde logo que poderíamos beneficiar, não já, mas sim mais tarde e segundo formas a estudar. Mas mais lembrou que, ao abrir os jornais no dia seguinte, lhe pareceu «a loucura nacional», que inclusivamente já havia quem fizesse contas, «ganhámos 20 milhões», ganhámos mil milhões.

Ao contrário da generalidade de jornalistas e comentadores -- e até de comentadores e jornalistas que costumam demonstrar maior serenidade, discernimento, e inteligência, como Marques Mendes ou José Gomes Ferreira --, Marcelo reproduz, portanto, os factos com muita precisão. Mas é claro que Marcelo é um candidato presidencial, pelo que tem que temperar os seus juízos com algumas considerações de agrado público seguro; e, então, Marcelo lá recomendou a Gaspar que não seja hermético, não fale de maneira que só os mais esclarecidos compreendam, e que (diz Marcelo, num remate de uma ironia feroz, que decerto escapou aos jornalistas) «na dúvida, não diga coisas que se prestem a interpretações erradas».

Eis, portanto, mais grosseiramente, os factos e os conselhos de prudência deles resultantes:

01. Jean Claude Juncker enganou-se, de facto, ao responder a jornalistas, mas Vítor Gaspar não se enganou. Vítor Gaspar disse apenas, falando em português correcto, que Portugal «viria a beneficiar» do novo acordo com a Grécia. Omitiu como ou quando visto não se saber nem estarem negociações em curso sobre o assunto. Perante as fantasiosas interpretações subsequentes, Gaspar viria a criticar as «simplificações excessivas de assuntos que são complexos». Eu recomendaria mais a Gaspar: que entenda como «assuntos complexos» (e se precavenha) não apenas todos os temas de finanças e economia, mas tudo o que tenha a ver com a língua portuguesa. Fale, em resumo, para atrasados mentais, porque terá uma multidão como destinatários.

02. Os jornalistas portugueses ouviram mal o que foi dito, fizeram interpretações descabeladas, e enganaram em vez de informar. Postos perante a falta, reagiram, como sempre reagem, corporativamente, apresentando-se como vítimas virtuosas de um discurso obscuro e maléfico, quando são apenas vítimas de ligeireza, presunção e ignorância. E apodaram de «erro» ou «recuo» o que era o mero resultado da sua (deles) falta de trabalho e discernimento. 

Mais vale tarde do que nunca. Ao fim de uma semana de enganos e acusações falsas, lá veio alguém pôr o nome aos burros. 

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