Acabo de ler a notícia de que a televisão russa transmitiu o filme Katyn.
Nesse filme narra-se o massacre de 22.436 militares e também civis, pertencentes à intelligentzia polaca, mortos a sangue frio, de 'tiro na nuca', pelos soviéticos após a invasão da Polónia oriental em 1939.
O seu crime? Estaline e Béria – o chefe da polícia política NKVD – consideravam-nos “nacionalistas e contra-revolucionários”.
As execuções na floresta de Katyn começaram no início de Abril de 1940 e prolongaram-se por várias semanas, excepção feita ao 1.º de Maio, em homenagem ao glorioso Dia do Trabalhador…
Descoberto o crime pelos alemães em 1943, uma comissão da Cruz Vermelha Internacional acompanhou e certificou a exumação dos corpos das vítimas e, não obstante a concludência das provas, durante quase meio século os soviéticos insistiram em desmentir o massacre, mais precisamente até 1990.
Porque razões recordo este horrível morticínio, o qual, evidentemente, não desculpa nem apaga os crimes, igualmente terríveis, que as potências do Eixo também cometeram durante a II Guerra Mundial?
Desde logo porque, à semelhança do dantesco suplício de Dresden, ocorrido em Fevereiro de 1945, nos ajuda a compreender que a História, embora seja normalmente feita pelos vencedores, não é, contudo, linear, nem pode ser reduzida a uma visão maniqueísta, tão ao gosto dos espíritos simplistas e das inteligências comprometidas...
Depois, porque notícias como a que comecei por referir obrigam à conclusão de que os russos lidam melhor com o seu próprio passado do que os responsáveis pela difusão de filmes e pela programação das televisões em Portugal, os quais, seja por ignorância ou por sectarismo ideológico, nunca tiveram a percepção da necessidade de aqui se conhecerem também os crimes do comunismo.
Pensei fazer acompanhar este post de algumas imagens do filme Katyn (a propósito, para quando a sua edição em DVD?), mas preferi escolher um documentário da época (e, já agora, vale a pena visitar este site), já que o realismo que aquele procura alcançar nunca se poderia equiparar à homenagem que este representa para as vítimas de Katyn, mortas há precisamente 70 anos.
Muito nossos
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