Quinta-feira, 26 de Novembro de 2009
As blasfémias climáticas

O blogue Blasfémias continua a insistir na tecla conspirativa da história, neste caso, pretende-se sublinhar que existe uma conspiração científica para criar um alegado mito do aquecimento global.

A história dos e-mails roubados a cientistas, nos quais é sugerido que existe um conflito de medições e valores, não passa de uma manobra de intoxicação e os órgãos de comunicação responsáveis estão a interpretar estes alegados factos com sais de fruto.

Impõe-se extrema cautela, mas torna-se fácil escrever um post de aparência séria que cita um obscuro site a dizer duas ou três coisas evidentes, por exemplo, que a ciência se baseia na transparência, algo que a política costuma dispensar.

Como se pode ler neste texto da BBC sobre o e-mails, as coisas são mais complicadas: 

 

"But in the world of science policy, many others find themselves in a war of influence against those firms who fund the amplification of the messages of the relatively small number of genuinely sceptical scientists outside the consensus. The sceptic business lobby aims to keep scientific doubt alive to paralyse policy. This is the world of science Realpolitik".

 

Penso que esta citação resume bem o problema. Claro que não existe consenso científico sobre as alterações climáticas, mas o facto é que um dos lados ganhou o debate, acumulando provas mais do que suficientes de que estão em curso alterações no clima da Terra. Sobre a dimensão dos impactos, o debate vai continuar.

Agora, se a história dos e-mails prova alguma coisa é que há muitos interesses económicos que querem atrasar as necessárias decisões políticas.

 



publicado por Luís Naves
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Comentários:
De Horacio Ramos a 26 de Novembro de 2009 às 22:50
Interessante: o Luis afirma que existe uma 'manobra de intoxicação com a história dos e-mails roubados' depois de ironizar sobre a 'conspiração científica para criar um alegado mito de aquecimento global’.

Claro que todos nós temos direito aos nossos delirios, mas basta reflectir um pouco nestes números para se perceber como se consegue um consenso científico e porque convém ser céptico em relação às conclusões ‘do lado que ganhou o debate’:

“A peça central da política do aquecimento global é o relatório do IPCC de 2007, em particular o capítulo 9, apresentado como o "consenso de 2500 cientistas". Sucede que o capítulo crucial tem apenas 53 autores. Desses, 38% são ingleses e um quinto do total são cientistas do CRU. Dos artigos científicos aí citados, 70% têm como co-autores os 53 cientistas envolvidos: vasta conspiração ou uma rede social com grandes afinidades intelectuais e ideológicas?”


[por Fernando Gabriel in http://economico.sapo.pt/noticias/ainda-orwell_75268.html]

De qualqer modo, Luis, não são necessárias ‘provas mais do que suficientes de que estão em curso alterações no clima da Terra’, porque esse nunca foi imutável. Lapalisse não o poderia ter dito de forma mais eloquente.



De Luís Naves a 27 de Novembro de 2009 às 12:40
O Horácio não me quer convencer que há 53 cientistas de topo que enlouqueceram todos ao mesmo tempo ou que são de tal ordem ditadores no meio académico que os outros 2647 se mantêm calados com eventuais distorções à matéria científica em causa.
O clima altera-se, claro, mas nunca se alterou a este ritmo. O que escrevi não é uma lapalissada.
Ouvi falar neste assunto, pela primeira vez, numa aula da faculdade, há mais de 20 anos.
As pessoas podem manter-se fora, o que combato são as distorções da realidade.
E também acho que estamos cada vez mais parecidos com os americanos, que em cada esquina têm uma conspiração tenebrosa do governo federal. A conspiração científica sobre o clima é apenas mais uma, ajudada pela direita descabelada e irresponsável.


De Fernando Costa a 27 de Novembro de 2009 às 15:40
Caro Luís Naves:
Não é verdade que o clima "nunca se alterou a este ritmo". Basta ver o que se passou no período quente da idade média, em que a Gronelândia tinha extensa vegetação (daí o nome Greenland) ou na "little ice age" do século XXVII, em que o Tamisa gelava, para já não falar das alterações radicais (poucos meses) na altura da extinção dos dinossauros. Além disso, não há subida média das temperaturas desde há 10 anos para cá, apesar da subida constante do CO2.
Como vê, há de facto uma censura e manipulação das ideias, que não é nova. Só os crédulos e ingénuos se renovam


De João André a 28 de Novembro de 2009 às 22:06
O nome Groenland (que significa de facto "Terra Verde" deve-se ao facto de ser uma terra realmente verde (nas áreas que eram ocupadas) e porque os primeiros colonizadores tentaram atrair mais gente para lá. Acreditar que a ilha era de facto verdejante por causa do nome é o mesmo que pensar que os Açores são um paraíso para a ave de rapina com o mesmo nome.

Quanto ao congelamento do Tamisa, é devido ao mesmo fenómeno climático que provocou a popularização das feiras do gelo na Holanda e que fizeram as delícias de vários pintores: a erupção de um vulcão (Krakatoa?) e que lançou milhões de toneladas de poeiras para a atmosfera, as quais reflectiram os raios solares e arrefeceram o clima do planeta. Ainda assim este foi um fenómeno passageiro, ao contrário do actual.

Ainda estou para saber em que livro de ficção científica não se viu o tal aumento gradual das temperaturas médias do planeta.


De Horacio Ramos a 27 de Novembro de 2009 às 17:10
Demagogia, Luis, pura demagogia... mas afinal, trata-se de uma discussão científica ou de um dabate político, o aquecimento global de origem antropogénica ?


De joao a 26 de Novembro de 2009 às 23:37
Tese conspirative por tese conspirativa. Eles ao menos têm alguma evidência de conspiração para forçar as suas ideias.

Do seu lado só tem a insinuação e a calúnia. É muito fácil atirar lama em relação ao carácter dos outros com essa dos interesses económicos.

E os outros, que alinham pela tese do desastre climático, quais são os interesses económicos deles? São anjos, se calhar, não? E os seus, já agora, quais são?


De Luís Naves a 27 de Novembro de 2009 às 12:34
Não é insinuação e calúnia. A citação que consta do texto é da BBC. E acho curioso que o meu post provoque este tipo de reacção agressiva...


De joao a 1 de Dezembro de 2009 às 19:17
Por falar em interesses economicos por detras da ciencia, via O Insurgente leia por favor

http://online.wsj.com/article/SB10001424052748703939404574566124250205490.html?mod=WSJ_hps_sections_opinion



De Fernando Costa a 27 de Novembro de 2009 às 12:47
No blog corta fitas em que se diz que os cepticos perderam o debate, eu respondi:

Claro que os cépticos perderam o debate. Aliás, já Galileu (outro céptico contra o consenso da altura da altura) o perdeu.
É que o povo ignorante continua a ir sempre atrás da maioria moral. Aliás, a ignorância é a mãe de todas as certezas.. Por isso, que ninguém duvide do global warming (ou da crise financeira que ia durar 10 anos e acabar com o capitalismo, ou da gripe da aves, ou da gripe A que ia matar pelo menos 18.ooo portugueses, ou do urânio empobrecido que ia dizimar meio mundo com leucemias, ou das teorias de Malthus em que o mundo ia deixar de alimentar a população nos anos 70, ou das previsões do Clube de Roma em que o mundo ia entrar em falência na década de 80, ou da pandemia das vacas loucas, ou dos milhões de mortes de Chernobyl (morreu menos de uma centena), ou do bug do milénio...etc. etc....
A exploração do medo sempre foi a formas de dominar os povos, e hoje em dia também de vender jornais e sustentar grupos "cívicos" que vivem à custa desses medos, pretensamente para os combater, mas que dependem deles para sobreviver e receber subsídios. O que haverá de melhor que uma teoria cuja (não) verificação, para daqui a 100 anos, nunca poderá afectar quem dela agora vai lucrar em poder e dinheiro?
?


De Fernando Costa a 27 de Novembro de 2009 às 15:28
Peço desculpa por algumas gralhas no meu post anterior, pelo que envio agora o texto corrigido:

Previsões da treta

Claro que os cépticos perderam o debate. Aliás, já Galileu (outro céptico contra o consenso da altura da altura) o perdeu.
É que o povo ignorante continua a ir sempre atrás da maioria moral. Aliás, a ignorância é a mãe de todas as certezas.. Por isso, que ninguém duvide do global warming (ou da crise financeira que ia durar 10 anos e acabar com o capitalismo, ou da gripe da aves, ou da gripe A que ia matar pelo menos 18.000 portugueses, ou do urânio empobrecido que ia dizimar meio mundo com leucemias, ou das teorias de Malthus de que o mundo ia deixar de alimentar a população, ou, nos anos 70, as previsões do Clube de Roma de que o mundo ia entrar em falência na década de 80, ou da pandemia das vacas loucas, ou dos milhões de mortes de Chernobyl (morreu menos de uma centena), ou do bug do milénio...etc. etc....)

A exploração do medo sempre foi a formas de dominar, explorar e controlar os povos, e hoje em dia também de vender jornais e sustentar grupos "cívicos" que vivem à custa desses medos, pretensamente para os combater, mas que dependem deles para sobreviver e receber subsídios.
Na verdade, e em relação ao Aquecimento Global, o que haverá de melhor que uma teoria cuja (não) verificação, para daqui a 100 anos, nunca poderá afectar quem dela agora vai lucrar em poder e dinheiro?


De João André a 28 de Novembro de 2009 às 22:14
A toda a gente que deixa aqui comentários, deixo uma pergunta: sabem e compreendem a ciência que sustenta o conceito de aquecimento global provocado pelo CO2?

Outra pergunta: têm os queridos comentadores noção que só existe vida no planeta Terra (pelo menos tal como a conhecemos) porque o CO2 é DE FACTO e INCONTESTADAMENTE um gás com efeito de estufa?

Têm os comentadores (e/ou outros leitores) noção que o CO2 nem sequer é o gás com o mais forte efeito de estufa?

Saberão os comentadores que tivemos um período de arrefecimento global durante os anos 70/80 provocado pela poluição? Sabem porquê?

Pergunto se quem faz estes comentários é sequer capaz de compreender os e-mails trocados entre os cientistas. Se compreendem que quando um cientista fala, de forma informal, em "mask the results" não está a falar em "mascarar resultados" mas antes em aplicar uma ferramenta estatística aos resultados para poder remover o "scattering" e aperceber-se melhor das tendências.

Pergunto, por fim, se compreendem a diferença entre comentários e interpretações relativamente a crises económicas e estudos de facto científicos sobre o clima.

Aliás, não pergunto. Quem compreende isto tudo não faz comentários destes. Concrode ou não com o conceito de alterações climáticas (algo bem diferente de aquecimento global, mesmo que provocado por este).


De João André a 28 de Novembro de 2009 às 22:16
A propósito da compreensão da ciência pela população em geral, ler este belíssimo cartoon repescado pelo De Rerum Natura. Vejam-se na posição da avozinha:

http://2.bp.blogspot.com/_DoiiwUXz2-s/SwmSMEuu-eI/AAAAAAAAAyU/gZ55RikdjW4/s1600/phd051809s.gif


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