«De qualquer modo, chegam épocas em que as transformações que se operam na constituição política e no estado social dos povos são tão lentas e tão insensíveis, que os homens pensam ter chegado a um estado final(...).
É o tempo das intrigas e dos pequenos partidos.
O que eu denomino como grandes partidos políticos são os que se ligam mais aos princípios que às suas consequências, às generalidades e não aos casos particulares, às ideias e não aos homens. Estes partidos têm em geral traços mais nobres, paixões mais generosas, convicções mais reais, um comportamento mais franco e mais audacioso do que outros. O interesse particular que tem sempre o papel mais importante nas paixões políticas, esconde-se aqui mais habilmente sob a aparência do interesse público; ele chega mesmo algumas vezes a ocultar-se dos olhares dos que anima e faz agir.
Os partidos pequenos, ao contrário, não têm em geral crença política. Como não se sentem elevados e sustidos por grandes fins, o seu carácter tem gravado um egoísmo que se repercute ostensivamente a cada um dos seus actos. Exaltam-se sempre a frio; a sua linguagem é violenta, mas a sua caminhada é timida e incerta. Os meios que empregam são miseráveis, assim como o próprio objectivo a que se propõem.»
Alexis de Tocqueville, Da Democracia na América
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