O novo programa Plano Inclinado, da SIC Notícias, é, perdoem-me, entediante. Temos um apresentador que tem a pretensão de ser comentador, com aquele tom irritantemente sereno. Temos um matemático completamente apagado, com jeito de ser extremamente inteligente, mas que acaba ficando o elo mais fraco num programa de debate puramente económico. O show man Medina Carreira, cujo discurso se assemelha a um de um comunista: repetitivo, vazio de conteúdo, mas com aspecto de ter grande importância (mudar as políticas, temos de mudar as políticas…). Por fim, temos o professor João Duque. O professor João Duque lecciona no ISEG e assina crónicas no Expresso e no Diário Económico. No meio daquele forrobodó, consegue ser o verdadeiro valor. Opiniões ponderadas, sem pretensão de protagonismo no meio de um Real Madrid político. É por ele que o programa vale, apesar de não conseguir falar no meio da incontinência pessimista de Medina Carreira. Resumidamente, a coisa seria muito melhor se se chamasse Plano Vertical. Claro que não é difícil de adivinhar quem estaria lá em cima.
De Não sei como a SIC não suspende aquilo a 22 de Novembro de 2009 às 10:05
Medina Carreira, que eu já tinha a começado a perceber que é uma cassete, é uma calamidade.
Repete invariavelmente a mesma coisa, quase sempre sem o menor a propósito. Que nos alertasse para o endividamento externo iminentemente calamitoso, ok. Que repita isso vezes sem conta e não apresente nenhuma saída viável, declarando que «isso não interessa nada» a respeito de todo e qualquer "remédio" para a situação, é demais.
E entendo que os outros dois, sobretudo João Duque, têm tido com ele uma extraordinária paciência.
Eu, se mandasse na SIC, acabava imediatamente com aquela série, que logo ao fim do segundo programa (o de ontem foi o terceiro) mostrou esgotamento total.
De Clara França Martins a 22 de Novembro de 2009 às 11:43
Subscrevo inteiramente o comentário anterior.
Tiago, tu nasceste num berço de oiro?! Sabes lá o que é pessimismo. Medina Carreira não é escutado. Mas parece-me que quem vive no Círculo do Champanhe e da Lagosta não faz a mínima ideia do que seja pessimismo e, por isso, nem o pode ouvir e muito menos compreender.
Nesse ponto, tu e o Eduardo Pitta, estão bem um para o outro. Há pouca paciência para quem não seja sexy e cristalino nas TVs. Não deveria ser assim. Por que motivo o João Gonçalves recomenda e se euforiza tanto com o "Plano Inclinado" e tu ou o Eduardo não?! Explica-me.
Serenemos os ânimos, que não há necessidade de exaltações, em primeiro lugar.
Em segundo lugar, o meu «berço» não deverá interessar a absolutamente ninguém. O meu texto é que pode ou não interessar.
O Medina Carreira gosta de chocar. É o que ele quer. Gerar ruído. Porque tirando os diagósticos, que qualquer pessoa com a 4ª classe consegue fazer indo ao site do INE, ele não diz nada de jeito. Quando o ouvi dizer que o país tinha de aumentar a produção agrícola e industrial... nem sei o que lhe diga. O João Gonçalves gosta do Medina? Está bem. Eu e o João Gonçalves não temos os gostos iguais. O João Gonçalves dá valor à honestidade, autenticidade e realismo do Medina Carreira. Eu acho que isso não chega. O João Duque não é «sexy e cristalino na TV», é até apagado e pouco carismático, no entanto tem imenso valor. Porque além da honestidade, autenticidade e realismo, sabe do que fala e não se apresenta como o oráculo do regime, ao contrário de Medina que acha que é o único a perceber os problemas de Portugal.
Está explicado, espero.
Sim, Tiago, uma bela resposta. É mesmo uma espécie de upgrade ao post. Abraço.
Discordo profundamente. A voz de Medina Carreira e vital, numa altura em que a esmagadora maioria dos comentadores nao possui independencia ou coragem para assumir o que quer que seja.
O meu desejo seria que em vez de 4 pessoas alinhadas houvesse um pateta alegre do PS, de preferencia membro do Governo, que se predispusesse a rebater os factos ( catastroficos sem duvida, mas factos que Medina Carreira apresenta ) - e ai veriamos quem ganha. Porque nao nos esquecamos, os debates ganham-se ou perdem-se.
Ate esse dia, continuarei a assistir o Plano Inclinado e a ve-lo pelo que e - como um dos poucos espacos de debates verdadeiramente independente.
De Manuel Bento a 22 de Novembro de 2009 às 15:32
A crítica literária pode fazer-se como opinião pessoal derivada do próprio gosto, palavras e linguagem usada, sabedoria mostrada, adjectivos, advérbios, etc..
A crítica a demonstração matemática deve fazer-se indicando os vícios de raciocínio e os passos não permitidos.
A crítica a estatísticas económico-financeiras deve fazer-se por:
-Falta de credibilidade das fontes de origem dos valores utilizados;
-Utilização apenas dos números mais favoráveis ou retocando os outros;
-Provando que as premissas utilizadas são falaciosas;
-Provando que as tendências encontradas estão desalinhadas com os números;
-Provando que as conclusões vão além das tendências.
-Etc..
Só não deviam ser feitas críticas a estatísticas económico-financeiras como de crítica literária se tratasse!
De Paciente português a 22 de Novembro de 2009 às 16:54
1. A situação denunciada por MC é grave e as suas preocupações têm razão de existir? Sim.
2. No primeiro Plano Inclinado, MC afirmou alguma coisa de novo relativamente ao que já tinha anteriormente dito, designadamente na SIC Notícias? Praticamente, não.
2. No segundo Plano Inclinado, MC afirmou alguma coisa de novo relativamente ao primeiro programa da série? Redondamente, não.
3. No terceiro Plano Inclinado, MC afirmou algo de novo relativamente ao que já tinha afirmado nos dois primeiros? Redondamente, não.
4. Tenciono eu ver o próximo programa da série? Evidentemente que não.
De JS a 22 de Novembro de 2009 às 17:16
Acho que ninguém consegue contrariar que o Medina Carreira não consegue apontar soluções realistas para os problemas do país.
Já tenho vindo a dizer em conversas de amigos que os diagnósticos que ele faz também outros os fazem. Não é esse o problema. O problema é que para ele isto só vai ao sítio com uma ditadura feita pelo próprio (última frase é conclusão minha).
Há mais algumas questões em que diz umas coisas acertadas, mas quase tudo são tiradas populistas e com uma profunda descrença na democracia. Esse é o perigo, é quando quer inventa umar democracia que quer pegar na ideia da M. Ferreira Leita (as dos 6 meses de ditadura). Já o ouvi dizer que isto tem de ser um Presidente a mandar durante 6 anos e sem hipótese de ser eleito. É mais ou menos a base, não de 6 meses, mas de 6 anos de ditadura (!) e depois venham eleições mas não com o mesmo que ele ainda vá poder fazer medidas eleitoralistas.
Eu cá não concordo com esta solução, mas isto sou só eu.
De JMG a 22 de Novembro de 2009 às 19:24
Medina diz a mesma coisa há dez anos. E, ao contrário do que afirmam comentários anteriores, é a única pessoa de nota que faz aquele tipo de diagnóstico há dez anos. Recentemente, começou a indicar algumas soluções, aliás discutíveis, ao contrário do diagnóstico, que, por se basear em dados irrefutáveis, não é contestável. Parece que não lhe perdoam que diga a mesma coisa há tanto tempo, e que há tanto tempo tenha razão sózinho. E parece que identificar com rigor um problema, ou um conjunto deles, quando mais ninguém o faz, não chegaria: fora ainda preciso que indicasse os remédios. Ora ora.
De JS a 22 de Novembro de 2009 às 22:16
Mesmo há 10 anos, já não era o único, mas mesmo que fosse. Já o disse, o problema não o diagnóstico, é a falta de soluções que aponta e, quando aponta, são pouco dadas a uma democracia.
Não que não se aproveita nada do que ele diz, mas é complicado ser ouvido com aquela atitude. Se ao menos tivesse ideias geniais para tirar Portugal da situação que está, mas nem isso...
(Dito isto, às vezes divirto-me a ouvi-lo ou a ler algo sobre ele... numa entrevista recente ao Jornal de Negócios ou Diário Económico a falar sobre a ampola de cianeto de potássio, que todas as pessoas deviam ter desde nascença para decidirem quando morrerem... vale a pena ler só para apanhar partes destas)
De JMG a 23 de Novembro de 2009 às 00:48
Tanto quanto sei nada, absolutamente nada, do que Medina sugere cabe na descrição "solucões pouco dadas a democracia", a menos que se queira entender que o Presidencialismo, ainda para mais sem direito a reeleição do Presidente, seria um arranjo anti-democrático. Mas o próprio nem isso defende, por achar que já não há tempo para as mudanças necessárias, a começar pela Constituição. Por mim, de toda a maneira, um Presidente com poderes reforçados não resolveria nada: se o nosso Povo tem dado tão abundantes provas de escolher quem desconvém para o Governo, por que razão se imagina que seria mais lúcido a escolher um Presidente para governar? A solução será dada pela evolução da nossa economia, que continuará a ser fatalmente medíocre, conjugada com a paciência dos credores, que não é fatalmente ilimitada. E não faço ideia de quando será que o actual estado de coisas se traduzirá num acordar violento, se a isso chegarmos. Mas não quero sair daqui sem adiantar a minha convicção de que em algum momento no futuro se chegará à conclusão de que devemos sair do Euro, no qual para começar nunca deveríamos ter entrado. Quando esse dia chegar, a curta lista de pessoas que presta alguma atenção ao que eu digo (para ser rigoroso dois ou três familiares e dois ou três amigos) dirá, para grande satisfação minha: Tinhas razão.
Cordiais cumps.
De Anónimo a 23 de Novembro de 2009 às 00:02
Não concordo com os comentários feitos ao programa Plano Inclinado. O Mário Crespo não interrompe os seu convidados, coisa comum e irritante, e as exposições feitas pelos intervenientes foram realistas. O país real está assim mesmo.
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