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O 'Memorando' contado ao Povo e lembrado ao Tozé

por Rui Crull Tabosa, em 06.11.12

No fim de 2010, o último ano da governação de José Sócrates, o Partido Socialista legou aos Portugueses uma dívida pública de 173 mil milhões de euros, sendo que, só nesse ano, o défice público atingia 17 mil milhões de euros (défice ainda superado no ano anterior), mais do dobro dos 7,5 milhões do final de 2011, o que significa que, desde que o PS levou guia de marcha, o Estado alcançou já uma redução da despesa na ordem dos 10 mil milhões de euros.

Mas como António José Seguro gosta de se aproveitar da memória curta das pessoas, fazendo-lhes enganosamente crer que a austeridade é uma paixão do actual Governo e não uma consequência do Memorando de Entendimento que o seu Sócrates assinou há, apenas, ano e meio, vale bem a pena lembrar alguns compromissos que se encontram vertidos na versão original daquele documento, a bem da transparência e da verdade na política, para já não dizer da própria decência pública.

Assim, para além de todas as medidas de austeridade previstas para 2011 e 2012, só no que respeita à política orçamental de 2013, o PS assumiu, logo em Maio de 2011, compromisso de atingir “um défice das Administrações Públicas não superior a 5.224 milhões de euros em 2013.”

Para tanto, o PS comprometeu-se a reduzir no próximo ano as despesas, designadamente nas áreas de “funcionamento da administração central: 500 milhões de euros”; de “racionalização do sector da educação e da rede de escolas: 175 milhões de euros”; de alcançar um “decréscimo de 1% por ano no número de trabalhadores da administração central e de 2% no número de trabalhadores das administrações local e regional”; dos “sistemas de saúde para trabalhadores em funções públicas: 100 milhões de euros”; do “sector da saúde: 375 milhões de euros”, de “transferências para administrações local e regional: 175 milhões de euros”; de “custos com Serviços e Fundos Autónomos e com o Sector Empresarial do Estado: 175 milhões de euros”; de “despesas de capital: 350 milhões de euros”, tendo-se ainda obrigado a “obter uma redução nas despesas sociais de, pelo menos, 350 milhões de euros.”

Isto é capaz de cheirar a austeridade...

Do lado da receita, José Sócrates comprometeu os governos seguintes com a obtenção de “receitas adicionais”, através do “alargamento da base tributável em sede de IRC e redução de benefícios e de deduções fiscais: 150 milhões de euros”; da “redução de benefícios e deduções fiscais em sede de IRS: 175 milhões de euros”; do “englobamento de rendimentos, incluindo prestações sociais para efeitos de tributação em sede de IRS e convergência de deduções em sede de IRS no que se refere a pensões e rendimentos de trabalho dependente: 150 milhões de euros”; de “impostos especiais sobre o consumo: 150 milhões de euros”; e ainda de “actualizar o valor patrimonial matricial dos imóveis para efeitos de tributação, com o fim de aumentar a receita em, pelo menos, 150 milhões de euros em 2013.”

Isto também é capaz de significar austeridade...

PS: certa vez, ainda nos tempos de José Sócrates, um socialista, opositor interno ao então 'chefe máximo', disse-me que eu tinha de perceber que os dirigentes do PS não eram “gente séria”. Sinto vómitos só de pensar em quem mo disse.

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7 comentários

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De zé luís a 06.11.2012 às 23:53


Nunca mais vi, parece que ninguém se lembra disto, o vídeo em que o Sótraques anuncia a assinatura do MoU. Era giro repor no ar essa pérola em que, mais uma vez, anuncia o melhor dos mundos para Portugal e que saía do Governo com a garantia de nos entrar pelo País o Euromilhões.

Porque não aproveita, Rui?
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De Rui Crull Tabosa a 07.11.2012 às 00:14

Boa sugestão, a ver se amanhã encontro no you tube o "ó luis, fico melhor assim... ou assim..."
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De Anónimo a 07.11.2012 às 00:54


Mas alguma vez haverá um dirigente do ps que seja sério??? ele também não promoteu que seria, pois não??? e tivesse prometido... havia de fazer muita diferença...
(já agora fica a lembrança do passos coelho a dizer em plena campanha de Ferreira Leite que o corrupto tinha muita razão e que as obras como o aeroporto e os tgvs e afins eram indispensáveis - que fariam estes jotinhas de merda que infectam a política e já nas escolas eram a escumalha que nada fazia, trabalhar???).
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De zé luís a 07.11.2012 às 00:58

Creio que não foi esse o momento.
Foi quando o sinistro dos Santos ficou como múmia mas do lado de fora (ou esteve lá mesmo, múmia?) e o palco foi todo para o Primeiro-Sinistro de saída antevista então.

Brindou-nos com um chorrilho de entusiasmo e que tudo esteve negociado da melhor forma para deixar-nos descansados quanto ao futuro. Ainda hoje vejo o sorriso da macaca nas mesmas pantalhas cá do burgo que nem sabem que isso existiu assim...
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De Floriano Mongo a 07.11.2012 às 15:39

 2010, será lembrado como o último ano de governação de José Sócrates em que o PS deixava como herança o Portugal-Maravilha: uma dívida pública de 173 mil milhões de euros, um défice público de 17 mil milhões de euros, um desemprego a beirar os 11%, um pedido de resgate negociado e assinado por si, fora o resto.



A hipoteca das gerações futuras nunca tirou o sono aos seus criadores. Já o governo seguinte que teve como ponto de partida essa herança maldita, deixa os socialistas insones há 1 ano e meio.



Mesmo para um presidente que assistiu durante anos às maiores bandalheiras sob a mais severa mudez, Cavaco já não consegue disfarçar o sorriso amarelo. Fantasiado de guardião do templo das vestais, usou a voz para anunciar que quer ouvir as forças políticas, fazendo de conta que nunca reparou que algumas delas têm andado a namorar com o colapso.

 

Caso lhe reste algum juízo, o presidente deverá pressionar o PS a avançar para a busca de soluções. Se preferirem insistir em discursos forjados para justificar o injustificável, para manter o que é insustentável, os sinais de perigo poderão multiplicar-se.

 


Dependendo do que fizerem, o país será obrigado a sair do desespero para afundar no pânico.

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De Rui Crull Tabosa a 07.11.2012 às 19:45

Tem infelizmente razão.
Cumps.
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De jo a 09.11.2012 às 12:28


Felizmente porque se opôs a tudo isso, Passos Coelho foi eleito primeiro ministro dizendo que bastava de cortes.

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