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É o que nos cumpre fazer...

por Vasco Lobo Xavier, em 15.11.12

Das disparatadas entrevistas de rua que as televisões promovem nestes dias de greve, retiro que muitas pessoas, particularmente mulheres, diziam participar na greve por pretenderem um futuro melhor para os seus filhos. Acredito na sinceridade das suas intenções, mas estão completamente equivocadas: estas greves em nada melhoram o futuro dos filhos e, no caso concreto, apenas pioram esse futuro. Com efeito, estas greves não pretendem melhorar a vida dos que nos sobrevierem, mas sim facilitar a vida dos que cá estão, em prejuízo dos vindouros. E nem os próprios promotores das greves conseguem esconder esta realidade.

 

Se bem virmos as coisas, estas greves são contra a austeridade e contenção de despesas do Estado, são contra a diminuição dos encargos do Estado (são mesmo pelo aumento desses encargos!), são pela prorrogação dos prazos de pagamento da dívida, são pelo aumento da dívida, são contra a perda de rendimento actual. E ainda que isso prejudique quem vier a seguir, pois evitar apertar o cinto agora e perder a oportunidade de organizar as contas só pode sobrecarregar as gerações seguintes. Não há volta a dar: o facilitismo que as greves pretendem para o presente só pode ser alcançado prejudicando o futuro. Por outra via, o rigor e as dificuldades no presente, gostemos delas ou não, e seguramente ninguém gosta, servirão para melhorar o futuro e a vida dos nossos filhos.

 

Por isso, e nesta concreta situação, pensar-se que se está a fazer greve em benefício dos filhos ou das gerações vindouras é uma incongruência completamente descabida.

 

E, se prosseguirmos uma análise relativamente simples, concluímos facilmente que estas gerações do presente gastaram de mais. Gastaram as poupanças das anteriores, gastaram o que criaram em vida, e gastaram o dos filhos, endividando-se brutalmente para o futuro e por largas dezenas de anos. Cada um por si, em sua casa, muitas vezes para a sua casa, o fez; e Sócrates e pandilha fizeram-no por todos, endividando o país para lá do admissível, quer se fale em valores quer em tempo de dívida. Nós todos é que destruímos o futuro dos nossos filhos e a greve não vai resolver nada, só o trabalho árduo.

 

Repito: a greve apela apenas ao facilitismo no presente, prejudicando o futuro. Se queremos melhor para os nossos filhos, cabe-nos, a nós que torrámos tudo, o que era nosso, dos avós e o que viria a ser dos filhos, penar um bom bocado e tentar reorganizar e consertar as coisas. E isso só se faz com sofrimento e trabalho, não é com greves. É chato, mas é verdade.

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3 comentários

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De jorge silva a 15.11.2012 às 16:19

não podia estar mais de acordo, quanto à parte do trabalhar pergunto: arranja-se qualquer coisinha?
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De Vasco Lobo Xavier a 15.11.2012 às 18:11


Não parece nada fácil nem se afigura que melhore rapidamente. Por isso mais repugna greves como a dos estivadores portuários, que tanto mal está a fazer ao país e a inúmeros trabalhadores das empresas exportadoras. E com tanta gente a querer trabalhar...
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De jo a 16.11.2012 às 17:08


Também servem para protestar contra a adopção de medidas específicas da parte deste governo para aumentar o desemprego - embaratecimento das horas extroardinárias, eliminação de feriados, por ex- e fazer deste modo diminuir os salários. Onde andam os investimentos que esta política ia atrair?
Também servem para protestar contra a apresentação de um orçamento de estado feito pelas mesmas pessoas que criaram austeridade para dminuir o défice enquanto se admiravam porque a queda do consumo provocado por estas medidas aumentou o defice.
Temos austeridade para fazer diminuir o défice e depois dizemos que a política está a surtir efeito porque apesar do défice ter aumentado conseguimos piorar o desempenho do Estado. Afinal quais eram os objectivos do OE 2012?

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