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A Pedofilia e a Igreja Católica

por João Távora, em 17.03.10

 

 

Têm-me causando uma profunda apreensão e amargura as notícia que vêm ultimamente a lume sobre o envolvimento de membros da Igreja em casos de pedofilia. Por mais doloroso que seja, torna-se urgente uma abordagem radical e desapaixonada ao problema por parte da hierarquia, com a assumpção de medidas peremptórias e sem contemplações, de denúncia e erradicação deste fenómeno de qualquer estrutura da Igreja. De pouco me interessa que a pedofilia e o abuso de menores tenha sido uma prática transversal menosprezada e escondida nas mais distintas instituições laicas, principalmente aquelas que contemplassem regime do internato de crianças. Cada caso que permaneça mal resolvido e explicado, cada novo escândalo publicado, constitui mais uma machadada no processo de descristianização que vem ocorrendo no ocidente liberal e materialista. Se assim não for, a Igreja Católica, que trava uma decisiva luta pela sua sobrevivência nesta cultura leviana e hedonista, só poderá queixar-se de si própria: a propaganda anticlerical, de forma mais ou menos conspirativa, exulta e empolará toda e cada uma das notícias que surgirem. 

De resto, mais talhado a pensar o bem do que o mal, quero acreditar que a sucessão de trágicos erros que redundaram nestes escândalos e no seu encobrimento, pode bem ter origem no que de mais nobre tem o cunho personalista cristão que, apesar de tudo, esmalta a Igreja: a crença numa regeneração do homem pelo arrependimento. Assim, tragicamente se menosprezou a índole profundamente patológica do fenómeno da pedofilia, que em conjunto com a ancestral “vergonha” da Igreja em lidar com as questões da sexualidade, redundou nos factos com que hoje nos confrontamos.

Por mim, espero e exijo muito mais da Igreja de que me assumo parte: se cada escândalo comporta  uma atroz e dolorosa vergonha, um arrepiante pecado, o facto é que isso não demove a minha fé e a crença de que o que de melhor o Homem possui continua a plasmar-se dentro da Igreja errante e visceralmente humana. Sem desprimor para muitos ateus e agnósticos excepcionais, mesmo pela bitola da mais genuína santidade cristã, em termos abstractos, a minha expectativa sobre a conduta moral e ética de qualquer cristão praticante é inexoravelmente superior: isto porque o caminho da fé cristã, sendo difícil e carregado de escolhos, é inseparável duma autocrítica, duma exigência e dum contínuo aperfeiçoamento, utopia fundamental para uma  comunhão plena em Cristo. 

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38 comentários

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De carneiro a 17.03.2010 às 22:38

O texto é de uma grande eloquência e de grande coragem.

Na minha modesta opinião, nestes lamentáveis casos, á semelhança, aliás, do que aconteceu no sórdido assunto Casa Pia, misturam-se duas situações que nada têm a ver uma com a outra. Por um lado, o abuso de crianças impúberes, isso sim, a pedofilia no que tem de mais aberrante. Por outro lado, a prática homossexual com adolescentes, apesar de menor idade, mas perfeitamente conscientes do grau de colaboração - muita ou nenhuma - que concedem ao homossexual adulto. E aqui também haveria que distinguir. Eu, aos 15 anos de idade era de menor idade, mas já tinha perfeita consciência do que faria caso fosse abordado por um homossexual, fosse padre ou fosse agnóstico.

Conforme se esteja numa ou noutra das situações, as causas são diferentes e a responsabilidade - neste caso da Igreja - é diferente.

Mas pese embora a comunhão entre os fiéis da Igreja, estou-me borrifando para o perdão e o arrependimento dos padres pedófilos irlandeses, mexicanos, norte-americanos ou portugueses. Pessoas como o Padre Frederico só têm um lugar na sociedade: um hospício onde sejam internados para tratamento em tempo indefinido.

Já na questão da homossexualidade de padres, a questão integra-se no padrão de comportamento casto que é exigível a um seminarista, a um qualquer padre, seja homossexual ou heterossexual. Se um Padre for homossexual, mas mantiver uma vida casta e cumprir os seus deveres não serei eu a apontá-lo, nem vejo razão para que ele seja um filho menor do mesmo Deus.

Agora, convém ter consciência que as instituições que ligam com crianças impúberes será sempre um alvo para os predadores pedófilos. A questão da instituição ser religiosa é secundária. O predador adaptará a sua pele de lobo, ao ambiente que visa integrar para alimentar a sua perversão . Pode ser uma instituição católica, laica, protestante, o que for.

Na questão da sexualidade nos seminários, creio que há muito que a Igreja portuguesa anda de pestana bem aberta, mas não há Director de Seminário algum que possa garantir á partida que aquele jovem padre não venha a prevaricar em termos da sua castidade. Seja de forma homo ou heterossexual.

Ainda outra questão é a do celibato dos padres que parece-me que nada tem a ver com este assunto.

Devo salientar que andei 2o anos pelos Escuteiros, com actividades de dormidas fora de casa, envolvendo muitos e variados padres e rapazes e raparigas dos 6 anos aos 20 e tal - eu próprio passei sucessivamente por esses escalões, até chefe de agrupamento - e nunca percebi qualquer comportamento do tipo daquele que aqui estamos a censurar.

Se havia um ou outro trejeito que pudesse indiciar uma homossexualidade latente ? talvez. Mas isso é o que se passa na sociedade em geral. Até nas turmas de Escola que frequentei. E isso, por si só, nunca será bastante para qualquer censura minha, ou sequer digna de registo em especial.

Outra questão que passa pelos seminários e por todas as instituições com alunos internados, é o grande tabú. a> da sociedade portuguesa - o abuso sexual entre os próprios alunos, regra geral os mais velhos obrigando os mais novos, por vezes, enquadrados em esquemas de praxes etc., sendo todos de menor idade, e por vezes todos em idade inferior á imputabilidade.
Neste particular devo dizer que, à cautela, nunca deixaria que qualquer dos meus 3 filhos ingressasse numa instituição com internamento. E este é o único contributo que dou para a discussão desse tabú. a>

Já não tenho é grandeza de alma ou Fé suficiente para rezar pelos pedófilos. Porque a perversão destes não tem cura.



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