Apenas e só porque a dona Maria Emília de Sousa me avisou que estávamos no fim do ano – quando começou a acender as dispendiosas e também bastante caras luzes de Natal da cidade – vou despachar uma tarefa ingrata e também bastante desagradável que é a de, segundo os meus critérios rigorosos e também bastante rígidos, nomear os piores blogues do ano que agora está a acabar. Não sei quantos vão ser os piores, porque a verdade é que ainda não pensei muito nisso, mas prometo que a última palavra deste texto será a alertar o leitor para o número, que eu preocupo-me em transmitir as informações de forma clara e também bastante compreensível.
Avançando para as triplas adjectivações sinónimas, começo por nomear o 31 da Armada. Caramba, não está a sair nenhuma tripla adjectivação sinónima, pelo que vou permanecer com as saudáveis duplas, utilizando um paralelismo de construção muito caro nos programas de literatura e línguas. Posso dizer que o 31 da Armada é conservador e também bastante reaccionário. Irrita-me e, além disso, chateia-me o facto de em trinta e quatro autores (número que deveria ir contra os princípios editoriais), trinta e oito serem monárquicos e também bastante chegados à causa monárquica. Fizeram-me passar frio numa noite de verão, de sabre de luz em punho, para nem aparecerem, os cobardolas e também bastante medrosos. Não fosse o facto de nos permitirem algumas gargalhadas com os abruptos ataques pachequistas, e eu sugeriria ao CDS que parasse de os financiar.
Sem sair do registo de dupla adjectivação sinónima, que se vai perdendo nos dias de hoje, sendo muitas vezes substituído pela enunciação de características distintas, muito boa para quem quer informar, mas terrível para quem aprecia ser parvo, salto para a Jugular. Sim, chamo-lhe «a» Jugular, independentemente do beicinho que o João Galamba, que é deputado e também bastante representante do povo, faça, porque a verdade é que a Palmira Silva, que é professora e também bastante docente, parece mandar mais que ele. Porque é que é um dos piores blogues deste ano? É simples: é o blogue que, apesar de ter imensas pessoas (para cima de uma) que já me conheceram pessoalmente, continua a não ter sequer uma pista de como sou corporeamente (e a outros níveis menos próprios que o corpóreo também). Além disso, faz publicidade enganosa, que a senhora que diz que não é flor que se cheire (o inglês é muito pobre para dizer que alguém não é bom), é uma amável assistente de câmara em conferências e ajuntamentos semelhantes.
Um péssimo blogue, também, é o do Senhor Palomar, um indivíduo que é corporeamente muito bem conhecido pela elite blogosférica. É pena que o seu fazedor, provavelmente um dos maiores fazedores de heterónimos esquisitos em Portugal e, quem sabe, nos Açores e na Madeira, se tenha desleixado para a coisa e tenha inventado uma qualquer viagem para um sítio que, corporeamente, só alguns iluminados poderão conhecer. Sobre isto, revisto-me da sapiência do senhor Wittgenstein, que, na sua 628.ª Investigação nos diz «Poder-se-ia, então, dizer: o movimento voluntário caracteriza-se pela ausência de surpresas. E agora não quero que se pergunte ‘Mas porque é que não há aqui surpresas’». Axiomática wittgensteiniana aplicada à blogosfera e à minha parvoíce, portanto.
Podia, também, dar um chuto nas canelas do Cinco Dias – principalmente às imagens e manchas gráficas dos posts do Carlos Vidal, que imagino um tipo perigoso; mas não me apetece. Prefiro antes gozar com o facto de o blogue do Henrique Raposo se chamar ‘clube’ quando ele está lá sozinho. Claro que isto se trata de um momento de lavagem de roupa suja e porca vingança por negas que o Henrique se reservou o direito de dar a pessoas decentes e também bastante dignas. Este pormenor, associado ao facto de, faz do ‘ermo das repúblicas mortas’ um dos pioríssimos (neologismo que constará no dicionário da Academia assim que) blogues deste terrível dois mil e nove.
Um qualquer dia, sou gajo para falar de outros péssimos blogues que nos fizeram o desagradável e não requisitado favor de existir. Por ora, já estão dezanove.
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