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Com os olhos carregados de sonhos

por José Luís Nunes Martins, em 05.11.12

 

Todas as mudanças custam. Mesmo quando tudo melhora… até mesmo quando o pior acaba.

 

O homem tende a adaptar-se a todas as circunstâncias. Porque somos humanos, tornamo-nos capazes de enfrentar e superar as adversidades, mas tendemos sempre para uma adaptação mais do que para uma qualquer revolta. Como se concentrássemos todas as nossas forças no sentido de nos preservarmos, mais do que arriscar heroicamente a sobrevivência por uma condição melhor.

 

Por vezes as circunstâncias mudam subitamente, o conforto desaparece porque não se reconhece o novo chão. Cerram-se os olhos, lembram-se os sonhos. Concentramo-nos no que de mais belo há, o futuro, que sempre depende mais de nós do que julgamos. Do nada surgem então forças capazes de carregar o mundo inteiro.

 

Os olhos carregados de sonhos transbordam. De uma felicidade simples que mais não é que uma esperança capaz de iluminar o caminho que há de ser feito.

 

Cada um de nós precisa de uma casa. De um lugar onde haja o calor da esperança, um pedaço de espaço onde vários esforços se conjugam para que os sonhos sonhados à mesa se ergam do nada, para que a felicidade dali transborde para outras casas.

 

Haverá homens que demoram uma vida inteira a encontrar a sua casa. Alguns precisam de morrer para o conseguir... mas a maior parte das vezes o caminho para a nossa casa passa por uma vontade de mudar o interior e prepará-lo para aceitar algo diferente, algo que não depende de nós, o outro.

 

O sofrimento das horas difíceis une os que o suportam em conjunto. As horas não se fazem nunca nem mais longas nem mais curtas e o nosso tempo por aqui é limitado, bem limitado. Quase sempre demasiado curto para tantos sonhos... mas o segredo talvez passe pela capacidade de aprender a sonhar mais simples, sonhar com o amanhã antes de sonhar com o ano que virá (tão) depois. Sonhar à mesa, com os que descansam o seu coração perto do lugar onde nosso também tem paz. Depois, mudar o que for preciso, tudo, se necessário. Sendo mais fortes que os medos...

 

A felicidade nunca chega aos corações dos egoístas. As lágrimas só saem dos olhos de quem é capaz de sonhar. Porque só quem se dá como abrigo à esperança sofre os reveses de tantas noites que adiam as madrugadas. Só quem espera pelo melhor, sofre o peso dele se adiar...

 

A Vida não é só isto, aqui. É mais, muito mais. Quem busca o significado da sua existência apenas por aquilo que vê neste mundo, condena-se a uma vida sem sentido, por não ser capaz de ver com os olhos fechados...

 

As mudanças doem. Sem dúvida. Porque envolvem incertezas. Mas não será toda a nossa vida, toda ela, uma enorme incerteza? E quão mais bela fica por se saber que é certo que nesse mar incerto, mais tarde ou mais cedo, descobriremos a nossa casa!

 

 

 

(publicado no jornal i - 3 de novembro de 2012)

 

ilustração de Carlos Ribeiro

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2 comentários

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De Gustavo Santos a 05.11.2012 às 11:08

Há outro ponto que eu gostava de acrescentar ao que diz:

Nós não sabemos, não podemos saber, o que é "ser melhor".
Quando nos propomos a avançar temos de nos dispor, primeiro, a perder o equilíbrio. Temos mesmo de nos atirar para a frente, para o desconhecido, para o incerto, para o não familiar.
É no fim de todo o processo que podemos, então, olhar para trás e perceber o que é "ser melhor": o "ser" hoje comparado com o "ser" ontem. Só nessa altura percebemos.
É impossível para um espírito livre não perceber que é assim que o mundo funciona e não ficar maravilhado com o que ainda falta saber. É cura contra a soberba e a vaidade e demonstra que o que conta é, afinal, o caminho.
Sem imagem de perfil

De Gonçalo a 05.11.2012 às 12:16


Pois, temos que nos refundar ou então afundamos.
Mas não precisamos de ir para a rotura. Podemos redistribuir e integrar.
http://notaslivres.blogspot.pt/2012/11/refundar-as-politicas-de-emprego.html

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