O meu rapaz mais velho que está este ano no 12ª ano tem Psicologia como cadeira opcional, uma daquelas para encher balões e que não contam para os exames. A leccionar a cadeira saiu-lhe na rifa um personagem animadíssimo que se reclama Astrofilósofo (o quer que isso seja), assunto sobre o qual disserta nas aulas e escreve numa publicação popular.
Entre as várias afirmações bombásticas deste senhor que chegam em conversa à mesa de jantar lá de casa, estão verdadeiras pérolas da incultura vigente: que as religiões são todas perversas, ou que ele não está ali para ensinar a matéria mas para fazer dos seus alunos “melhores pessoas”. Lindo serviço este que estamos a patrocinar com a nossa anuência e os nossos impostos.
Pode ser Deus a testar a fé dos crentes
por via do ministério da educação.
De João Gante a 16 de Dezembro de 2009 às 13:32
Sinceramente, João, julgaria que alguém normalmente tão bem informado estivesse a par do papel fundamental dos Astrofilósofos na construção da nossa civilização.
Uma pesquisa no Google indica que é algo estranhamente próximo da astrologia...Não houve aqui há algum tempo uma polémica qualquer sobre um curso de auras e crianças indígo que era aceite pelo ministério da educação como competência para professor?
E nenhum desses especialistas pode usar o seu dom de presciência para ver em que estado ficará a educação?
De Vaga Ideia a 16 de Dezembro de 2009 às 13:36
Astrofilosofia não é uma área das Novas Oportunidades?
De Bernardo a 16 de Dezembro de 2009 às 13:55
O seu filho, por acaso, não está na Anselmo de Andrade, em Almada não?
É que a minha irmã tem um professor de Psicologia estranhamente parecido com essa descrição...
De Mata-Piolhos a 16 de Dezembro de 2009 às 14:03
Cheira-me que é um inimputável de nome Prudêncio...
De jose silva a 23 de Dezembro de 2009 às 12:22
Parece o (im)prudêncio!
Declaração de interesses, como agora se usa: sou professor desde 1976 e orgulho-me disso.
Posto isto, o que mais falta no ensino são "disciplinas" inúteis ou de utilidade duvidosa (e.g., Estudo Acompanhado, Formação Cívica, "Área de Projecto", Sociologia, e outras cujo nome nem lembra ao Diabo). E não faltam também cabecinhas pensadoras, que, por vezes, nem escrever sabem, ignoram a tabuada, nunca leram um livro, nem talvez um jornal na vida, mas têm ideias brilhantes sobre tudo. Infelizmente, sou constantemente forçado a ouvir as respectivas reflexões profundas...
Quanto ao dinheiro dos impostos, de acordo: mas pense nos 5000 licenciados (em quê? para quê?) que vão empastelar ainda mais as nossas repartições, pense no milhão -- desconheço o número exacto-- de funcionários públicos existentes, pense nos 7000 (admito que haja alguma incorrecção no número) de professores primários destacados para bibliotecas e tachos afins, vá ao site da Caixa Geral de Aposentações, pergunte pela idade dos reformados Educadores de Infância e 1º Ciclo -- e relativizará a sua indignação.
De Luísa a 16 de Dezembro de 2009 às 14:50
Na minha experiência, João, o 12.º ano ainda só serve para que os nossos estudantes percam, de vez, os já precários hábitos de trabalho que trazem dos anos lectivos anteriores. É um ano pouco mais do que fictício, sem conteúdo estruturado e sem interesse. A minha filha, durante todo o 12.º ano, não pegou, nem – o que é realmente grave! – precisou de pegar num livro (de estudo).
De Bernardo a 16 de Dezembro de 2009 às 15:59
Isso, realmente, é obra...Curiosamente eu achei precisamente o contrário, nomeadamente que a diferença entre o 12º e os dois últimos anos foi considerável e , consequentemente, tive que pegar nos livros todos.
De João Gante a 16 de Dezembro de 2009 às 17:29
Igualmente, notou-se a diferença em relação aos dois anos anteriores.
De Luísa a 17 de Dezembro de 2009 às 00:59
Bernardo e João, é possível que as coisas difiram entre as várias áreas. Eu falo pela área de Artes e nessa área, no ano lectivo de 2008/2009 e no liceu que a minha filha frequentou (que é um liceu público com boa reputação), não houve que estudar (nem quase que fazer). Foi um ano perdido.
De
john a 16 de Dezembro de 2009 às 17:25
Nos meus tempos de décimo-segundo ano, Psicologia era, sim, uma cadeira opcional (em Humanidades, tal como IDES, Tradução de Inglês, Tradução de Francês e Sociologia), mas não era de todo uma cadeira "para encher balões". Bem pelo contrário: era uma excelente introdução à Psicologia, para quem considera que pode ser uma disciplina importante (e interessante).
Se hoje é assim, então lamento muito. Mas com professores como esse astronabo que descreve, não há tema ou disciplina que resista.
De Juca a 16 de Dezembro de 2009 às 17:49
Olá,
Em vez de vir para aqui mostrar a sua indiganção porque é que não se dirige ao local adequado e apresenta a sua queixa?
Não estará a querer conversa?
De FD a 17 de Dezembro de 2009 às 00:23
Desde que provoque discussão já é bom... pelo menos nessa parte faz algum serviço publico :)
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