Segunda-feira, 30 de Novembro de 2009
Eu, o etéreo.

A Fernanda Câncio (olá Fernanda), diz que não me conhece. Eu também não a conheço. Vi-a uma vez com uma gabardina amarela (linda gabardina) num Prós e Contras em que parecia estar a contra-gosto e a perguntar a juristas se tinham lido o Código Civil (nunca se sabe). Também a vejo naquela foto do twitter, em que está muito Obama (muito bem, diga-se, Fernanda). Enquanto escrevo estas linhas, brincando um pouco com a Fernanda (ó Fernanda, não leve a mal, que eu sou só traquinas), pergunto-me se ela não me levará a mal as maiúsculas. Acho que não. A Fernanda é tolerante (não é, ó Fernanda?). Agora prosseguindo para a resposta à mais ou menos pergunta que me deixou, Fernanda, deixe-me dizer-lhe que a falha é realmente minha. Sou péssimo na expressão e não me faço entender. Já pensei em dedicar-me ao desporto, mas tenho canelas fracas e enquanto me deixarem sentar a esta mesa, cá vou ficando – se me mandarem levantar, não me aguento. O que eu digo, Fernanda, é que «algo não está bem» quando uma pessoa ou um grupo de pessoas utiliza o anonimato para defender um partido. Porquê? Bom, eu julguei em tempos que isto não necessitava de explicação. Era assim um axioma à Kolmogorov. Precipitações. Por uma questão de integridade, Fernanda. Porque as minhas defesas, quando têm como objectivo convencer ou, pior, manipular alguém, têm de estar a mim associadas, pois sou eu o responsável por todas as suas consequências. E por coragem, Fernanda, que eu gostava de ser do tempo em que os homens e as mulheres se batiam, ó utopia, pelas suas ideias de peito aberto e cara a descoberto. Porque eu, Fernanda, assino o que escrevo e sobre o que escrevo respondo, tal como a Fernanda, aliás, e não me parece nada bem que haja gente – certa gente – que não responde pelo que escreve, achando-se no direito de passar entre a chuva sem que nenhuma gota lhe caia na testa. E isto que digo não é só para um dos lados, nem tampouco é apenas para os defensores de um dos lados. Há gente desta dos dois lados, de todos os lados, e eu não leio nenhum e apenas rezo ao meu altar pagão para que eles não me chateiem como tantas vezes fazem. E não, ó Fernanda, não coloco o insulto e a defesa de programas políticos no mesmo patamar. Aqui já não é problema meu, que nunca escrevi isso. Apenas disse que em ambas as situações algo estava mal.
Quanto a saber quem sou, ó Fernanda, isso é fácil. A Fernanda adiciona-me no facebook e vê logo uma foto que eu lá tenho, com um sorriso enorme. Ou então eu mando-lhe – para o e-mail, que sou tímido – os clips em que fui gravado a falar com dois digníssimos políticos da nossa praça, em conferências bem desagradáveis – ó arrependimento! –, que assim fica logo a saber da minha fisionomia. Em último recurso, sempre me pode convidar para um cafezinho (sou muito moderno, não me importo de ser convidado por uma senhora) ou «colar-se» (que horror, uma senhora não se «cola», mas não me sai palavra melhor) a um cafezinho do Corta-fitas ou do Aparelho de Estado, que são sempre muito agradáveis, como eu, aliás.
 



publicado por Tiago Moreira Ramalho
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12 comentários:
De A. Pinto Pais a 30 de Novembro de 2009 às 20:25
Excelente texto. Parabéns! V., de vez em quando, acerta. :)


De DEZOITO! a 30 de Novembro de 2009 às 20:44
18 Fernandas num post? Isso só pode ser paixão assolapada.


De Anónimo a 30 de Novembro de 2009 às 22:19
"coragem"? "defender ideias de peito aberto e cara a descoberto" Cum raio. Isto faz de escrever ideias num blogue ou numa caixa de comentários uma espécie de batalha de aljubarrota permanente. Ah catano!

Olá, chamo-me Pedro (nunca se sabe) e sou um cobardolas de um comentador anónimo que nem tem página de facebook. Enquanto isso não acontecer, e para não deixar a minha familia cair na lama por causa da pusilanimidade do parente, vou-me abster de de dizer se acho que este governo é bom ou mau.



De Livra! a 30 de Novembro de 2009 às 23:04
E eu vou-me abster de fazer comentários sobre a namorada do primeiro-ministro.


De Daniel Santos a 30 de Novembro de 2009 às 22:46
estou comovido com as duas cartas de amor... diga-se que o titulo da dela era mais pujante.


De Tiago Moreira Ramalho a 30 de Novembro de 2009 às 22:47
não metas o SIS atrás de mim, homem.


De Frame - Ness a 30 de Novembro de 2009 às 23:24
loOoL


De deus me livre a 30 de Novembro de 2009 às 23:55
Que conversa de chacha...


De PDuarte a 1 de Dezembro de 2009 às 01:15
só para quem não conhece corporeamente o Tiago:
[Error: Irreparable invalid markup ('<br [...] <a>') in entry. Owner must fix manually. Raw contents below.]

só para quem não conhece corporeamente o Tiago: <BR class=incorrect name="incorrect" <a>http</A> :/ oultimopingo.blogs.sapo.pt 154274.html


De Fogo! a 1 de Dezembro de 2009 às 10:48
Fogo, eu não conheço o TMR e não tenho interesse nenhum em conhece-lo corporeamente.


De João Neto a 1 de Dezembro de 2009 às 22:19
O tema (a namorada do 1º ministro) é no mínimo desinteressante.
A prosa, essa, é muito boa!


De João a 7 de Dezembro de 2009 às 01:11
Conversas sobre namoradas de primeiros-ministros são sempre boas. Ainda mais com primeiros-ministros modernos e contemporâneos, que vestem moderno e contemporâneo. Ela própria, usando traje também sempre moderno, é uma senhora adulta e jovem. P'rá frente. E escreve muito bem, ela. A f.. Linda.


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