A VIDA DOS OUTROS *****O melhor filme que vi este ano foi
A Vida dos Outros, de Florian Henckel von Donnersmarck. Uma dilacerante visita ao interior de um sistema totalitário, na defunta República "Democrática" Alemã. Toda a trama gira em torno de um oficial da polícia política de Berlim-Leste, especializado em devassar a vida íntima de intelectuais suspeitos - e para se ser suspeito bastava possuir uma vulgaríssima máquina de escrever. A evolução interior desse oficial, brilhantemente interpretado pelo actor Ulrich Mühe, é-nos mais sugerida do que revelada à medida que se vai diluindo a sua fé no sistema, que de democrático nada tinha e de "socialista" apenas conservava o rótulo, destinado a caucionar novas e mais penosas formas de opressão. É um filme denso, de tons soturnos e atmosfera quase asfixiante, que nos traça um retrato impiedoso do "socialismo real", ainda alvo da inexplicável devoção de alguns nostálgicos. Mas é também um filme que nos devolve alguma esperança na natureza humana, capaz de se rebelar contra um Estado iníquo, que transforma cada cidadão num prisioneiro ou num delator.
Todos os desempenhos são notáveis - sobretudo o de Mühe, falecido poucos meses após a conclusão do filme, sem dúvida uma das obras-primas desta década. Justamente galardoado com o Óscar de Melhor Filme Estrangeiro em Hollywood.
Titulo original: Das Leben der Anderen (Alemanha, 2006). Realizador: Florian Henckel von Donnersmarck. Principais intérpretes: Ulrich Mühe, Sebastian Koch, Christa-Maria Sieland.
De Pedro Picoito a 1 de Janeiro de 2008 às 23:30
Caro Pedro
Inteiramente de acordo: o melhor filme de 2008. E o artigo do VPV foi um pouco infeliz...
De Anónimo a 31 de Dezembro de 2007 às 00:36
Lucidez de Zita Seabra???? AHAHAHHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHHA
Boa piada, é a melhor piada a fechar o ano e dá para o ano novo que ai vem..
Não seria ter o vira-casaquismo, oportunismo, canalhice, cínismo, a pouca vergonha de cuspir onde comeu?? (não falo de ideologias, apenas do comportamento da senhora em causa).
Tivesse ela vergonha e enfiava-se num buraco e levava a amiguinha Luisa Mesquita, viviam de vender livros aos tótós sobre como foram "enganadas" por livre e espontânea vontade e a planear o papel de vítimas, que não sabiam onde se estavam a meter..
De nuno a 30 de Dezembro de 2007 às 19:13
Gostei muito da referência ao "o labirinto do fauno"...uma surpresa mais do que agradavel
Para além de na minha opinião ser um filme excelente, retrata um periodo negro do pais vizinho. Durante o filme vieram-me à memória as palavras dos meus pais quando nos anos 60 atravessando Espanha de carro nos iam dizendo que uns anos atrás se tinha passado por ali coisas terriveis numa guerra civil, segundo eles a pior das guerras.
Sobre a "Vida dos Outros", ainda não tive oportunidade de ver o filme todo mas pelo que vi e li (apesar das criticas de pormenor) parece ser uma obra muito interessante. Algumas das memórias familiares que a RDA me traz são de outra ordem e provem de uma tia militante do PCP que em 75 chega à RDA e manda um carta ao irmão também militante do PCP, com algumas pérolas das quais destaco "finalmente estou no paraiso". Esse meu tio tinha um retrato do Lenine com uma inscrição do genero "o meu sol".
Infelizmente esse familiares meus não tem a lucidez de uma Zita Seabra e nunca compreenderam o embuste em que foram vitimas, continuando a acreditar no inacreditável.
Tenho de ver o filme.
De teresa ribeiro a 29 de Dezembro de 2007 às 18:32
Creio que passou relativamente despercebido e foi uma pena. Quem o não viu não sabe o que perdeu. Este vai resistir ao tempo, de certeza. É, como dizes, uma obra-prima.
De António de Almeida a 29 de Dezembro de 2007 às 16:20
-Independentemente de alguns erros apontados por V.P.V., serem correctos ou não, adoro cinema, este foi para mim um dos grandes filmes do ano. Melhor só mesmo "as cartas de Iwo Jima" e "Babel", ao mesmo nível, mas noutro registo, estou-me a restringir a cinema, "o labirinto do fauno".
De Pedro Correia a 29 de Dezembro de 2007 às 15:45
É de facto muito bom, Leonor. Ao mesmo nível ou quase, de tudo quanto vi este ano, incluo apenas o excelente díptico do Clint Eastwood - "As Bandeiras dos Nossos Pais" e "Cartas de Iwo Jima".
Obrigado pela atenção, J.C. Já emendado.
De Leonor Barros a 29 de Dezembro de 2007 às 15:35
Muito bom, o filme.
De j.c. a 29 de Dezembro de 2007 às 15:29
Creio que é 'polícia política', no terceiro período. E, por falar em período, eis que começam a surgir os retratos 'a posteriori' do período da velha cortina-de-ferro, agora apurados pelo conhecimento e distanciamento.
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