Sexta-feira, 10 de Fevereiro de 2012
Carta aberta à Europa
Portugal possui uma política externa própria, não se esgotando esta em meros exercícios de contabilidade ou de transferência de fundos. Ao contrário de vinte e cinco outros Estados da União Europeia e tal como o Reino Unido, a nossa língua é falada em quatro continentes, precisamente aqueles que hoje os empresários e políticos alemães ambicionam ter como parceiros de negócios. Portugal pode, deve e tem de participar nesse esforço de modernização e diversificação da sua economia que ao contrário da Alemanha, será mais um complemento nas profundas relações culturais existentes com a África, Ásia e América. (...) Há que alertar os alemães para os perigos decorrentes da ignorância e espírito aventureiro dos seus inconscientes dirigentes.
De sampy a 10 de Fevereiro de 2012 às 12:46
É lamentável o texto que aqui é parcialmente reproduzido. Prova provada de que nove séculos de história não são garantia de sabedoria na cabeça de alguns dos nossos compatriotas.
Note-se: nada do que o texto diz pode ser considerado incorrecto. E, todavia, ele fala completamente a questão.
E a questão é: a partir do momento em que um país democrático se ajoelha perante um governo corrupto, é o declínio. Não se trata de relações cínicas, ou de negócios sem ética; mas de lamber as botas a José Eduardo dos Santos. E não há laços linguísticos, culturais ou históricos que possam mascarar aquilo que Portugal tem andaddo a fazer. Dir-se-á: é o desespero, certamente. Ou, como dizia o alemão, o declínio. A partir daqui, só se pode esperar a desgraça. A não ser que, como o tal alemão advogava, que a Europa se una de verdade e seja solidária.
Mas os senhores subscritores da carta aberta preferem dar lições de história aos alemães. Fazendo de uma missiva um alarde monumental de cegueira...
Claro, aqui está o costume tão luso-europeu. Aquilo que é proibido aos portugueses - "lamber as botas, ajoelhar perante J.E dos Santos ou da China", Brasil, etc - é permitido a Merkel, por exemplo. Típico. Trata-se de uma questão de dinheiro, essa coisa que dá a volta aos miolos de tanta gente. Também "deve ser compreensível" o facto de os alemães estarem aptos para comprar a preço da "uva mijona" as empresas dos países em dificuldades e ainda por cima, sem quaisquer garantias.
Enfim, o governo tem estado à altura e oxalá assim continue.
* Já agora, somos tão burros que até deputados britânicos no P.E. assinam por baixo aquilo que dissemos. Lá deverão saber porquê, não é?Nós sabemos.
De sampy a 11 de Fevereiro de 2012 às 00:34
Deputados britânicos no P.E. assinam por baixo?!...
Não fazem mais do que descrever a picardia e aproveitar a ocasião para alfinetar os alemães. Querem lá saber dos portugueses...
Mas vocês continuam a não querer ver a evidência: não há nenhum país europeu que ande a lamber botas a gente do calibre de Eduardo dos Santos como nós. Claro que também andamos a pedinchar a outros; mas esses são respaldados por um sistema democrático. Claro que também há chefes de Estado ainda mais corruptos que o de Angola; e não falta quem dance com eles, quem os bajule e comk eles negoceie; mas nenhuma nação democrática lhes presta vassalagem.
É isso o que o alemão queria dizer. E ele sabe do que fala: os alemães foram obrigados a ajoelhar-se e a humilhar-se de uma forma ignóbil no fim da Primeira Guerra Mundial. E veio depois a tal tensão social que culminou na subida do nazismo ao poder. Hitler não descansou enquanto não viu ajoelhados, no mesmo vagão de comboio, aqueles que tinham cuspido na Alemanha.
Também nós estamos a passar o ponto limite da humilhação. O tal alemão pretendia dizer que os países europeus não podem permitir isso (nem contribuir para isso). Para uma nação com a nossa história, é uma situação explosiva. Iremos acabar por entregar o poder a quem prometa vingar-nos. A que preço?...
Os alemães têm prestado uma escabrosa vassalagem a Putin. O que foi Merkel fazer há uns dias a Pequim? Comer chao-min?
Quanto aos deputados ingleses que ..."querem lá saber dos portugueses", isso não é verdade. Consulte aqui, se quiser dar-se ao trabalho. Ao contrário daquilo que Salazar dizia, nem tudo o que parece, é. Existe na elite política britânica, a plena consciência da história, coisa que aqui em Lisboa muita falta nos faz.
http://estadosentido.blogs.sapo.pt/1594482.html
Aqui estão algumas das suas palavras:
"Can we please stop referring to what is happening as “assisting Portugal”? I’m enormously and sentimentally Lusophile, and if I thought that a loan would help, I’d be all for it. No alliance on the planet has endured as has the 700-year league between England and Portugal. The Portuguese defied Bonaparte in the name of our friendship, and even entered the First World War for our sake. They joined EFTA when we did, and followed us (ruinously, it now turns out) into the EU.
Yet it cannot be stressed too strongly that the Portuguese did not want this bailout. They resisted the pressure from Frankfurt and Brussels for as long as they could. They know perfectly well what ceding control of their economy means: the loans will end up in the pockets of European bankers and bondholders, the repayment will come from Portuguese taxpayers. The EU isn’t rescuing Portugal; Portugal is being sacrificed to rescue the euro."
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