Quarta-feira, 11 de Novembro de 2009
E se falassem da realidade?

Vão desculpar-me, mas a questão do casamento de casais homossexuais e, nos posts anteriores, a adopção pelos ditos casais homossexuais, está a ser mal colocada.

Não tenho nada contra o casamento de homossexuais. Permitirá, entre outras coisas, defender em questões de herança os elementos do casal, em caso da morte de um deles. Terá vantagens fiscais, aumenta a liberdade das pessoas envolvidas. Que se casem, se o desejam. Em que é que isso afecta a vida dos outros?

A questão da adopção é diferente. Não concordo com a afirmação de que um casal de homossexuais seja incapaz de criar uma criança. Há casos que desmentem essa ideia. No entanto, o facto é que milhares de casais heterossexuais não podem adoptar, por haver regras tão restritivas da adopção que se torna quase impossível fazê-lo.

Há mais casais do que crianças.

Não existe essa circunstância (que muitos imaginam real) das pessoas não quererem adoptar e as crianças, coitadinhas, ficam nas instituições, esquecidas da sociedade.

A realidade é diferente: as crianças ficam nas instituições porque o processo de adopção leva anos e tem regras abstrusas, sendo muito contaminado pela cunha. O Estado levanta todo o tipo de obstáculos, criando situações que depois desaguam nos jornais, de crianças retiradas a casais que as trataram durante anos.

E agora, sem transição, esquecendo a realidade do país, querem fazer experiências sociais politicamente correctas com essas mesmas crianças já desfavorecidas e devidamente armazenadas em instituições. Agora, elas vão poder ter um pai e um pai, ou uma mãe e uma mãe, quando não têm direito de maneira nenhuma a ter um pai e uma mãe.

E se pensassem nessas crianças, por uma vez?

 

 



publicado por Luís Naves
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55 comentários:
De JS a 11 de Novembro de 2009 às 19:17
Mas essa não é outra questão? Os casais homossexuais teriam as mesmas complicações (ou mais, caso não tenham prioridade) que os casais heterossexuais, ou não?

Nota: declaro que estou "longe" de estar por dentro dos processos de adopção.


De Luís Naves a 11 de Novembro de 2009 às 19:36
Esta não é outra questão. Esta é a questão


De Realidade? a 11 de Novembro de 2009 às 19:24
Perdão, perdão, julgo não estar enganado quanto a ter lido/visto/ouvido repetidamente que há muitos candidatos à adopção de crianças pequenas, sem deficiências, brancas, de preferência sem irmãos.

Duvido muito que casais homossexuais pretendam adoptar as crianças que os casais à moda antiga, refiro-me àqueles formados por um homem e uma mulher (ordem alfabética), não mostram interesse em adoptar.


De Luís Naves a 11 de Novembro de 2009 às 19:33
Mas não percebeu o que eu escrevi? Leia lá outra vez. Há muitos candidatos a adoptar, mas o processo de adopção dá muitas garantias às famílias biológicas e a adopção, em muitos casos, é impossível. Os casais esperam anos por uma criança que possam adoptar, percebe? Paradoxalmente, as instituições estão cheias.


De Então deve ser isso a 11 de Novembro de 2009 às 19:43
Está visto, estou enganado.

As crianças pequeninas deficientes, com doenças graves, não brancas, com irmãos, tiveram muitos candidatos a adoptarem-nas, mas o processo é demorado e dá muitas garantias às famílias biológicas. Foi por isso que ficaram nas instituições de acolhimento.


De Luís Naves a 11 de Novembro de 2009 às 19:49
é muito complicado combater mitos. Esse é o filme que lhe venderam, não tem de acreditar nele...
Eu estou a falar dos casos normais, de crianças normais, a esmagadora maioria. Enfim, se falar de crianças altamente traumatizadas por maus-tratos é falar de crianças normais.
A questão, aliás, não é só portuguesa. Há milhares de casais desesperados por uma adopção. Querem ter uma família, percebe? Esta não é uma questão que tenha a ver com teorias politicamente correctas, são casos da vida, e não há só aqui em Portugal.
Até se dificulta a adopção de crianças de outros países, veja bem. Por exemplo, ir à Guiné-Bissau adoptar uma criança, para formar uma família aqui. Veja quantos conseguiram e quantos tiveram o apoio do Estado português...


De Anne a 11 de Novembro de 2009 às 19:47
para mim o que está em questão é que um casal homessexual não tem sequer o direito de tentar adoptar. aí reside o problema. se têm de passar por todas condicionantes de um processo de adopção? têm e devem. como todas as pessoas que o fazem. o problema é que um casal de dois homens ou duas mulheres não tem sequer a possibilidade de ser recusado, independentemente das condições que possuem para adoptar (ou não).


De Luís Naves a 11 de Novembro de 2009 às 19:54
O seu comentário é inteligente e concordo parcialmente consigo. Se houver casamento de homossexuais, estes passam a ter direito de adoptar crianças. Vão ser submetidos a todas as restrições legais. As mesmas limitações dos outros. Eventualmente, alguns vão conseguir adoptar. Agora, pense nos casais heterossexuais que não conseguiram, sei lá, porque não tinham cunha. Ali ao lado, o casal homossexual conseguiu. Não será isto uma experiência social politicamente correcta? Acha justo para a criança?


De Anne a 11 de Novembro de 2009 às 21:31
aí está a dizer que um casal de heterossexuais tem melhores condições para criar uma criança do que um casal homossexual. eu pergunto, quem tem o direito de julgar ou de achar que alguém é menos que outra pessoa devido apenas à sua inclinação sexual?
porque dizer que é injusto para a criança que tem dois em pais em vez de uma mãe e um pai é o mesmo, para mim, que dizer que aqueles não a vão criar com o mesmo empenho e amor que um pai e uma mãe. Como disse, o que interessa é o amor e os valores que lhe são transmitidos. o mesmo acontece com famílias monoparentais.
há pessoas que se apoiam no fato de as crianças poderem sofrer discriminação entre os colegas por esse facto. primeiro, discriminação entre as crianças há sempre por todo e qualquer motivo, segundo essa discriminação deriva dos valores que recebem de quem as educa. se as educarem para aceitar na diferença, a respeitarem cada indivíduo pelo que ele é, então a discriminação desaparece. porque acredite, as crianças são o espelho da sociedade. se elas são preconceituosas devemos perguntar-nos de onde vem esse preconceito.


De Luís Naves a 11 de Novembro de 2009 às 22:44
A questão não está na quantidade e qualidade de amor que uma pessoa pode dar a outra. Somos todos generosos. A questão está na ânsia desta sociedade de provar que é muito liberal e moderna, fazendo uma experiência social à custa das crianças que vão ser adoptadas e cujos interesses ninguém parece ter em conta nesta equação.


De fernando antolin a 11 de Novembro de 2009 às 21:31
"...ali ao lado o casal homosexual conseguiu..." Pode ou não ter conseguido,se tiver a tal cunha,que também pode ser usada por um casal não homosexual.Estarão nas mesmas circunstâncias e a burocracia será infernal para os dois. Agora, legalizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo e depois impedi-las de adoptar, é dar-lhes com uma mão um direito e retirar-lhes outro. Mas em que medida é que o casamento entre pessoas do mesmo sexo e o consequente direito à adopção vem pôr em "perigo" o casamento/união/relação de pessoas não homosexuais, é algo que me confunde. Sou heterosexual,casado há 26 anos e aos que quiserem só posso dizer "welcome to the club"...


De Luís Naves a 11 de Novembro de 2009 às 22:51
O Fernando tem razão. Permitir o casamento de casais homossexuais e impedir a adopção seria dar com uma mão e tirar com a outra. Em relação à segunda objecção, não encontra nenhuma referência no meu texto. Não escrevi que o direito à adopção ponha em perigo a união dos não homossexuais, seria algo sem qualquer sentido. O que escrevi tem a ver com o acesso às adopções e à necessidade de levarmos em consideração, em primeiro lugar, os interesses das crianças que vão ser adoptadas. São, afinal, as maiores vítimas, os verdadeiros desprotegidos nesta história, mas ninguém as menciona.


De cr a 12 de Novembro de 2009 às 10:43
Justo para a Criança? o que é justo para a criança é ter alguém que a proteja e lhe proporcione carinho e um desenvolvimento saudável, agora se são dois pais, duas mães, ou um pai ou duas mães...não vejo essa coisa de corrida, onde primeiro tem de chegar o casal " certinho" e só depois os " outros "...Tem razão quando fala que o processo de adopção é infernal, mas na verdade e por conhecimento próprio tem de ter em conta as dificuldades de algumas crianças que as tornam de difícil adopção. No entanto parece-me que está misturando as " águas", ou seja o problema e dificuldade de adopção com a adopção por parte de casais homossexuais.Por isso penso que o problema maior, é aumentar a rapidez em tirar as crianças das instituições embora sabendo que terão de ser acauteladas todas as premissas de adopção.


De Luís Naves a 12 de Novembro de 2009 às 15:22
claro, leitor, tem toda a razão, mas discordamos no ponto que refere: acho que as duas questões mencionadas podem ser relacionadas uma com a outra. podem e devem, pelas razões que adianto noutros comentários


De Pedro a 11 de Novembro de 2009 às 22:22
Caro Luís

Percebo as boas intenções de quem quer permitir o casamento homosexual e não a adopção mas é uma missão impossivel.

Basta ler o acordão do TConstitucional do caso Helena para perceber que a partir do momento que casamento passar a englobar todo o contrato independentemente do sexo então ser'a discriminação casais de primeira e de segunda.
Toda possivel limitação agora possiveis passará a ser inconstitucional,

Alias em todos os paises a adopção veio ou antes ou ao mesmo tempo do casamento s'o em portugal é que se pensa que pode vir antes.

Conhece algum país em que exista casamento sem adopção?

É que adopção sem casamento há muitos

Pedro


De Luís Naves a 11 de Novembro de 2009 às 22:55
Não conheço o acórdão que refere, mas parece-me lógico que fosse inconstitucional barrar o direito de adopção a um casal homossexual alegando a orientação sexual. Se há casamento, têm todos os direitos de um casado.
Este é que é o problema, a meu ver. Um caso homossexual que queira adoptar não será discriminado, passa à frente de um heterossexual se tiver melhores condições económicas, por exemplo. E, no entanto, não será igual para a criança ter um pai e uma mãe ou ter dois pais ou duas mães.
Este é o meu ponto.


De Luís Naves a 11 de Novembro de 2009 às 22:56
desculpem a gralha. queria dizer um casal homossexual que queira adoptar


De Anne a 12 de Novembro de 2009 às 00:54
Aqui é que eu vejo o problema: "E, no entanto, não será igual para a criança ter um pai e uma mãe ou ter dois pais ou duas mães."
Porque razão acha que uma criança sairá "a perder" se for adoptada por um casal homossexual?
A confusão está no auge devido exactamente a este ponto, o acharem que a criança sairá mais beneficiada se for adoptada por um casal heterossexual. Já nem se põe em questão se é direito ou não (para mim é, são pessoas iguais a nós, porquê serem tratadas de maneira diferente?). O que as pessoas contestam é essa conclusão a que muitos chegam que uma criança criada por um casal homossexual sairá prejudicada. Volto a perguntar. Porquê?


De Luís Naves a 12 de Novembro de 2009 às 09:55
Insisto, Anne, isto é o politicamente correcto. É evidente que a criança tem todas as vantagens em ter um pai e uma mãe, apesar de não ser um problema ter um pai e um pai ou uma mãe e uma mãe. Com todos os outros elementos idênticos (amor, por exemplo) só por si, a primeira situação será vantajosa para a criança. No entanto, ela não será considerada, pois é politicamente incorrecto colocar a questão, será inconstitucional colocá-la. parte-se do princípio de que as duas situãções são iguais, quando não são...


De Jorge Soares a 12 de Novembro de 2009 às 13:30
Fiquei na dúvida, essa mesma ordem de ideias onde diz que não será igual ter um pai e uma mãe que ter dois pais ou duas mães não se aplicaria também no caso em que alguém adopta uma criança de outra etnia, é o mesmo ter dois pais de outra cor que ter dois da mesma cor?, ou como no caso dos meus filhos, ter uma irmã e uns pais de outra cor?, e pela mesma ordem de ideias, não será diferente ter um pais e uma mãe a ter só um pai ou uma mãe?

Estive a ler os comentários anteriores, e como pai e candidato à adopção, gostaria que explicasse melhor a questão das cunhas na adopção, tem conhecimento de casos específicos ou está só a generalizar e a falar do diz que disse? é que me parece muito convicto, que tal especificar e denunciar os casos que conhece?

Jorge Soares


De Luís Naves a 12 de Novembro de 2009 às 13:44
O seu comentário é muito pertinente, desejo-lhe as maiores felicidades.
Em relação à segunda parte, o que digo é que o sistema se presta à cunha. Faz sentido que assim seja, pois há poucas crianças e muitos casais.
Não conheço casos específicos com relevância actual e mesmo que conhecesse não os revelava, pois estaríamos a falar de adopções bem sucedidas, de crianças entregues a famílias. A história teve um final feliz, não são crimes, nem coisas para se denunciar...


De Jorge Soares a 12 de Novembro de 2009 às 13:59
Luís, vá dizer aos casais que conheço que estão à espera há 5, 6, 7 anos que o facto de alguém entregar uma criança a outro casal que cumpre os mesmos requisitos não é crime, é capaz de fazer isso?
De certeza que o gajo das sucatas também começou por meter uma cunha aqui e ali. É claro que é crime, e não é só criminoso quem mete a cunha, é criminoso que entrega a criança... por muito final feliz que possa ter, porque de certeza que se tivesse sido entregue a quem não tem cunba teria o mesmo final feliz.

E calar estas situações só contribui para manter essa situação das cunhas de que tanto fala no post e nos comentários, é tempo de acabar com elas.

Jorge Soares



De Anónimo a 12 de Novembro de 2009 às 15:08
Ó Jorge, vai-me desculpar a indiscrição, mas se um filho seu, um dia, se sentisse em dificuldades para ganhar a vida, não conseguindo arranjar emprego, o Jorge não tentaria meter uma cunha? E iria sentir-se criminoso? Eu não. Não tenho essa fortaleza moral. Espero agora que não denuncie às autoridades a minha vontade de vir a praticar um crime…. ;)

Pedro


De Jorge Soares a 12 de Novembro de 2009 às 17:31
Ó Pedro, eu sei que só sabemos como vamos reagir Às coisas quando passamos por elas, mas, sendo eu como sou, o meu filho vai aprender a arranjar emprego pelos seus méritos e eu vou tentar ensinar-lhe que não se arranja emprego por cunhas.

E sim, podem chamar-me lírico À vontade, mas é assim que tenho pautado a minha vida até hoje.

A vida das crianças é importante demais como para ser tratada por cunhas.

Jorge Soares


De Anónimo a 12 de Novembro de 2009 às 18:44
Sim, Jorge, tudo isso. Mas no fundo, no fundo, "só sabemos como vamos reagir às coisas quando passamos por elas", como diz.

Pedro


De Zorze Zorzinelis a 12 de Novembro de 2009 às 00:52
Confesso: é a primeira vez que venho a este blog. Devo-lhe dizer que li atentamente o seu post e respectivos comentários. Bem, sabe o que isto me lembra? A reunião de condóminos que tive enquanto administrador do prédio. Ou seja, é a segunda vez que tentei reunir todos os moradores deste número, e mesmo aplicando todas as leis e decretos e avisos e mais afins, a primeira coisa que me disseram foi: "não sei se esta convocatória está legal?" Perante isto respondi: "a clarabóia e o telhado precisa de ser todo reparado. está a um triz de nos cair o prédio na cabeça e vocês só pensam na burocracia. arranje-se com este empreiteiro ou com o outro, o que interessa é que as obras têm urgentemente de ser feitas. tanto um como o outro têm bons preços e são competentes"... É a minha opinião. Abraço!


De Luís Naves a 12 de Novembro de 2009 às 09:58
Discordo. Penso que esta discussão está a ser muito interessante, centrada num assunto bem sério: a adopção de crianças. Se acha que isso é o mesmo que falar sobre clarabóias...


De zazie a 12 de Novembro de 2009 às 02:00
Olha aí- se não sabes estás em boa altura de aprender:

1-A adopção é feita em função dos interesses do adoptado e não de quem não pode ter filhos

2- Uma criança que é órfã de pai ou de mãe não é um ser de segunda a quem depois se entrega a uma mãe barbada ou a um pai com mamas.


De Luís Naves a 12 de Novembro de 2009 às 09:51
para variar, este é um comentário totalmente ao lado do tema


De Anónimo a 12 de Novembro de 2009 às 10:26
Luís Naves, ou está a brincar ou não conhece minimamente a realidade. Eu já aqui tive oportunidade de dizer que sou pai adoptivo. O nosso processo demorou menos de três anos. Aguentámos e fomos até ao fim. E entretanto a lei foi alterada e o processo está mais célere. Vá aos centros de acolhimento e veja quantas crianças lá estão, fale com os técnicos, veja o que eles dizem sobre crianças que ninguém quer, aquelas que não são bebés rosadinhos, as deficientes, doentes, negras, amarelas, ciganas, ou simplesmente já demasiado crescidas e já com “vícios”, como muitos dizem. Conheço casais que não podem ter filhos e que ainda assim se recusam a adoptar por não irem “sentir o filho como seu”. Parece-lhe que estou a exagerar? Essa da demora e da burocracia é a mesma desculpa esfarrapada de sempre, e muitos casais também a utilizam . Alivia, pelo menos, muitas consciências.

Pedro


De Luís Naves a 12 de Novembro de 2009 às 13:03
Menos de três anos????? Célere???


De Luís Naves a 12 de Novembro de 2009 às 13:08
Estamos a falar de crianças. O tempo passa, não é? Educar uma criança a partir dos... cinco, seis? não é o mesmo do que educar uma criança a partir de um ano de idade, ou dois. Como é que pode ser um anátema querer uma criancinha rosadinha? Escreve como se esse desejo (legítimo, humano) fosse um problema. Estas pessoas querem constituir famílias, não é? E têm dúvidas legítimas no momento da verdade. E o Pedro teve a oportunidade de adoptar, é tudo, porque a sua família não tinha "defeitos". Hoje vem na comunicação social a história do futebolista alemão que se suicidou porque não quis tratar-se, pois um tratamento para a depressão levaria a ser-lhe retirada a filha adoptiva. Isto também é a realidade, meu caro Pedro.


De Anónimo a 12 de Novembro de 2009 às 14:18
Luís Naves, quanto à sua primeira resposta: não leu o que escrevi. Escrevi que no nosso tempo, demorou menos de três anos e de seguida disse que agora está mais célere. Era mais lento no nosso tempo, e ainda assim, isso não nos fez esmorecer. Voltariamos a fazer tudo outra vez.

Quanto à segunda, é óbvio que só adapta quem quer, e também é óbvio que é perfeitamente legitimo que quem adopta queira uma criança rosadinha, ou que não queira uma criança negra ou com sete ou dez anos, porque não a iriam sentir como sua, ou que não adoptem uma criança feia, etc. Qual anátema? As pessoas são livres. É "legitimo, compreensível, humano", o que quiser. Não há problema nenhum. Mas assuma-se isso sem hipocrisias. Não me venham é com o choradinho de dizer que as pessoas não adoptam porque não podem, porque a culpa é do estado, por causa das demoras e burocracias, etc. Já dei para essa.

Pedro


De Luís Naves a 12 de Novembro de 2009 às 15:28
Pedro, no fundo pensamos o mesmo. Mas lembro-lhe que há comentários que referem tempos de espera mais longos. E posso acrescentar, isso é facto, que o processo de selecção de casais é muito selectivo: o processo poderá ser mais rápido devido ao aumento do rigor da selecção; muitos casais que poderiam educar uma criança sem qualquer problema não conseguem chegar ao tal final feliz. Acho até que a tendência continua a ser a mesma: menos crianças, mais casais. Portanto, todo o final do seu comentário não se aplica ao que eu penso.


De Anónimo a 12 de Novembro de 2009 às 15:50
Luis, é verdade que são aqui referidos casos de processos longos. Se calhar, as alterações na legislação, que pretendiam agilizar o processo, não deram resultado. Mas também sei que para quem está à espera de um filho, até um ano é tempo demasiado longo. Mas não sei bem o que se passa agora quanto a números e a prazos. Sei o que vi e me disseram na altura, já lão vão cerca de cinco anos, para além de artigos esporádicos de jornal que às vezes aparecem e que falam em muitas crianças "adoptáveis", à espera.


Pedro


De Jorge Soares a 12 de Novembro de 2009 às 17:52
Pedro, convido-o a visitar este blog: http://nosadoptamos.blogs.sapo.pt/ para além de mim há mais pessoas a deixar os seus testemunhos, vale o que vale, mas é uma amostra da realidade actual.

Jorge Soares


De Anónimo a 12 de Novembro de 2009 às 21:56
Jorge, achei muito interessante esse blog e vou passar a visitá-lo com regularidade. Um pai e uma mãe do coração estão sempre a aprender com quem tem a mesma experiência. Mas, curiosamente, apenas reforça a ideia que eu já tinha. Resumindo, mais do que a alguns aspectos burocráticos (absurdos, é verdade, e que podem ser desesperantes), a demora excessiva dever-se-á mais ao facto de uma tão grande percentagem de candidatos quererem crianças caucasianas muito novinhas. Iso já eu sabia há muito tempo, as coisas, como eu suspeitava, não mudam asim de um ano para o outro. Você, Jorge, faz parte de uma louvável minoria.

Pedro




De cr a 12 de Novembro de 2009 às 13:04
Anónimo, o seu comentário é o mais certo porque é profundamente conhecedor da triste realidade, o resto são demagogias e " barro contra a parede "...
Infelizmente é muito fácil falar, mesmo quando não se conhece a realidade...


De Jorge Soares a 12 de Novembro de 2009 às 13:36
Pedro, sou pai biológico e adoptivo e candidato à adopção, sou candidato a uma criança até aos seis anos de idade sem descriminação de etnia e aceito crianças com problemas de saúde que não impeçam o desenvolvimento, estou à espera há ano e meio e na segurança social dizem que vou esperar mais 3 ou 4 anos, quer-me explicar onde estão essas crianças de que fala?... quer dizer, o melhor é explicar à segurança social, porque são eles que me dizem e a muitos candidatos que conheço que essas crianças das que fala não existem.

Jorge Soares


De Anónimo a 12 de Novembro de 2009 às 14:49
Ó Jorge Soares, há alguma coisa que não bate certo e aí admito que seja da segurança social. Está-me a dizer que vai ter de esperar cinco ou seis anos por uma criança até aos seis anos de idade sem discriminação de etnia, não importando se tem problemas de saúde? Dizem-lhe que essas crianças de que fala não existem? Algo está muito errado, de facto.. Eu sei o que vi no meu tempo, que foi há cerca de cinco anos. Mas admito que entretanto muita coisa possa ter mudado. Mas veja este link, que é do ano passado, sobretudo os últimos parágrafo.

http://diario.iol.pt/sociedade/adopcao-menores-google-criancas-portugal-seguranca-social/1013712-4071.html

Entretanto, boa sorte e felicidades.

Pedro


De Jorge Soares a 12 de Novembro de 2009 às 17:36
Pedro, agora podia escrever aqui um tratado sobre o estada da arte na adopção em Portugal, sou owner de um grupo de mail (o Nos adoptamos) onde pais adoptivos e candidatos discutimos o tema da adopção. Casos como o meu podia relatar vários.

Veja lá que essa noticia que refere foi comentada por mim no telejornal da RTP.

Há muitas coisas erradas, não as vou enumerar aqui, a comunicação social mostra o que a segurança social vende, a realidade é bem diferente, acredite, e para amostra, o meu caso.

Jorge Soares



De Zorze Zorzinelis a 12 de Novembro de 2009 às 10:35
Não menospreze a inteligência dos participantes. Não lhe vejo qualquer dom ou perspicácia fora do comum. O Luís é um pensante como qualquer um de nós e deveria manter alguma humildade. Percebe?


De Luís Naves a 12 de Novembro de 2009 às 13:27
Não tenho verdades na ponta da língua. Limitei-me a levantar um problema e diucuti-lo, aceitando os pontos de vista alheios. O meu caro amigo é que comparou as opiniões de toda a gente a simples banalidades de condomínio...


De Luis a 12 de Novembro de 2009 às 10:42
"Eventualmente, alguns vão conseguir adoptar. Agora, pense nos casais heterossexuais que não onseguiram, sei lá, porque não tinham cunha. Ali ao lado, o casal homossexual conseguiu. Não será isto uma experiência social politicamente correcta? Acha justo para a criança? "

Isso sugere que os homossexuais com cunha são intrinsecamente diferentes (superiores a) dos heterossexuais com cunha..


De Luís Naves a 12 de Novembro de 2009 às 13:19
são diferentes, não escrevi superiores.


De Luis a 12 de Novembro de 2009 às 14:53

Peço desculpa se interpretei mal, mas para este argumento não vejo relevância na orientação sexual: o casal sem cunha deve ficar desagradado, ponto.


De Anónimo a 12 de Novembro de 2009 às 11:16
A cunha, pois… eu não sei se isto vai chocar as almas mais sensíveis, mas eu diria que se tiverem cunha, a aproveitem. Mas eu acho que muitas, talvez escrupulosas, mais contra as cunhas, não aceitariam tal coisa… ;) E é claro que o maior problema das crianças que estão nas instituições é os homossexuais quererem adoptá-las, pois claro, coitadas das crianças, o risco que correm. Será melhor as instituições esconderem as crianças, até aparecer um casal heterossexual. Não deixo de me espantar.

Pedro


De Luís Naves a 12 de Novembro de 2009 às 13:13
Em princípio, sou contra a cunha. Neste caso, tenho dificuldade. Compreendo inteiramente o casal que recorreu a uma boa cunha para acelerar o processo de adopção e ganhar a sua família. É legítimo, compreensível, humano. O que culpo é um sistema legal que impede a adopção mais rápida. muitas das crianças estão institucionalizadas porque chegaram à fase de adopção muito tarde. Compreendo também aqueles casais que hesitam em adoptar uma criança já com sete ou oito anos. Compreendo também a sua ironia, Pedro, pois este debate é difícil de fazer, de tal maneira há mitos sobre o tema.


De Luís Naves a 12 de Novembro de 2009 às 13:19
De resto, estamos de acordo, o maior problema das crianças institucionalizadas não é o facto de haver casais de homossexuais que as querem adoptar...


De cr a 12 de Novembro de 2009 às 14:03
Pobres crianças, agora passaram a " crianças institucionalizadas "...

parece que se está a falar de uma raça menor...


De JS a 12 de Novembro de 2009 às 19:32
Não é uma raça menor, mas as probabilidades de uma boa educação serão certamente menores.

Nalguns casos porque simplesmente não se pode exigir o mesmo nível de educação face aos meios. Suspeito que noutros, está aliado a uma educação ultrapassada.

A realidade é que serão poucas aquelas que terão as mesma oportunidades que a maioria das que estão em famílias. Mesmo em instituições com bons método não é a mesma coisa.


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