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A Biblioteca de Instrução Primária*

por Zélia Pinheiro, em 06.11.12

Paris, 24 de Julho de 1891
 

"Meu querido Joaquim Pedro [Oliveira Martins]
 

Tu conheces, creio eu, o que são, em Portugal, os Compêndios da Instrução Primária. Compilaçõezinhas papalvas, quando não são agressivamente estúpidas, impressas em papel pardo e vendidas ao pobre Pater Familias pelo preço de Tratados de Biblioteca.
 

(...) Foi de várias conversações com o Delagrave que me nasceu a ideia de tentar com ele (…) o meu plano de uma Biblioteca de Instrução Primária para Portugal (…). Organizamos pelos melhores e mais novos métodos de França, Inglaterra e Alemanha uma Biblioteca de Gramáticas, Geografias, História Geral, Aritmética, Instrução Cívica, etc - e a casa Delagrave imprime, ilustra, orna de mapas essa Biblioteca, com incomparável excelência, e vende-a às Escolas, pela terça ou quarta parte do preço porque hoje o Pater Familias paga os compêndios do seu menino.
 

(...) Não entro em detalhes, nem a estreiteza de uma carta os comporta. Digo-te só, Joaquim Pedro, queres um milhão? Joaquim Pedro, queres ser abençoado por todos os pais e mães do teu País? Queres estas duas delícias - a benção e o bago? Tens simplesmente a recolher-te, durante todo um dia, ao fundo de ti mesmo, e aí, torturando o génio, achar a fórmula, o meio genial, o truc supremo, para conseguir que o Governo imponha às Escolas e aos mestres a nova Biblioteca! Isto é, trata-se de resolver este árduo problema: havendo dois livros, um abominável e que custe 300 reis e outro admirável e que custe 100 reis, levar um Governo Português a escolher, para uso das suas escolas, aquele que é bom e barato. Eu por mim tenho pensado - e ainda não achei a fórmula. Só me acode teimosamente o pedir um monopólio para a nossa Biblioteca.
(...) Trata pois de estudar a questão a valer. Podemos fazer uma fortuna - fazendo um serviço patriótico. Raras vezes se encontram negócios nestas condições de alta moralidade. E eu, pelo menos, não posso deixar de fazer tudo, tudo, para adquirir um honesto ganho, com o que o meu País ganhe também".
 

(…) Abraço forte do teu
 

José Maria" [Eça de Queiroz]
 

in Cartas de Eça de Queiroz, Editorial Aviz, 1945, a propósito deste post, que diz que o Observatório dos Recursos Educativos (ORE) produziu um estudo em que alerta para os riscos do sistema de empréstimo de livros escolares, pois provocaria uma recessão no mercado dos manuais escolares e "uma fragilização das empresas portuguesas e a ocupação massiva do espaço editorial pelos grupos estrangeiros". O grupo Porto Editora é a principal empresa portuguesa a operar nesse mercado, com quotas de mercado de 49,91%, 65,32% e 75,11%, respectivamente para o 1.º, 5.º e 10.º anos de escolaridade. No site do Observatório pode ler-se "o ORE conta com o apoio da Porto Editora".

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