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Os americanos são bons, os europeus são maus. A direita é boa, a esquerda é má. Parece simplista, mas esta é a ideia que alguns autores têm do mundo. Li por acaso um excerto de um artigo de Rodrigo Adão da Fonseca, publicado na revista Atlântico e citado no Insurgente. Não me contenho. Reajo antes de ler todo o original, pelo que antecipadamente peço desculpa se cito erradamente.
Nesse artigo, que pode ser lido parcialmente no post "O Leviatã Vestido numa Bela Pele de Carneiro", aqui, as pessoas de esquerda são uma cambada de papa-açordas que não entendem o que é um neo-conservador. A profundidade de pensamento dos americanos não é compreensível para estes europeus que já esticaram o pernil e ainda não deram por nada.
A esquerda critica os camones porque o planeta está a aquecer (enfim, duvidosas teorias) e quando dizem que há pobres na América, os da esquerda insultam os verdadeiramente pobres por aí fora.
Portanto, conclusões do início do artigo: o neo-conservadorismo acertou em cheio, não há pobres na América e o aquecimento global é uma balela.
Os da esquerda são uns tontos, pois, e agora cito com maior precisão "caucionam todas as formas folclóricas de combate à fome em África" (não sei se isto inclui as da Igreja católica, mas julgo que não).
Conclusões da segunda parte: é disparate apoiar o trabalho de ONGs que dizem que tentam minorar os problemas da fome em África. O esforço não salva vidas, claro que não.
Agora, cito correctamente o artigo (sem caricatura): a esquerda recusa uma solução que de facto ia ajudar o continente negro "como a diminuição de barreiras alfandegárias e a implementação de regras mais justas de comércio". A razão para esta recusa é porque o dito comércio justo faria "perigar o Modelo Social Europeu". Nem sei por onde deva começar. Comércio justo? Barreiras alfandegárias? Modelo Social Europeu? O Rodrigo acredita mesmo no conceito de comércio justo e na bondade de tudo isso? E acha que o que descreve como modelo social europeu fica em perigo se comprarmos bife argentino?
Avancemos. Rodrigo Adão da Fonseca escreve que a esquerda "quer acabar com os ‘Muros da Vergonha’ em Ceuta e Melilla, mas perde fôlego quando se pede o fim dos grandes muros, entre outros, as barreiras alfandegárias e os subsídios à agricultura na União Europeia". A PAC tem mesmo as costas quentes. E os subsídios agrícolas nos Estados Unidos, que são da mesma ordem de grandeza, ficaram pelo caminho? São só os europeus que impedem um acordo na OMC? E os ‘muros da vergonha’ na fronteira com o México, não são importantes? Qual é a soberania de Ceuta e Melilla (não terá um governo à esquerda?).
É, de facto, um sarilho, quando começamos a simplificar.
Quem escreve esta crítica não é de esquerda nem de direita, antes pelo contrário, acho que isso já não existe, excepto como ritual. E, acima de tudo, são conceitos que dificultam a análise. Mas sou contra as OGMs que as multinacionais me querem impingir (prefiro não morrer envenenado); tiro o meu chapéu aos que vão para África ajudar gente que tem fome (dava para várias crónicas, Rodrigo, falar destas pessoas, os que têm fome e os que ajudam). Acho que não é preciso ser muito alfabetizado para perceber que os gases com efeito de estufa aumentam a temperatura média do planeta. O problema existe, Eppur se muove, como diria Galileo.
Os neo-conservadores aplicaram uma simples teoria política à realidade complexa, mas a realidade enganou-se. Eles não acertaram uma, por amor de Deus, a teoria está errada, esqueça essas fantasias.

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12 comentários

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De RAF a 04.10.2007 às 14:59

Caro Luis Naves,

O artigo tem alguma extensão, e o seu contexto. Seria interessante que perdesse algum tempo a lê-lo, uma vez que teve a paciência de dissecar uma parte que só tem a sua razão de ser na sequência em que é escrito.

Depois de o ler, agradeço novamente a sua opinião. Terei nessa altura todo o gosto em discutir consigo o conteúdo e eventuais divergências de opinião que subsistam.

Noto-lhe ainda que o artigo não visa contrapor a Europa aos EUA, mas apenas dissecar aquilo que são as fragilidades do pensamento supostamente neo-marxista.
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De ni a 03.10.2007 às 19:49

Eu desmonto a ironia, Luís Naves, que era para a Atlântico e não para si. A referida revista não passa de uma circular bancária. Alguém -imagino que o BCP - sustenta e proteger uma coisa que vende meia dúzia de exemplares (imagino que um pouco mais do que 431) e que sendo mensal já vai na edição trinta a tal. Os mesmos que tão neo-conservadoramente defendem o mercado a funcionar e a sobrevivência dos mais fortes e mais circulantes são os mesmos que vivem da protecção de interesses económicos e subsistem graças ao mais ternurento proteccionismo. Ao fim e ao cabo, tal como faz, Luís Naves, eu cascava na Atlântico, só que por inteiro e não apenas num artigo.
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De Anónimo a 03.10.2007 às 18:59

Caro Senhor Nave.
Excelente este seu texto. Parabéns!
Pena que a esquerda francesa obrigue à continuação da PAC. Os suiços liberalizaram o mercado do seu queijo, talvez os europeus protegessem melhor o seu se o mercado fosse aberto e livre.
O tipo de ajuda que é prestada aos países africanos é muito mal gerida e dá poucos resultados, não por ser de direita ou por ser de esquerda, mas porque é corrompível, política e não respeita o mercado.
Virgilio
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De Luis Naves a 03.10.2007 às 16:25

queria escrever anaeróbica
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De Luis Naves a 03.10.2007 às 16:24

confesso que não entendo os comentários da cristina (na primeira parte, a referência aneróbica) e o sobretudo o comentário de ni, sobre o bcp. leiam lá com mais atenção o post, pois acho que está lá escrito o contrário do que vocês leram. Respondendo a peter, a ilustração do che guevara não tem nada a ver com o post, mas tem a ver com o post inicial de insurgente e com a capa da atlântico, que tem sido muito elogiada em alguns blogues, para meu espanto.
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De Peter a 03.10.2007 às 15:54

Caro Luís e o que é que o Che Guevara tem a ver com isso, bem que podia ter posto 1 ilustração melhor.
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De ni a 03.10.2007 às 14:02

Olha, o senhor Luís Naves é uma das 431 pessoas que lê a circular do BCP. Espero que a compre, tem de se lutar por estes projectos bem inseridos no mercado e que ninguém protege - com publicidade para não ser lida - como é próprio numa publicação que defende o capitalismo e a livre concorrência. Eu como sou de esquerda faço a pergunta: Não haverá aí nenhum bancozito que me subsidiasse 31 números de uma publicação a defender a presença no Estado em sectores estratégicos, bater no José Sócrates, com comentadores de esquerda e de direita, mas sem biotecnólogos ou sociólogos e acima de tudo sem o Pacheco Pereira ou o Graça Moura do socratinismo? Se aparecer alguém dixo o meu mail.
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De Luis Naves a 03.10.2007 às 11:13

agradeço todos estes comentários
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De Cristina a 03.10.2007 às 02:26

é a isso que se chama pensamento anaeróbico: existe independentemente da presença de oxigénio na atmosfera. uma coisa assim, de duas ou três reações quimicas baicas..

a propósito de ajuda, penso que é oportuno deixar um exemplo de uma ONG, gerida por um português, que tem praticamente todo o serviço de saúde de S.Tomé nas mãos. e a funcionar. mas esta gente sabe lá o que isso é.. "nem sabem, nem sonham". que é o pior.

aqui (http://riquita1303.blogspot.com/2007/09/portugues-que-fazem-diferena.html)
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De Anónimo a 03.10.2007 às 00:00

Gostei de ler.

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