Domingo, 8 de Novembro de 2009
O arauto

Torna-se, a meu ver, extraordinário ver que a democracia portuguesa é tão ineficaz na produção de partidos que se chega ao ponto de o Bloco de Esquerda, composto por uma mistela ideológica que faz tremer de medo, ser o arauto das liberdades individuais e do direito à privacidade. É claro que o Bloco está também preocupado com os postos de trabalho de altíssima qualidade que ficam por criar com o avanço do chip - os portageiros. Mas, no meio de toda aquela cangalhada parlamentar, foram os primeiros a avançar com um projecto que ponha fim aos chips obrigatórios e fundamentam a posição com os relatórios da Comissão Nacional de Dados. Tenho pena que não haja ninguém do outro lado do espectro a agarrar estas posições que, pense-se ou não, são francamente caras a boa parte da população. Assim, temos a extrema-esquerda anti-capitalista a ganhar pontos. Way to go!



publicado por Tiago Moreira Ramalho
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22 comentários:
De Carlos Cidrais a 8 de Novembro de 2009 às 18:29
Pensava que Miguel Macedo do PSD tinha entregue no parlamento para impedir a medida dos chips?
http://diario.iol.pt/politica/matriculas-chips-psd-parlamento-tvi24/1097111-4072.html


De Do Público online a 8 de Novembro de 2009 às 18:35
Três partidos - PSD, PCP e BE - já apresentaram no Parlamento projectos de lei para revogar os diplomas que regulamentam os chips e que permitiriam a cobrança de portagens em Scut (auto-estradas sem custos para o utilizador).


De Tiago Moreira Ramalho a 8 de Novembro de 2009 às 18:46
Respondendo aos dois:

O único partido que apresentou um projecto de lei no parlamento até agora foi o Bloco. Essa é, pelo menos, a informação que o site oficial do Parlamento dá. Se os outros partidos já apresentaram, trata-se de uma falha de um site oficial. Mas o mais provável é que os outros dois partidos tenham a intenção e o esboço, mas ainda não tenham tornado isso em iniciativa legislativa.


De Daniel Santos a 8 de Novembro de 2009 às 18:58
"É claro que o Bloco está também preocupado com os postos de trabalho de altíssima qualidade que ficam por criar com o avanço do chip - os portageiros."

Na minha opinião e de forma humilde, a dos "trabalhos de altíssima qualidade" era perfeitamente dispensável.

Não consigo ver trabalhos de primeira nem de segunda, mas acho que não foi isso que pretendeste dizer.



De Tiago Moreira Ramalho a 8 de Novembro de 2009 às 19:03
Era isso que eu queria dizer, sim. Os portageiros não criam riqueza, não é algo que crie valor nem pessoal nem colectivo. Se o Bloco me falasse em criar empregos de alto valor, apesar de eu achar que o Estado nunca os deve criar, ainda ponderaria o argumento. Agora, utilizar como argumento a não criação de postos de trabalho que retirariam mão-de-obra a outras actividades mais produtivas... nem parece um partido de economistas e sociólogos.


De Daniel Santos a 8 de Novembro de 2009 às 20:10
empregos de alto valor????

e isso é o quê?


De Tiago Moreira Ramalho a 8 de Novembro de 2009 às 20:15
Há trabalhos que geram mais riqueza que outros. É só isso.


De l.rodrigues a 8 de Novembro de 2009 às 21:28
Claro. Os CEOs dos bancos, são um bom exemplo de trabalho que gera riqueza. Não?


De João Cardiga a 8 de Novembro de 2009 às 22:20
"Os portageiros não criam riqueza, não é algo que crie valor nem pessoal nem colectivo."

Julgo que desta vez tiveste uma análise demasiado superficial desta questão. Obviamente que os portageiros criam valor na sociedade. Primeiro porque garantem que não existem free riders das autoestradas, depois porque ainda são muitas vezes a forma mais rápida de passares uma portagem, o que faz com o que teu trajecto demore menos tempo criando assim um valor para a sociedade.

Aliás economicamente até poderá acontecer que a substituição do portageiros por um sistema informático seja ineficiente e retire valor/riqueza à sociedade.

Mas a tua linha de raciocinio também te devia levar a reflectir algo que é marca da nossa sociedade: é que os empregos não são remunerados pela sua importância/remuneração mas sim pela concorrência que existe no emprego.


De Tiago Moreira Ramalho a 8 de Novembro de 2009 às 22:27
Quando falo em valor, falo em valor contabilizável, em riqueza. Eu também posso tirar muito prazer, ou seja, valorizar muito a actividade de abrir buracos para os fechar a seguir; mas isso não cria riqueza. Riqueza clara e objectiva não cria. Os portageiros também não...


De l.rodrigues a 8 de Novembro de 2009 às 22:46
Nem os banqueiros, certo?


De Tiago Moreira Ramalho a 8 de Novembro de 2009 às 22:51
Ó Luís, o Luís sabe perfeitamente que um CEO e um banqueiro criam muito mais riqueza que um portageiro. Isto não é matéria de opinião. É factual.


De l.rodrigues a 8 de Novembro de 2009 às 23:00
Não é. Pegam em dinheiro e movem-no. Não produzem nada. Zero. São bons a capturar riqueza, não a criá-la.


De Tiago Moreira Ramalho a 9 de Novembro de 2009 às 21:31
Ó Luís, mas está a brincar comigo? Então a gestão não leva à criação de mais riqueza? Uma boa gestão que conduza bem um negócio não leva a uma maior produtividade dos colaboradores?! Isto é elementar...


De l.rodrigues a 10 de Novembro de 2009 às 00:33
Tiago, o que é elementar é ler o que eu escrevo e não desviar o ponto. Estou a falar de bancos. Não se produz nada.

(Não estou a negar a sua utilidade, em certos aspectos da economia, mas é uma actividade exclusivamente de intermediação, não muito diferente do portageiro)


De Tiago Moreira Ramalho a 10 de Novembro de 2009 às 16:47
Mas quem é que lhe disse que os bancos não produzem nada?!

O Luís acha que o comércio (neste caso, uma espécie de comércio com dinheiro) não produz riqueza? É que se tem a certeza disso, trate de apontar a coisa em qualquer lado, que ainda lhe sai um nobel na rifa...

Aliás, um bom banco deixa muito poucos a perder: os próprios banqueiros e bancários recebem salários, os clientes depositantes vêem as suas economias crescer e os outros clientes podem financiar as suas actividades...

Não consigo compreender o seu ponto.


De l. rodrigues a 10 de Novembro de 2009 às 17:14
O meu ponto é aquele a que acabou por chegar.
O portageiro é, na essência, um trabalhador do comércio cujo balcão éa portagem. Portanto, pela sua própria dedução, cria riqueza ao contrário do que começou por afirmar.
Se vamos desvalorizar os portageiros, devemos fazer o mesmo aos banqueiros, bem como a qualquer empregado de balcão. Só isso.


De João Cardiga a 8 de Novembro de 2009 às 23:02
"Ó Luís, o Luís sabe perfeitamente que um CEO e um banqueiro criam muito mais riqueza que um portageiro."

Tiago, não confundas ganhar dinheiro com criar riqueza!


De João Cardiga a 8 de Novembro de 2009 às 22:59
"Quando falo em valor, falo em valor contabilizável, em riqueza."

O que eu te disse era valor contabilizável. O tempo é algo bastante contalibizável. Queres ver um forma de contabilizar:

- Imagina que o portageiro permite que a passagem seja mais rapida em média 1 minuto que qq outra solução.

- Imagina que por isso todos os utentes demoram menos 1 minuto no percurso e por isso trabalham mais 1 minuto por dia.

- Agora imagina que o salário médio é 750,00 Eur;

- E imagina que na ponte sobre o Tejo passa em média 1 milhão de pessoas por dia;

Ora isto dá que cada minuto ganho vale 7 cêntimos para a sociedade. Sendo 1.000.000 de pessoas significa que por dia a sociedade ganha 70.000 Eur só naquela portagem. Se multiplicar pela totalidade de dias uteis por ano (à volta de 250) significa que a sociedade ganha 17.500.000 Eur por ano com a actividade de portagens.

Como vês eu estava a falar de riqueza palpável, daquela que é contabilizável.

Mais, como o l.Rodrigues menciona existem efectivamente muitas actividades que em si não geram qualquer riqueza. Queres acabar com elas?

Por exemplo os especuladores não criam, numa análise superficial, nenhum tipo de riqueza, assim como os banqueiros, ou muitas outras actividades. Também queres acabar com elas?



De Manuel Leão a 9 de Novembro de 2009 às 23:54
Tiago Moreira Ramalho:

Há aí uma grande confusão entre valor e mais valia.
Permita-me que lhe sugira substituir a expressão "empregos de alto valor" (cujo significado é no mínimo ambíguo) por "trabalho altamente qualificado".


De Aguas a 8 de Novembro de 2009 às 21:05
Numa viagem à India no ano passado observei um modelo de portagem que era capaz de agradar ao Bloco...

Cada cabine de portagem emprega 3 pessoas (às vezes mais!). Dentro da cabina há o habitual portageiro que conta o dinheiro, faz os trocos, e preenche o talão, fora, junto à janela, está um outro tipo que recebe o dinheiro do condutor e o passa ao portageiro e, em seguida, passa o talão e o troco ao condutor, e para terminar há um outro tipo que sobe a cancela.


De Carlos Cidrais a 9 de Novembro de 2009 às 15:38
Ja aqui falei disto antes, mas ainda nao abordaste ( se me permites o tratamento por tu, eu por mim dispenso salamaleques ) o tema dos falsos recibos verdes.
Tema esse que e tambem aproveitado como bandeira pelo BE e ignorado por todos os outros partidos, o que e vergonhoso, dada a proliferacao dos mesmos.
Deixo aqui uma sugestao de leitura:
http://fartosdestesrecibosverdes.blogspot.com/
E espero que a leitura de em producao de posts a chamar a atencao para este fenomeno porque ja era tempo de obtermos resposta dos partidos ( que e sabido leem este blog com atencao )


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