Sexta-feira, 22 de Janeiro de 2010
A discreção enganadora
O papel de Manuela Ferreira Leite na negociação do Orçamento de Estado conforta-me. Discreta e de poucas palavras, Manuela Ferreira Leite faz depender a sua posição da consagração de princípios gerais de combate ao défice, ao endividamento e à asfixia económica. Deixa a Paulo Portas - também dito CDS - o caminho livre para brilhar com um acordo de curto-prazo que poderá tolher-lhe o passo no futuro. Deixa a si própria e ao seu partido a liberdade de abster-se ou mesmo votar contra uma governação em que não acredita - votar contra, por exemplo, se o governo Sócrates insistir nas grandes obras públicas.
Os comentadores que vêem o Mundo em cor-de-rosa identificam em tudo isto uma «lição bem estudada do CDS» (também chamado Paulo Portas) e «hesitações» do PSD.
Ao contrário, o que me conforta na atitude de Manuela Ferreira Leite é ter preservado para o seu partido o campo e a liberdade de fazer oposição, que será muito necessária muito em breve.
De Ega a 22 de Janeiro de 2010 às 23:04
É pena é a fotografia. Quem não a conhecesse pensaria que MFL anda por aí, na Internet, a ver se reparam nela, qualquer rapaz descomprometido, sabe-se lá...
E não é assim. MFL é uma senhora. Dessas que mantem o prumo, que não berra, que não se insinua nem provoca, e conserva ideias e projectos na cabeça.
Criou os filhos e ainda tem tempo para o País. Não é uma desnorteada. Talvez por isso não seja compreendida.
Cultiva o low-profile e não entra em histeria nem em demagogia. Até ao momento, dentre os líderes partidários, leva de longe a minha simpatia.
Sabe conversar, não apenas emitir ruidos. Não é inoportuna, não se faz convidada. Lamentavelmente, os portugueses não estão à sua altura.
Preferem o «chiqueiro» dos comícios. O PSD teve uma oportunidade e o País também. Porque não a terão aproveitado?
De Está na Cara a 23 de Janeiro de 2010 às 10:17
Manuela Ferreira Leite vai ser a grande líder do futuro grande PPDPSD.
PS - Discreção é palavra que não vem no dicionário.
De Pera Amarga a 23 de Janeiro de 2010 às 11:09
Para a virtude da discrição, ou de modo geral qualquer virtude, aparecer em seu fulgor, é necessário que faltemos à sua prática.
Carlos Drummond de Andrade
De Estrelicadinha a 23 de Janeiro de 2010 às 17:58
Até prefiro o piscar de olho do José Rodrigues dos Santos.
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