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Os Portugueses e o 'canto das sereias'

por Rui Crull Tabosa, em 07.09.12

Decorridos quase 40 anos de gestão irresponsável e perdulária de sucessivos governos, a começar no do camarada Vasco e a acabar no do camarada Sócrates, em que se fizeram nacionalizações criminosas, investimentos ruinosos quando não mesmo inúteis, se concederam direitos insustentáveis, se subsidiou o parasitismo e o amiguismo, se fomentou o clientelismo e a corrupção, se destruiu a indústria e a agricultura nacionais, se lançou, enfim, o País para a pior bancarrota de que há memória, fico espantado com as reacções às novas medidas de austeridade que o Governo acabou de fazer.

Estavam à espera de quê?

Acaso pensaram que o circo dos rendimentos mínimos, dos estádios do euro, dos aeroportos de Beja, das auto-estradas SCUT, das mordomias dos ex-Presidentes, das fundações fantoche, dos popós e cartões de crédito dos dirigentes públicos, dos submarinos de doca seca, e por aí fora, não seria um dia pago, e com altíssimos juros?

Esperavam que fossem os contribuintes do Norte da Europa a sustentar a incompetência e o despesismo cá do Sul?

Julgam-se especiais?

Não, meus Senhores, pagaremos com suor e lágrimas pelos erros que permitimos que fossem cometidos até ao passado recente.

O Governo faz o que pode: honestamente, e como forma de contrabalançar o chumbo do Tribunal Constitucional ao corte dos subsídios de férias e Natal, aperta ainda mais o cinto da classe média, que é a única cujo contributo pode continuar a fazer inverter o que ainda em Abril do ano passado se estava na iminência de assegurar: o simples pagamento de salários da função pública e das pensões de reforma.

Espero bem que os passos já dados no controlo da despesa tenham adequada sequência: o tão propalado corte nas rendas excessivas, quase eliminação de subsídios para fundações privadas, extinção da totalidade das fundações públicas, forte controlo das prestações não contributivas, combate sem quartel ao enriquecimento ilícito, à corrupção e às baixas fraudulentas, proibição de compra de novos carros de representação, eliminação efectiva de todos os cartões de crédito no universo Estado, extinção de empresas públicas municipais, entre muitas outras.

A situação é dura?

Claro que sim, mas mentirá quem disser que é fácil e não será de todo com os amanhãs que cantam, a prometer dinheiro que não existe, que alguma vez Portugal sairá da crise em que se encontra, bem pelo contrário.

Neste quadro, é simplesmente nojento ouvir esses socialistas que nos atiraram para a actual situação zorrar sobre a existência de uma “alternativa”. A alternativa deles, dessa esquerda sem vergonha que tem em Soares o mais descarado e senil expoente, foi a que nos conduziu ao descalabro de 2011.

Recuar agora, desistir, é simplesmente negar a realidade, é abrir a porta ao abismo que evitámos há um ano.

E isso, não duvido, é, infelizmente, o que a esquerda todos os dias deseja que aconteça, pois que o desespero popular e a miséria social são o seu natural mercado eleitoral.

Só nos cabe ser duros, perseverantes, e desconfiar dos slogans fáceis e do canto das sereias da sinistra...

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13 comentários

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De J.o a 07.09.2012 às 23:18

As reformas são inexistentes. O problema é esse. Em mais de um ano, as feto. A oportunidade já está perdida. 
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De António Amaro a 07.09.2012 às 23:42

Bem, nesse caso deixemo-nos de tretas e lérias sobre o "lado da despesa" e toca a cortar nessas merdas: começa a ser dificil explicar ao pagode que, ano e meio passado só os mesmos é que se fodem. para mim o sr Passos já foi comido pela "máquina estatal...".
E esses rebuçaditos ás empresas, fracamente, sem n!..
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De Zé Muacho a 08.09.2012 às 01:14


O Amigo escreveu:

"Espero bem que os passos já dados no controlo da despesa tenham adequada sequência: o tão propalado corte nas rendas excessivas, quase eliminação de subsídios para fundações privadas, extinção da totalidade das fundações públicas, forte controlo das prestações não contributivas, combate sem quartel ao enriquecimento ilícito, à corrupção e às baixas fraudulentas, proibição de compra de novos carros de representação, eliminação efectiva de todos os cartões de crédito no universo Estado, extinção de empresas públicas municipais, entre muitas outras."
 
Acredite, durante largos minutos rebolei-me a rir!

Quantos anos, de idade, tem?

P.f. abra os olhos; os bébés não vêm de Paris nem o Pai Natal existe.
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De Rui Crull Tabosa a 08.09.2012 às 08:24

Isso mesmo! Assim é que é! Vai longe e, já agora, felicidades...
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De Zé Muacho a 08.09.2012 às 16:35


Amigo,
 

Obrigado pela sua resposta ao meu comentário mas a mesma criou-me um problema; li-a uma vez, duas vezes, “n” vezes e até de trás para a
frente e nada: não a entendo!

Ao ter-se dado ao trabalho de me responder certamente que algo me quer transmitir mas a mensagem está a escapar-me.

Como já não sou novo e muitos dos meus neurónios já fundiram pedi à minha mulher, aos vizinhos (um deles até é especialista em charadas) e, em desespero de causa, até a um polícia que ia a passar na rua que me ajudassem a interpretá-la; também nenhum deles a entendeu (o vizinho das charadas ainda não
desistiu e, rodeado de alfarrábios e já com os cabelos todos arrepanhados, continua a trabalhar afanosamente).

Para que eu não passe a noite com insónia, por favor, esclareça o que quis dizer com o que escreveu:

"Isso mesmo! Assim é que é! Vai longe e, já agora, felicidades..."

  • "Isso mesmo!" - Isso mesmo, o quê?
  • "Assim é que é!" - ???
  • "vai longe" - Não tenciono sair daqui e mesmo que o quisesse fazer, longe é que não poderia ir; 1/3 do rendimento cá de casa mudou-se para outros bolsos.
  • "felicidades" - Aqui sim, entendo e retribuo os votos.

     



 

 



 

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De Rui Crull Tabosa a 08.09.2012 às 21:50

Agradeço a sua resposta e desculpe a maçada que dei lá em casa e no bairro...
A 'chave', porém, era bem simples: bastava reler o que antes escreveu: "rebolei-me a rir!

"Quantos anos, de idade, tem?

"P.f. abra os olhos; os bébés não vêm de Paris nem o Pai Natal existe"


O que tinha isso a ver com o que escrevi?
De resto, sempre lhe digo que, não sendo tudo perfeito nem estando obviamente tudo bem, a verdade é que o sentido geral da governação actual é o de corrigir os erros e irresponsabilidades de 40 anos de regabofe e de tentar preparar um País menos dependente da despesa do Estado que, afinal vem dos impostos dos contribuintes.
Claro que muito há a fazer, mas não negará que, pelo menos, se acabou com o rumo suicida dos novos aeropostos, das 3ªs. pontes para Lisboa, dos TGV's, etc.
O resto, estava escrito no post.
Cumps.
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De Zé Muacho a 10.09.2012 às 22:38

Amigo Rui Tabosa ,

Agora sem brincadeiras ou ironia.

Você não leu bem o meu primeiro comentário; eu não me rebelava contra a totalidade do seu "post" com o qual, tirando o tal parágrafo, eu concordo.

O nosso diferendo está no facto de eu não acreditar que alguma vez (tirando pequenas operações de cosmética que servirão apenas para atirar areia aos olhos dos papalvos) este governo, ou outro qualquer saído do quadro politico actual, toque, sequer ao de leve, nas rendas das empresas amigas, nas fundações, institutos, etc.

Não se esqueça de que cerca de 100.000 "boys" e aparentados andam por lá e que por lá, também, há diversos cadeirões dourados há espera deles.
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De GualdimMensageiro a 08.09.2012 às 02:24


O Dr. Portas não vai desdizer-se.

O IMPOSTO viola UM dos DIREITOS INALIENÁVEIS da PESSOA HUMANA, alfa e ómega do ESTADO: a PROPRIEDADE.

Porque a natureza humana tem vícios, pecados, más intenções a SEGURANÇA é bem público e assim CONSENTE-SE que a PROPRIEDADE seja nessa medida VIOLADA. GARANTE-SE a VIDA, a LIBERDADE, a PROPRIEDADE. TRÊS direitos primaciais.

Porque muitos confundem direitos com desejos, também se consentiu na violação desse direito de propriedade para educação, saúde, segurança social. Já se percebeu que não há proprietários para poderem consentir no confisco num país com EDUCAÇÃO, SAÚDE, SEG SOCIAL de gente rica.


Ora o CONFISCO CONTINUA!

Em vez de BAIXAR taxas de rentabilidade das PPP´s, carrega-se no IVA; em vez de extinguir AUTARQUIAS, carrega-se no IRS...etc etc..Os IDOSOS são CONFISCADOS duplamente, o respeito por quem TRABALHOU e realizou a EXPETATIVA criada legitimamente (cumpriu o contrato) é nulo, como é NULO o respeito por quem pode vir à vida. Nem no princípio nem no fim esta SOCIEDADE deixa graça, timbre, marca.

 O PP não pode quebrar o contrato de confiança com a sociedade civil. É HORA de dizer BASTA.
É hora de confronto ...eles que se desunhem sozinhos. Não está RECUPERADA a confiança porque não pode haver CONFIANÇA na Sociedade Civil em quem governa.



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De Grande Noite a 08.09.2012 às 09:23

Não sei se gostei mais do anúncio do PEC DCCCLXXVIII pelo nosso magnífico PM se a grande vitória da nossa magnífica selecção de profissionais sobre a amadora centésima não-sei-quantos do ranking.

Foi uma grande noite.
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De Filipe Silva a 08.09.2012 às 09:33

O que escreve é tudo verdade, que pagamos hoje pelo desvario de décadas, mas então a solução é aniquilar o sector que gera rendimentos para pagar as asneiras todas?

Existe um mito que os funcionários públicos e reformados pagam impostos, senão vejamos, como é que o Estado financia as suas despesas?
Através de impostos e emissão de divida(que não são mais que impostos futuros) logo retira estes à actividade económica privada, o único motor do real crescimento.
Quando o Estado paga um salário, uma pensão e retêm os impostos destes ou estes pagam o iva do consumo que efectuaram o que acontece é que o dinheiro é passado de um lado para o outro. Não existe criação de receita do Estado a mais do que havia antes, é apenas descontado ao Salário/Pensão a receber.
Esta questão é verdadeiramente importante, porque nestes o corte é pouco para situação caótica nacional.

O RSI devia ser extinguido imediatamente, e todo e qualquer subsídio a todo e qualquer agente económico (empresas e famílias), necessário fechar serviços do Estado, universidades, escolas, esquadras, hospitais, acabar com todas as fundações do Estado, institutos que só servem para empregar os amigos, colocar um tecto máximo do pagamento a qualquer agente que trabalhe para o Estado. Renegociar os contratos das PPP e se necessário não pagar.

Conclusão diminuir a despesa em 30mil milhões para que seja possível primeiro ter superavit orçamental para abater a divida e segundo baixar impostos, e deixar os empresário fazerem o que estes fazem melhor gerar lucros, e por arrasto emprego.
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De Anónimo a 08.09.2012 às 19:26

Já agora, fechar o país. Também, para isso, já falta pouco. Cabecinhas iluminadas com merda. Calem-se. Não digam mais asneiras. O Coelho e companhia são uns cobardes vendidos.
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De João Coelho a 08.09.2012 às 19:47


«Privatize-se tudo, privatize-se a água e o ar, privatize-se a justiça e a lei, privatize-se a nuvem que passa, privatize-se o sonho, sobretudo se for diurno e de olhos abertos. E finalmente, para florão e remate de tanto privatizar, privatizem-se os Estados, entregue-se por uma vez a exploração deles a empresas privadas, mediante concurso internacional. Aí se encontra a salvação do mundo… e, já agora, privatize-se também a puta que os pariu a todos.»
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De Zeca a 08.09.2012 às 21:11

Vc não vive neste século, pois não? ....Nos vinte países mais competitivos do mundo, tudo o que diz é privatizado?...vc gosta de rebuçado, mas para o pagar, alguém teve de trabalhar. Borlas? Só Policia e Defesa.Para alguém não ir ter consigo p. ex..

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