Não vou escrever sobre o que foi a queda do muro. Não vou dissertar sobre o já dissertado, dizendo o que de tão óbvio todos sabem. Calhando é melhor dizer, que há uns distraídos: foi a melhor coisa que aconteceu nas últimas décadas e permitiu que a minha geração vivesse calmamente, fora do perigo de uma guerra estupidamente iminente. Permitiu à minha geração viver num mundo sem linhas traçadas, sem muros de liberdade e opressão, sem medo. Hoje o mundo não é perfeito. Novos muros, tangíveis ou não, vão crescendo e dificilmente se derrubam os que ficaram depois de 1989. No entanto, este já foi, perdoe-se-me a brejeirice dos termos. Este já foi e é importante que daqui a vinte, cinquenta, cem anos nos lembremos, não nós enquanto indivíduos, mas nós enquanto humanidade, daquilo a que o muro pôs fim. Lamento imenso que haja, hoje, em Portugal e em outras partes do mundo, pessoas que acham que o derrube do muro foi um erro, um retrocesso. São pessoas (vocês sabem quem são) que não me merecem respeito e sobre o respeito que merecem de quem me lê dirá cada um. O importante é lembrar. Lembrar tudo. Porque as memórias fracas são os maiores rastilhos para as grandes tragédias.
Muito nossos
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