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Este ditador vem a Lisboa (3)

por Pedro Correia, em 03.11.07

Teodoro Obiang Nguema.

Presidente da Guiné Equatorial desde 1979. Tem 66 anos.
A antiga colónia espanhola, que se tornou independente em 1968, tem sido governada em família: o anterior ditador, Francisco Macias Nguema, governou com mão de ferro até ter sido deposto pelo sobrinho, que desde então se mantém no poder em Malabo. Para que não restassem dúvidas sobre quem mandava, decidiu executar o tio. Perseguiu adversários políticos, autorizou a tortura e instalou um dos mais corruptos aparelhos de Estado de toda a África. Segundo a revista Forbes, é o oitavo governante mais rico do mundo, com uma fortuna avaliada em 600 milhões de dólares.
Em 1992, pressionado pela comunidade internacional, anunciou a instauração da "democracia" no país. Mas todos os escrutínios foram desde então manchados por enormes fraudes eleitorais. A vitória, evidentemente, cabe sempre ao Partido "Democrático", do ditador, que controla 98 dos 100 lugares do "parlamento" e se habituou a governar por decreto. Em 2002, foi "reeleito" para um novo período de sete anos, com 99,5% dos votos. Segundo a Amnistia Internacional, este país é um dos piores do continente em matéria de violação dos direitos humanos.
A liberdade de imprensa, prometida na Constituição, nunca existiu. Hossanas ao líder são constantes nos relatos jornalísticos, quase na totalidade dependentes do Estado. Há tempos, com o tom mais sério, a rádio oficial anunciou que o ditador estava "em permanente contacto com Deus Todo-Poderoso" e que "pode decidir matar quem quiser sem prestar contas e sem ir parar ao inferno".
Obiang Nguema é um déspota. Portugal prepara-se para recebê-lo com todas as honras.

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12 comentários

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De Anónimo a 04.11.2007 às 21:05

Não assinei o comentário, mas foi por engano
Virgilio
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De Anónimo a 04.11.2007 às 21:04

Hó Harpad... essa de os comunas não serem bem recebidos até parece anedótico. Então o Fidel foi recebido de braços abertos numa cimeira de países pobres com línguas parecidas que se realizou no Porto, o Zézinho angolano é recebido sempre que quer cá vir. Quer mais comunas? Ambos fazem tudo pelo seu povo, embora um já seja amigo dos imperialistas americanos
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De Cláudia Ribeiro a 04.11.2007 às 19:21

Começa a ser hábito.
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De josé manuel faria a 04.11.2007 às 13:14

E Sócrates dirá: Porreiro pá!
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De Harpad a 04.11.2007 às 13:02

Não receber este senhor não me parece capaz de ajudar o povo do Zimbabwe. Na Pior das hipóteses permite que este país não caia, pelo menos para já, no esquecimento.

No entanto marco alguns pontos segundo os quais considero tudo isto uma gigantesca hipocrisia:

1) Se excluíssemos ditadores e democratas duvidosos da Cimeira, apenas três ou quatro líderes africanos seriam convidados a comparecer em Lisboa.

2) Se os europeus não gostam de ditadores, porque razão colocaram uns quantos no poder em África (e os ingleses tornaram-se especialistas), muitos dos quais são nossos bons amigos, para não falar de outras ditaduras por esse mundo fora. Afinal, do que é que não gostamos, das ditaduras em geral ou apenas daquelas que são pobres e não têm recursos naturais? (...e comunas...)?
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De António de Almeida a 04.11.2007 às 12:54

-Em matéria de bandidagem, o nosso governo só não recebe o .......... Dalai Lama? Que crimes terá practicado?
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De j.c. a 03.11.2007 às 23:04

O que o mundo tem demorado a perceber é que a corrupção nestes países começa logo nas ajudas internacionais: parte substancial dos fundos voltava imediatamente a sair para contas particulares no estrangeiro.
Finalmente, parece que esse tipo de ajudas está a secar. Estranho o tempo que tem sido necessário para ver o óbvio...
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De hot legs a 03.11.2007 às 21:43

Hum! Que ser humano tão encantador!
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De Anónimo a 03.11.2007 às 21:37

Nao o receber nao e solucao. Insisto na ajuda internacional. O governo deste senhor recebeu ao longo das duas ultimas decadas mais de mil milhoes de USD de ajudas internacionais (da Europa, dos Estados Unidos, da China). Nao e recebe-lo que lhe da legitimidade, dar-lhe dinheiro para ele se manter e que me custa!
De direita ou de esquerda estes tiranos sao todos iguais.
Virgilio
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De Cristina Ribeiro a 03.11.2007 às 20:06

E são estes nossos socialistas que se arrogam o monopólio do"humanitário", como sucedeu há tempos, aquando duma entrevista dada ao DN, sobre as diferenças entre direita e esquerda;lembro-me de alguns terem dito: a diferença está em que NÓS não nos conformamos com as injustiças. Patético.

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