Sábado, 26 de Junho de 2010
José Pangloss Pinto de Sousa

José Sócrates é muito optimista.
Como Pangloss, o mestre do inocente Cândido, Sócrates quer fazer o povo acreditar que “É tudo para o melhor no melhor dos mundos possíveis"  e que ele, obviamente, é o melhor para Portugal. Não se sente, às vezes, o único a puxar pelo País?
Os casos comprometedores, em que se vê constantemente envolvido, não passam de singulares coincidências ou, pior, de obscuras conspirações: desde uma impagável licenciatura ao Domingo até ao desleixo profissional quando exerceu funções na Câmara Municipal da Guarda, onde já simpatizava com a causa do aborto (embora ainda na sua vertente urbanística), desde as suspeitas denunciadas na imprensa sobre o seu envolvimento no caso Freeport até à misteriosa participação como ‘chefe máximo’ no condicionamento da liberdade de imprensa, aquando do célebre caso TVI - estranha mas convenientemente parado há quase um ano no Ministério Público.
Para Sócrates todos esses males vieram por bem. Não o têm tornado ainda mais impune, à medida que foi baixando a exigência ética dos Portugueses?
Para ele, qual Pangloss, tal como as pedras foram feitas para construir castelos, os Portugueses existem para o manter no poder.
A multidão de sabujos que o rodeava, desde políticos situacionistas a empresários dependentes, gestores subservientes e comentadores comprometidos, coadjuvava-o na defesa da admirável tese de que tudo estava bem e que Portugal era o paraíso.
O Povo, cândido, estava satisfeito, caindo repetidamente nas suas esparrelas, fosse a de que não aumentaria os impostos, a de que não cobraria portagens nas SCUT ou ainda a de que iria criar 150 mil postos de trabalho. Os bons resultados, alcançou-os em 2005 e conseguiu ainda repeti-los, embora enganando menos eleitores, a 27 de Setembro de 2009.
Para Sócrates, um deslumbrado que disfarça nos fatos Armani e no jogging, a sobriedade e a sageza que obviamente nunca teve nem soube adquirir, bastava que o Povo acreditasse nos seus golpes de mágica e nas ilusões de abundância e modernidade que, enganosamente, sabia vender. A liberalização do aborto, o namoro à causa gay, os inúteis Magalhães, as passagens quase administrativas na escola, são bons exemplos dessa agenda alegre que ele lançou para enganar os tolos.
Mas, infelizmente para o nosso Pangloss, as mentiras de 5 anos começam a ceder perante o confronto que o País está, finalmente, a fazer com a dura realidade que, tal como a Natureza, se começa agora a impor a galope.
O País, outrora belo para Sócrates, está de rastos. Sem valores, sem ética, sem atitude, sem rasgo, sem dinheiro, sem emprego, sem competitividade, sem governo digno desse nome.
O fim desta novela é previsível.
Os Portugueses já não acreditam no optimismo irrealista e doentio de Sócrates. Quando fala, as pessoas riem-se, quando não o insultam. E com razão por saberem que se deixaram iludir durante tanto tempo por alguém com um percurso tão pouco recomendável.
Os Portugueses, outrora cândidos, perceberam já que, como na novela de Voltaire, "É necessário cultivar o nosso jardim", ou, dito de outro modo, é preciso trabalhar a sério. O que só poderá ser feito com sacrifício e esforço colectivo, mas também apenas com gente credível à frente do País. Com conversa mole já não vamos lá.
O tempo de Sócrates – que muito mais acertadamente se deveria chamar José Pangloss Pinto de Sousa – está pois finalmente a acabar.

E então teremos de recuperar estes anos perdidos para Portugal.



publicado por Rui Crull Tabosa
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11 comentários:
De Ega a 27 de Junho de 2010 às 00:23

Caro Rui Tabosa:
Exige-se o máximo rigor histórico na apreciação do Sócrates que o Destino nos votou.
Desde a Antiguidade Clássica, nunca outro Sócrates surgiu na política mundial. Vd. Wikipedia.
Azar nosso, caiu de pára-quedas em Portugal, o novel Sócrates. Dir-se-ia, à caça de um Nobel.
Factos:
a) - A possidoneira - de onde deriva a «onda» casamento gay e quejandos.
b) - A ambição - por via da qual o CF não tem espaço para o exame dos Freeport's, Ruis Soares, PT's, etc, etc.
c) - Impreparação - que está na origem dos descalabros relacionados em a) e b) supra.
d) - A incultura - aí vão 10 milhões para o centenário do camafeu.
e) - A ambição - não há quem o tire de lá, pese embora todos os escândalos bem à vista na Imprensa.
f) A apatia - esta é nacional. Sequer a classe dos engenheiros se queixa das más companhias.
g) - A ausência de alternativas: outro caso luso. Conjugado com os restantes resolve a equação pela formúla »Sócrates». Quer queiramos, quer não.

Portanto, desfiando o fio à meada, havemos de começar por g). A revolta em f) será então mais que previsivel. Logo e) revelar-se-à uma praça fraca. A vergonha matará d). Vista a nudez de c), resulta que b) e a) se sumam, pressupondo, é claro, que o poder judicial evoluiu desde o regicidio para cá. E que o Tribunal Constitucional não seja o costumeiro grémio político.
O problema é que tudo isto é pedir demais.
Uma boa noite para si.
J. da Ega. 


De Camarada Sampaio dixit a 27 de Junho de 2010 às 10:13
"A crise que estamos a viver é um produto do neoliberalismo e da subserviência aos mercados, mas a social-democracia não conseguiu tirar dividendos desta crise e tem-se mostrado relativamente incapaz de propor soluções alternativas que sirvam as pessoas. É preciso assumir esta limitação, que, aliás, começa a ser visível nos resultados de recentes actos eleitorais."

Mas quer-me parecer que ele passou a chamar social-democracia ao partido dele e aos seus irmões, ou não?


De Anónimo a 27 de Junho de 2010 às 10:55
Mas....e que faz o Presidente da Republica?
Mas e que faz o PGR?

Mas e que fez o Procurador da República que teve o processo parado um ano?

Houve um caso, muito falado, que durou muitos anos, porque também havia alguém que não queria que andasse.
Só que andou. Andou de tal maneira que alguns «grandes» assim eles se achavam, comeram, comeram e comeram...e fez-se uma limpeza! Hoje nem falam do caso, que aquilo deixou marcas...


De carneiro a 27 de Junho de 2010 às 12:29
"quando exerceu funções na Câmara Municipal da Guarda, onde já
simpatizava com a causa do aborto (http://www.publico.pt/Pol%C3%ADtica/socrates-assinou-durante-uma-decada-projectos-da-autoria-de-outros-tecnicos_1318310)
(embora ainda na sua vertente urbanística)"

 - eheheh, muito bom.

Tive o elevado e grato  prazer de confirmar a existência de "A Obra" por conta própria:
 http://xiclista.blogspot.com/2010/04/o-homem-e-imparavel.html#links

e também em
http://xiclista.blogspot.com/2010/03/o-xiclista-e-historia.html#links


De Anónimo a 27 de Junho de 2010 às 13:41
Exmº. Senhor
Corta - Fitas Rui Tabosa e João Távora,

 Nós que temos dos melhores médicos do mundo, daqueles que também são excelentes em emitir bilhetes de ida sem volta para o outro lado, acabámos por constatar mais uma vez que afinal as prescrições médicas nem sempre são as melhores.

Nas minha viagens pelo interior da blogosfera, um mundo aparte, encontrei uma clínica médica que alega curar doentes com aspirina B. Parece que o monólogo ditador faz parte do tratamento. As enfermeiras, essas então, conhecem os meandros do «gajedo» e «das putas de mesa». Assim o dizem. Têm, ainda, uma outra especialidade - a da adivinhação ou da mediunidade ou da bruxaria. Não sei bem como qualificar este novo dom, porque um personagem «zazie» entendeu chamar «Deslumbradita» ao Sr. Carlos Santos, outros prescreveram medicina ao Sr. Crull Tabosa e combinaram um duelo com o Sr. João Távora. Ele há, até, quem se enfileire com bengalas em punho e até chame o Clint Eastwood, apondo-lhe uma voz cava, no mesmo registo.
Estou a pensar contactar o INFARMED para analisar devidamente o tipo de Aspirina B, que se prescreve por ali. É que concluí que aqueles «médicos» do Rato, tomaram overdose de aspirina e entraram na viagem - deliram, e de tal forma que de tanto me fizeram rir, que entendi passar a chamar-me Valupi II. Já avisei a rataria por lá.
Refiro, porém, que nada tenho que ver com o Valupi.
Se quiserdes passar por lá, ponde máscara, vêde, todavia, que a «Valupia» entornou o caldo todo e se escaldou, é um facto.

Melhores cumprimentos.

Valupi II


De Sub-comandanta Paulinha Bonaparte a 27 de Junho de 2010 às 14:40
Isso tudo são intrigas da Deslumbradita que ficou cheia de inveja pelo facto da senhora Educadinha ter aparecido no retrato.

http://cocanha.blogspot.com/2010/06/tranches-da-vida-mundana.html


Cumprimentos, como se costuma dizer entre gente fina.


De Anónimo a 27 de Junho de 2010 às 15:39
Ai Srª. Subcomandanta Bonaparte,

A menina é pequinininha como o Bonaparte, cuja cabecinha inchou tanto que foi rebentar para os lados de Santa Helena.
Eu só falo com comandantes, da pesada, daqueles que quando libertam as entranhas, pôem todos em sentido e deixam rastilho pronto a rebentar.
Já fui ver a Srª. Educadinha, está lá no vosso retrato e não podia estar melhor. Está a dar milho às galinhas que resultaram da lei paneleira do Sr. Pangloss Sócrates. E se «elas» comem, é só milho, milho e mais milho!

Cumprimentos, Srª.Subqualquer coisa.

Valupi II


De José Eduardo a 27 de Junho de 2010 às 15:28

..."está pois finalmente a acabar." Estará?


De Rui Crull Tabosa a 27 de Junho de 2010 às 16:07
O descalabro económico e social que já está a suceder assim o obrigará.
As classes médias estão já a sentir bem na pele os efeitos do socialismo, que as inunda com impostos sem cuidar de reformar o Estado. E a coisa vai piorar ainda muito...


De A. Pinto de Sá a 27 de Junho de 2010 às 21:04
E não pode ser esquecida a quota-parte de responsabilidade dos que o têm ajudado a manter-se no poder. Lembro-me, por exemplo, de um Pinto Monteiro, um Noronha do Nascimento, um Mota Amaral... Uma lista infindável que importa ter presente quando for preciso, não? 


De Anónimo a 27 de Junho de 2010 às 21:13
Adoro dicionários ilustrados. Fiquei a saber o que é um sabujo. Sorridente.

Valupi II


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