Nunca dei grande crédito às homilias do Prof. Marcelo que, com o seu inigualável sorriso mefistofélico, sempre procurou apoucar todos quantos, na sua família política, chegaram bem além dele próprio, eterno quase candidato a primeiro-ministro e quase candidato a presidente da república...
Por descuido, deixei-me ouvi-lo esta noite na TVI, verberando, escandalizado, as autoridades da União Europeia por estas "estarem preocupadíssimas com os direitos das galinhas". Imperdoável para ele foi mesmo a UE ter tido o 'desplante' de exigir que essas aves devem ser colocadas em "gaiolas [com] espaço para respirar" (sic). Uma insanidade para a cabecinha do Prof. Marcelo, para quem a protecção aos animais prejudica, ipso facto, os direitos das pessoas, como logo se apressou a perorar. Brilhante, como se vê.
Fica este vídeo abaixo, para aqueles que tiverem estômago para o ver até ao fim e que diz muito sobre aquilo de que as bestas humanas são capazes em nome da religião do dinheiro:
Nós podemos perceber melhor ou pior os animais. Mas sabemos que também eles sentem a dor. E não é civilizado aquele que despreza o sofrimento que a crueldade do homem inflige aos animais.
P.S.: trazer os idosos à conversa, então, releva do mais absoluto nonsense.
E fica o registo de interesses: não compro ovos, galinha ou frango que não sejam de produção biológica. Por uma questão de elementar decência.
Estimado Rui, uma gaiola que cumpre as novas regras custa 20 €, uma produtora de ovos de média dimensão tem cerca de 50.000 galinhas. As novas regras implicam um investimento de um milhão de euros para as gaiolas, como é que poderão sobreviver sem aumentar e muito, o preço dos ovos? Cumprimentos
Se for como diz, deixe-se de produzir as actuais quantidades colossais de ovos a preços irrisórios. Se acha bem ou não se revolta com os maus tratos infligidos às galinhas (vivendo ao monte em gaiolas sem espaço para se mexerem, comendo as mortas, pondo ovos em redes para estes caírem de imediato, nunca vendo a luz do dia, etc.), só posso lamentar. Eu não acho que vale tudo, principalmente em nome do lucro e da ganância. Mas percebo bem que estou a 'falar no deserto'...
Estimado Rui, não tem a ver com o "falar no deserto", tem a ver com o facto de a alteração de regras por parte dos governos levar pessoas e empresas à falência. Ou seja, quem decidiu isto, a alteração das tais gaiolas, não pensou que nas implicações que isso pode ter. Declaração de interesses: não sou produtor de ovos, vendo as caixas de cartão em que os mesmos são transportados. Não gosto que as galinhas sofram mas há que pensar nas coisas.
Caro Luís, Compreendo os seus argumentos, mas mantenho como 'não virtuoso', isto para utilizar um eufemismo, o desenvolvimento de actividades económicas assentes no sofrimento animal. Se a generalidade das pessoas boicotasse esses 'produtos', vai ver que os produtores melhoravam as regras da sua produção e também teriam de "pensar nas coisas"... Por mim não os consumo sempre que o posso evitar. Sei que não mudo o mundo, mas também sei que posso não me deixar mudar pelo mundo.
Isso é o que dá ouvir o dito... se tal Prof. soubesse alguma coisa de direito até sabia que na Alemanha, já há largos anos se garantem os direitos dos animais (sim elogiei a Alemanha). A nações civilizadas devem procurar criar cartas em defesa dos seres cientes. Não se deve proibir o comércio ou o seu consumo, mas deve garantir-se a sua morte sem dor e sofrimento desnecessários, assim uma espécie de kosher ocidental!
O meu caro não resiste! Já noutra altura trocámos impressões sobre a denominada comida 'kosher', onde um animal é sangrado até morrrer, esvaíndo-se em sangue de forma longa, lenta e dolorosa. Se tem dúvidas leia esta notícia de fonte insuspeita: http://www.ynetnews.com/articles/0,7340,L-3880776,00.html Se as continuar a ter, só lhe poderia fazer um sugestão...
Se bem percebi, Marcelo insurgiu-se especialmente (e com alguma razão, convenhamos) contra o facto de a UE (e quem diz a UE agora diz Merkel + um come(r)diante francês) ser incapaz de resolver os problemas gravíssimos que a afectam há anos (e esses problemas, acho eu, afligem muitos cidadãos - desempregados, idosos, gente fortemente angustiada com o futuro) e se tenha saído nesta altura com uma apertada regulamentação sobre as galinhas (que obviamente não são pedras).
Um pouco à margem, gostaria de saber se os tormentos a que em França são sujeitos os patos que servem para fazer os famoso paté de foie gras já têm garantido o respeito pela sua condição.
Gostava de perceber em que medida é que o facto de as autoridades da UE se preocuparem e lutarem contra o sofrimento animal impede ou prejudica a resolução de outros problemas, certamente gravíssimos, que afectam os povos europeus. Sabe, a insensibilidade perante o sofrimento animal é bem a medida da pobreza moral de quem a pratica ou com ela transige.
De Tentando vagamente explicar a 30 de Janeiro de 2012 às 12:29
De há muito tempo para cá, a UE tem vindo a meter o bedelho em ene domínios avulsos onde não faz falta, daí que muitos a vejam com antipatia.
Por exemplo, a fruta tem de estar calibrada e com boa aparência, mas não tem nenhum sabor e sabe-se que é tratada com químicos de toda a espécie.
Muitos produtos tradicionais portugueses acabaram ou são transaccionados com receio e à socapa devido a idiotas e fundamentalistas regras impostas pela UE.
E admiro-me muito se lobis poderosos não mantiverem atentados graves à margem de alguns desses regulamentos, como a abjecta engorda dos patos, que referi.
Por outro lado, a UE falha clamorosamente na informação ao consumidor. Fui mesmo agora buscar um produto cujo rótulo diz: fabricado na UE para ..., distribuído por ..., ignorando-se de todo em que país da UE foi fabricado e, muito menos, o próprio fabricante, o que me parece anedótico. A menção ao distribuidor é de somenos, quem o compra sabe em que cadeia de lojas o fez.
Quanto às nossas autoridades, não estão imunes a medidas do género.
É sabido que muitos cafés (e outros estabelecimentos) investiram na criação de zonas de não fumadores, separados dos fumadores. Vir agora o governo com a ideia de acabar ali com todo o fumo é revoltante para os seus proprietários, que ali terão gasto inutilmente o deles.
E (por acaso, julgo que Marcelo fez referência a isto), a TDT pode ser um progresso, mas deixou de fora sobretudo idosos e idosos pobres do interior envelhecido, o que é intolerável.
Não são medidas assim que ajudam seja no que for. (Eu não fumo e tenho acesso à TV paga).
Concluindo e voltando à vaca fria, atacar a crise não impede que outros assuntos sejam tratados, mas, numa altura como a que vivemos, seria conveniente que todos os esforços fosssem concentrados nesse desiderato e não se distraíssem do fundamental, que são as pessoas que a sofrem.
Que quer que lhe diga? Compara a calibragem da fruta`ou a proibição do fumo ao sofrimento de animais... Mas sempre lhe digo que também não compro ou como fois gras, por razões que por certo imaginará. De resto, como considera o combate à crueldade contra animais uma 'distracção' ao que é verdadeiramente importante, creio que os nossos pontos de vista ficaram esclarecidos.
De Não ficaram, não a 30 de Janeiro de 2012 às 14:47
Ninguém com um módico de sensibilidade pode defender o que fazem às galinhas.
Mas mantenham os pés na terra e não se ponham com irrealismos. Caso contrário, está o mercado invadido por ovos e carne provenientes de países que se marimbam para o sofrimento dos animais e os colocam aqui ao preço da chuva.
Virá o dia em que se proibirá a importanção de bens de países onde não sejam minimamente respeitados os direitos do trabalhador ou dos animais. Se não vier, tanto pior para nós. Não vejo a razão ela qual um ovo não possa custar 30 ou 40 cêntimos. Mas, para ser a 10 ou 15, a coisa tem de ser mesmo à bruta, não é?
A mesma União Europeia que incentiva a matança de bebés humanos, pune quem não trata bem as galinhas....
O que está de acordo com a "filosofia" do infanticida Peter Singer , o pioneiro da perigosa e criminosa ideologia que pretende abolir o carácter sagrado da vida humana e tornar animais e humanos equivalentes em direitos.
Brilhante o post , e a argumentação em resposta aos comentários. Lamentavelmente a ética e o bem-estar animal desde o seu nascimento até ao abate, são conceitos que não fazem parte da cultura deste país e por isso arredados da consciência humana mormente dos produtores.
Obrigado e, infelizmentye, tenho de concordar consigo no que se refere à falta de sensibilidade que apenas diminui quem a tem. É às vezes difícil fazer perceber as pessoas que o respeito pelos animais é, antes de mais, uma questão de respeito por nós próprios e para com o próprio Bem. E sim, claro que todos nos devemos ocupar, com carinho e atenções, dos nossos familiares ou conhecidos mais velhos ou desprotegidos. Se todos o fizessem não haveria tantas notícias sobre a morte de idosos ao abandono, como vimos nos últimos dias. Aproveito e vou agora ligar aos meus pais, o que faço todos os dias quando os não vejo :-)