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Descartáveis

por Corta-fitas, em 25.08.07

Quando era criança havia um cão chamado Esquimó que vivia num dos quintais que se viam das traseiras da minha casa. Era um lindo Samoiedo, de pelo sedoso e branco, que com o passar dos invernos se foi enchendo de reumático. Por fim era penoso vê-lo a coxear para dentro da casota que os donos lhe haviam instalado mesmo virada ao vento norte. E um dia mandaram-no abater. “Já estava velho e doente”, disseram, em tom casual, à minha mãe.
Lembrei-me do Esquimó a propósito de um outro exemplar da mesma raça que vi aqui há dias, atarantado, a ziguezaguear pelo meio da estrada, indiferente aos carros que iam passando. Não precisava falar para se perceber o que lhe tinha acontecido. Tenho a certeza que me foi dado assistir aos primeiros momentos de aflição de um canito quando percebe que foi abandonado. Desorientado, assustado e triste, o que mais comovia na atitude do infeliz era perceber a sua incapacidade para compreender o que lhe tinham feito.
Aquela minha antiga vizinha, felizmente, nunca mais quis ter um cão. Mãe de uma única filha, agora já casada, queixa-se frequentemente do abandono a que ela a votou. Não admira. Agora, que já está velha e doente, tem sorte se não for despachada para um daqueles lares onde os velhos não duram mais de dois meses...

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7 comentários

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De Anónimo a 26.08.2007 às 15:27

Como é que um lar desses (ou doutros) ia à falência?
Há sempre uma fila à espera para entrar....
A questão é mesmo esta: mal saem uns, entram outros.
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De Anónimo a 26.08.2007 às 15:16

Eu prefiro este post àquele também da Teresa Ribeiro sobre o "Oh, a esplanada estava fechada para férias".
A não ser que os donos da esplanada tenham abandonado os animais (ou familiares doentes) para fazerem férias.
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De pedro oliveira a 26.08.2007 às 10:02

«Agora, que já está velha e doente, tem sorte se não for despachada para um daqueles lares onde os velhos não duram mais de dois meses...»

Percebo a intenção do «post», está muito bem escrito, contudo, um lar desses ia à falência rapidamente.
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De Anónimo a 26.08.2007 às 01:14

E não será tao ou mais preocupante o abandono e a exclusão dos "velhos"?
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De Anónimo a 26.08.2007 às 00:15

A maioria das pessoas, infelizmente, ainda trata muito mal os seus animais.
Tenho dois rafeiros abandonados.
Os meus filhos já crescidos não se esquecem de perguntar por eles quando estão de férias.
Agora lembrei-me que tenho de os levar ao veterinário.E de brincar mais com eles.
Incondicionalmente nossos amigos.
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De H.R. a 25.08.2007 às 20:22

De dar um nó na garganta. Coitado do Samoiedo...
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De Leonor Barros a 25.08.2007 às 18:35

A Mulher que prendeu a chuva da Teolinda Gersão há um conto muito perturbante e muito bem escrito sobre o abandono dos animais. Recomendo vivamente.

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